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Apesar da descida da criminalidade violenta e
grave (menos 10,5%), ocorreu no ano transacto o aumento do carjacking e do furto por esticão. Os dados foram revelados numa conferência de Imprensa, ontem, após a reunião do Conselho
Superior de Segurança Interna (CSSI) em que o relatório anual foi
apresentado.
A criminalidade participada à Polícia
Judiciária aumentou 31% no ano passado. A subida é justificada pelo
Governo com "uma mudança de metodologia" na contabilização das
ocorrências, tendo pela primeira vez sido incluídos nas contas da PJ
todos os crimes de que este órgão de polícia tem conhecimento, mesmo
quando são "da competência de outras polícias".
Se a Judiciária fosse retirada das estatísticas e contempladas apenas a
PSP e a GNR, o número total de ocorrências participadas sofreria um
decréscimo de 0,7%, em vez do saldo ligeiramente negativo de mais 0,1%
face ao ano anterior. O ministro Rui Pereira insiste na mensagem de que
o Governo "não responde a sentimentos de insegurança com números" (ver
entrevista nas páginas seguintes), o que não impede a repetição dos
dados para confirmar a "tendência de estabilização" da criminalidade.
Numa conferência de Imprensa, ontem, após a reunião do Conselho
Superior de Segurança Interna (CSSI) em que o relatório anual foi
apresentado, e em véspera de audição parlamentar do responsável pela
pasta da Segurança Interna, pouco mais foi acrescentado em relação a
números já divulgados nas últimas semanas. A apresentação pública da
globalidade do relatório fica adiada para o momento em que este for
entregue à Assembleia da República, segundo o prazo legal até final
deste mês.
Depois de lembrar a já conhecida descida da criminalidade violenta e
grave (menos 10,5%), Rui Pereira reconheceu ter de "lamentar" a subida
do "carjacking", crime que "mereceu consideração especial" por parte do
CSSI, presidido pelo primeiro-ministro. Ficam prometidas medidas
preventivas, em colaboração com a indústria do sector.
Também o roubo por esticão, que contribui para o sentimento de insegurança das populações, aumentou 0,9% relativamente a 2006.
Sem avançar números sobre a evolução do crime de corrupção, o ministro
da Justiça, Alberto Costa, prometeu continuar a "investir muito" nesta
área, assegurando que metade dos 150 inspectores da PJ que irão iniciar
o treino em Maio serão encaminhados para a investigação de crimes
económicos e financeiros.
Mesmo sem confirmação oficial ou a divulgação do relatório, a verdade é
que a TVI acrescentou ontem alguns dados sobre o ano passado subida de
10,5% de crimes por corrupção; a detenção ou tráfico de armas proibidas
aumentou quase 20%; Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, Braga e Aveiro foram
os distritos onde ocorreram mais crimes - mas terá sido em Braga, Faro
e Setúbal que as estatísticas do crime mais subiram.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 26.03.2008
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