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A receita fiscal dada como perdida pela administração fiscal em 2007
foi de 1,48 mil milhões de euros, quase 1% da riqueza gerada em
Portugal e neste momento as dívidas fiscais acumuladas pelos
contribuintes (empresas e famílias) atinge os 14,6 mil milhões de
euros, uma quantia que daria para colocar a zeros o défice orçamental,
construir vários hospitais e ainda pagar as obras públicas previstas
para os próximos anos.
As dívidas são tão elevadas que o Fisco vai recrutar mais investigadores
para combater o crime fiscal. Debaixo de olho tributário já estão 60
mil contribuintes "que têm persistido na falta de entrega de imposto"
como o IVA, IRS e IRC, de acordo com o relatório sobre o Plano de
Actividade Justiça Tributária (PAJUT) para 2008, a que o DN teve
acesso. O fisco avisa que os faltosos serão alvo "de eventuais
consequências criminais pela sua conduta".
Nos últimos meses, a máquina fiscal tem feito notificações em massa,
mas o fisco assume que além de necessitar mais investigadores para a
área criminal tem ainda que aperfeiçoar os sistemas informáticos com o
objectivo de perseguir a fraude fiscal. "Impõe-se repensar novas
metodologias na investigação criminal, passando pela afectação de mais
recursos humanos. De resto serão mais de 26 sistemas informáticos -
entre os dedicados às penhoras, publicitação de devedores, controlo de
benefícios fiscais - que serão alvo de "melhorias ou de novas
funcionalidades". O objectivo é "construir a administração fiscal
electrónica".
Para o corrente ano, o fisco pretende diminuir em 10% o total das
dívidas (em causa estão cerca de 1,46 mil milhões de euros). A dívida
"poderá, por isso, fixar-se em 2008 nos 13,192 mil milhões de euros",
de acordo com as perspectivas do fisco para o corrente ano. Mas a queda
do volume de calotes não será só à custa de entradas de dinheiro nos
cofres fiscais. É que boa parte dessa dívida já está prescrita e outra
será abatida por muitos contribuintes não possuírem bens penhoráveis.
Por isso, o que se perspectiva, de acordo com o relatório, é uma
"limpeza de ficheiros", com o fisco a concentrar-se nos processos com
mais probabilidade de recuperação de impostos em atraso.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, impôs como objectivo para
este ano cobrar 1,5 mil milhões de euros através de penhoras de
salários, bens e contas bancárias. Mas, o Fisco afirma que "não se
trata de um objectivo, mas de uma previsão". É que o topo da máquina
fiscal não esquece que no ano passado o objectivo de cobrar 1,6 mil
milhões de euros esteve em risco. Mas a administração fiscal promete,
em contrapartida, uma actuação "mais célere e eficaz na cobrança
coerciva.
Repartições cobram dívidas
José Azevedo Pereira, o director geral de impostos impôs a cada
Repartição a obrigação de cobrar pelo menos 20,5% do total da dívida
líquida. Em coimas - "multas" por entrega de impostos fora de prazo,
por exemplo - os serviços terão de cobrar pelo menos 180 milhões de
euros. Um objectivo abaixo do alcançado no ano passado (226,9 milhões
de euros) explicado pelo "maior cumprimento das obrigações fiscais dos
contribuintes"
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 15.04.2008
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