|
António Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, criticou as
polícias e os seus sindicatos, na quinta-feira. Dirigentes sindicais
acusam-no de falar sem conhecer a realidade e de falar para aparecer. A
falta de soluções apresentadas pelo bastonário é outra falha apontada. "Bastonário até fala mal de si mesmo", diz Carlos Anjos.
"É importante que o bastonário esclareça porque diz que os sindicatos
prejudicam a segurança, até porque quem faz a escala dos serviços não
são os sindicatos". Esta é a reacção do presidente da Associação
Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, às
críticas que o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), António Marinho
e Pinto, dirigiu às polícias e principalmente aos sindicatos do sector,
na quinta-feira.
O dirigente sindical acusou ainda Marinho e Pinto de
"pôr em causa a hierarquização da polícia" com o ataque aos sindicatos.
Marinho e Pinto disse, na comissão de Assuntos Constitucionais, no
Parlamento, que "os polícias amontoam-se nas esquadras" das grandes
cidades, mas que à noite estas "estão completamente abandonadas". O
presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), António
Ramos, responde: "apesar da falta de efectivos, há polícias nas
esquadras durante o dia e a noite. Em cada turno entram quatro polícias
". Logo, estas acusações "não fazem sentido e não correspondem à
verdade", considera. Paulo Rodrigues desafia ainda o bastonário a
"dizer em que esquadra viu polícias amontoados".
Para o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), José
Manageiro, as afirmações de Marinho e Pinto são de "alguém que não
conhece o funcionamento da GNR". E acrescenta que "não era suposto
ouvir estas palavras do bastonário da OA".
Outra acusação de Marinho e Pinto foi dirigida à investigação criminal.
O advogado defende que esta seja realizada apenas pela Polícia
Judiciária (PJ), de forma a pôr ordem na investigação. Uma opinião
"ultrapassada e conservadora da segurança pública", classifica José
Manageiro.
Mas, nesta matéria, os sindicatos não estão todos de acordo. António
Ramos, do SPP, acusa a actual organização das polícias de ter criado
muitos serviços duplicados. "Existem departamentos de diferentes
polícias a fazer a mesma coisa. Até parece que a crise não chegou à
polícia", ironiza. A solução, para este dirigente sindical, está "numa
fusão de todas as polícias", uma vez que "iria beneficiar a população".
"Defendemos que a PJ seja integrada na polícia nacional", conclui.
Do lado da PJ, Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical dos
Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), está de acordo com o
bastonário. "Sempre defendemos que a investigação deve ser feita pela
PJ, mas para isso era necessário aumentar os efectivos e não parece ser
essa a vontade do Governo", explica. A defesa da exclusividade da
investigação prende-se com o facto de "neste momento existirem órgãos
das polícias que começam a investigar desrespeitando a lei da
organização de investigação criminal", denuncia.
Quanto às restantes denúncias de Marinho e Pinto, Carlos Anjos
considera que "são declarações para vender jornais e aparecer no
telejornal, por isso, não lhe ligava muito". "O bastonário tem
criticado tudo o que é sindicato", recorda. "Com o à vontade com que
ele diz mal dos representantes das classes, qualquer dia engana-se e
diz mal do representante dos advogados, ou seja, o dirigente da OA",
brinca.
Todos os representantes contactados pelo DN são unânimes ao acusar
Marinho e Pinto de "falar mal sem apresentar soluções", mostrando a sua
"tendência para o populismo de baixo nível", acrescenta Paulo
Rodrigues. O DN tentou contactar, sem êxito, Marinho e Pinto para obter
uma reacção.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.06.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|