Em Portugal, em 2007,
foram apreendidas cerca de 4000 armas de fogo, o que perfez um média de
11 por dia ou uma a cada duas horas. Nos últimos anos o número de
homicídios com recurso a pistolas ou espingardas suplantou os
praticados com armas brancas. A Polícia de Segurança Pública (PSP) diz
que cerca de metade das armas apreendidas foram sujeitas a
transformações prévias. Mas esta não é a única preocupação das
autoridades. Um relatório do Serviço de informações de Segurança
(SIS) datado de2006 fazia referência à existência de redes estrangeiras
altamente organizadas que traficavam armamento - sofisticado e operavam
em território português.
A maior parte dos
homicídios em Portugal são consumados com armas de fogo. Este tipo de
crime já é mais comum do que as mortes causadas com armas brancas. As
estatísticas são claras e referem que, diariamente, são apreendidas, em
média, quase 11 pistolas, revólveres ou caçadeiras. O Serviço de
Informações e Segurança (SIS), num relatório recente, alerta para a
sofisticação de redes estrangeiras que fazem o tráfico de armas no país.
Nos
primeiros dois meses deste ano, em todo o país, a Polícia Judiciária
(PJ) estava a investigar seis homicídios consumados com armas de fogo e
sete com recurso a armas brancas. Esta tendência é, no entanto, uma
excepção aos totais nacionais dos dois anos anteriores, quando os
crimes com armas de fogo suplantaram sempre os praticados com facas.
Em
2006 contaram-se 63 dos primeiros contra 39 dos segundos e, no ano
passado, as mortes provocadas por tiros foram 58 contra as 32
registadas com armas brancas.
Os últimos relatórios de Segurança
Interna, onde são coligidos os dados estatísticos de todas as forças
policiais do país, também fazem referência à crescente apreensão de
armas de fogo em Portugal. De cerca de 3200 unidades em 2006 passou-se
para cerca de quatro mil no ano passado. Relativamente a 2007,
concluiu-se que a média de apreensões foi de quase 11 armas por dia.
Dessas, de acordo com um oficial da PSP contactado pelo PÚBLICO, metade
é transformada. As armas transformadas (existem serralheiros que
substituem o cano a armas de alarme, permitindo-lhes disparar munições
de calibre 6,35 milímetros) não são, no entanto, a única preocupação
das polícias. Em 2006, o SIS fez um alerta para as redes especializadas
a operar em Portugal neste tipo de crime. "Existem estruturas
criminosas estrangeiras altamente sofisticadas e com oferta bastante
sofisticada", alertavam.
O armamento que estas redes negoceiam não é
apenas de calibre de guerra, mas sobretudo de calibres de defesa.
"Muitas destas armas são metidas no mercado sem que tenha sido
declarada a sua existência. Há armeiros implicados na proliferação de
armas ilegais, sobretudo das que são importadas de Itália", refere
outra fonte policial.
No ano passado, de acordo com a PSP, existiam
no país, em situação legal, cerca de 1,4 milhões de armas (de defesa,
de caça, competição ou de coleccionismo). Dois anos antes, o número de
armamento licenciado rondava o milhão. A este aumento das legalizações
terá correspondido um aumento de armas ilegais, atendendo a que os
custos no mercado negro são cada vez mais baixos. Uma pistola
transformada pode custar agora 200 euros, metade do que custava há dois
anos.
Aos locais de venda do armamento ilegal parece ainda estar
associado o número de homicídios. Dados estatísticos da PJ referem que
dos seis homicídios consumados em investigação nos primeiros dois meses
deste ano, quatro ocorreram na área da directoria de Lisboa, um em
Setúbal e o restante no Funchal. Dos 58 crimes com arma de fogo contabilizados em 2007, 16 ocorreram em Lisboa, 15 no Porto e 11 em Braga.
PÚBLICO | 19.03.2008
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