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O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), Fernando
Jorge, considerou hoje que o novo mapa judiciário, a divulgar hoje, não
passa de uma "operação de cosmética" que não vai resolver os problemas
de morosidade da justiça portuguesa. "Toda a gente sabe que o principal problema da justiça em Portugal é
a morosidade, que não vai ser resolvida com o mapa judiciário, que é
sobretudo uma operação de cosmética", disse Fernando Jorge à agencia
Lusa, ressalvando que desconhece as alterações constantes da proposta.
De acordo com a versão final, o mapa judiciário terá 39
circunscrições ou tribunais regionais, repartidos por cinco distritos
judiciais, em substituição das actuais 231 comarcas.
O presidente do SFJ, que representa oito mil oficiais de Justiça,
mostrou-se "indignado" com a atitude do Ministério da Justiça, que
afirma, não ter enviado ao sindicato a versão final do mapa judiciário. "Há cerca de um mês e meio foi-nos enviada uma versão do mapa
judiciário sobre a qual fizemos algumas propostas, depois disso não
obtivemos qualquer resposta por parte do ministério, que não teve o
cuidado de nos enviar a versão final", disse.
Lamentou que tenham que saber das alterações pela comunicação
social, tanto mais que, segundo Fernando Jorge, o documento final foi
enviado com antecedência para as estruturas representativas dos juízes
e dos magistrados do Ministério Público."Uma das nossas propostas, que era acabar com as férias judiciais, até ia de encontro às ideias do ministro", sublinhou. Considerou que, ao não responder, a tutela revelou mais uma
"desconsideração" pelos oficiais de Justiça, a classe profissional mais
numerosa nos tribunais.
Por isso para breve, Fernando Jorge prometeu alterações na atitude
dos oficias de Justiça, os quais, afirma, nos últimos três anos se têm
pautado por uma postura de contenção. Adiantou que os oficiais de Justiça estão "cansados" e "indignados"
com a forma como têm sido tratados pelo Ministério da Justiça e
adiantou que no Conselho Nacional do sindicato, agendado para 05 de
Abril, poderão ser aprovadas formas de manifestar essa indignação.Não descartou a possibilidade de recurso à greve, mas lembrou que a
recente manifestação de professores ocorreu num sábado, não tendo sido
necessário fazer greve.
LUSA | 18.03.2008
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