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Enquanto o processo não ficava deslindado, o tribunal determinou a penhora de cerca de dois milhões de euros de uma conta bancária do empresário, para fazer face a futuras indemnizações e a custas judiciais e foi nomeado um solicitador de execuções para ficar responsável pela verba. O indivíduo acabou, no entanto, por convencer o solicitador a movimentar o dinheiro que estava na conta - a única entidade que poderia fazer além do próprio tribunal -, a troco da comissão de cerca de 10 por cento.
Um empresário de Vila Nova de Famalicão, que tinha fugido para o Brasil, foi detido pela Polícia Judiciária, suspeito de ter usado, em proveito próprio, cerca de dois milhões de euros que estavam penhorados à ordem de um processo judicial. À frente da investigação esteve a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), que deteve o indivíduo na zona norte do Porto, no âmbito da operação "Conta saldada".
O empresário, de 42 anos, está indiciado pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais, mas no caso surge também envolvido um solicitador de execuções, que foi constituído arguido por ter movimentado de uma conta os dois milhões de euros, a troco de uma comissão de cerca duzentos mil euros.
O caso começou a desenrolar-se em 2006, no âmbito de um conflito gerado à volta do arrendamento de espaços em centros comerciais. Houve desentendimento entre o empresário e os proprietários dos centros na zona norte do país e houve recurso ao tribunal cível.
Enquanto o processo não ficava deslindado, o tribunal determinou a penhora de cerca de dois milhões de euros de uma conta bancária do empresário, para fazer face a futuras indemnizações e a custas judiciais e foi nomeado um solicitador de execuções para ficar responsável pela verba.
O indivíduo acabou, no entanto, por convencer o solicitador a movimentar o dinheiro que estava na conta - a única entidade que poderia fazer além do próprio tribunal -, a troco da comissão de cerca de 10 por cento.
O empresário fugiu então para o Brasil na posse dos dois milhões, enquanto o tribunal tentava em vão recuperar a verba penhorada, já não conseguido localizar o arguido. A UNCC recebeu, no ano passado, a investigação, mas nessa altura já os dois milhões de euros tinham sido desviados. É que o empresário tinha disseminado os milhões no sistema bancário internacional, abrindo contas sucessivas, após o que o dinheiro era levantado e a conta fechada.
Ao mesmo tempo, criou no Brasil uma empresa de exportação de madeiras exóticas, que funcionava a partir de S. Paulo, o que serviu para camuflar os movimentos de dinheiro e que parece ter tido na verdade uma actividade meramente fictícia.
Acabou por ser detido pela UNCC quando, nos últimos dias, precisou de vir a Portugal. Contra ele correm entre quatro e seis processos judiciais, em tribunais no Norte e no Centro do país, não apenas por burla mas também por falsificação. Um deles está em recurso.
CARLOS VARELA | JORNAL DE NOTÍCIAS | 12.09.2009
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