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Prometeram-lhes condições preferenciais no acesso a uma carreira nos
tribunais, mas os cerca de 60 diplomados do único curso de Técnicos
Superiores de Justiça, ministrado desde 2003 pela Universidade de
Aveiro, não têm qualquer hipótese de colocação. Desesperam como todos
os jovens à procura do primeiro emprego, mas sentem-se "frustrados e
enganados" porque, segundo revelam, "o curso foi anunciado como tendo
entrada garantida, o que é uma pura utopia".
Quando há dois anos os primeiros alunos concluíram o
curso depararam-se com uma dura realidade. Depois de três anos de
estudo e seis meses de estágio nas secretarias dos tribunais,não podiam
ingressar na carreira porque o Estatuto dos Oficiais de Justiça apenas
prevê o acesso de candidatos com curso profissionalizante (equivalente
ao 12º ano).
Além desta questão, existe ainda o
efeito negativo da contenção orçamental que, ao longo dos
últimos oito anos,tem impedido a abertura de concursos de ingresso. Só este
ano surgiu uma oportunidade para 300 vagas, mas a
que só se puderam candidatar funcionários públicos.
Carlos Almeida, do Sindicato
dos Oficiais de Justiça, que tem apoiado a causa destes diplomados,
defende que "no interesse da realização da Justiça,o problema tem de ser
resolvido rapidamente, porque estes jovens existem e estão bem
habilitados".
Para além dos
diplomados de Aveiro, Fernando Jorge, dirigente do Sindicato dos
Funcionários Judiciais, alerta ainda para a existência de um milhar
de jovens,oriundos dos cursos profissionais, "que também não tem
colocação". E deixa o aviso: "O problema mais grave da Justiça é a
morosidade, que não se resolve com mapas judiciários, mas com mais
funcionários e meios."
CONDE RODRIGUES, SEC. ESTADO ADJUNTO DA JUSTIÇA: "VAI HAVER VAGAS EM DOIS ANOS"
Correio da Manhã – Qual é a solução possível para o bloqueio que se coloca a estes recém-diplomados ?
Conde Rodrigues
– O actual Governo é sensível à questão e está a promover reuniões com
representantes do sector para que a alteração do Estatuto dos Oficiais
de Justiça fique resolvida já nesta legislatura. Já à data do protocolo
assinado entre o Ministério da Justiça e a Universidade de Aveiro era
reconhecida a necessidade de alterar o Estatuto, mas tal não se
concretizou.
– E quanto ao acesso à carreira via concurso?
–
Foi feito ao Ministério das Finanças o pedido para recrutamento externo
de 240 novos funcionários judiciais, que acreditamos vir a ser possível
nos próximos dois anos..
Universidade diz que há outras saídas
A
formação que é ministrada ao longo de três anos no curso de Técnicos
Superiores de Justiça, a cargo da Secção Autónoma de Ciências Sociais,
Jurídicas e Políticas da Universidade de Aveiro, "aposta numa
componente lectiva que vai muito além das funções exercidas numa
secretaria de tribunal". Gonçalo Nunes, director do curso, reconhece a
frustração dos ex-alunos, mas acredita que "existem oportunidades no
mercado de trabalho que fornecem um conjunto de outras saídas, como
sejam os solicitadores de execução, os gabinetes de contencioso das
autarquias e organismos do Estado ou, até mesmo, os escritórios de
advogados". O docente tem confiança no futuro, até porque "estes
diplomados estão muitíssimo bem preparados na área da tramitação
prática do Direito".
Necessários 1500
Actualmente
existem cerca de oito mil funcionários judiciais em Portugal, mas o
sindicato reclama a necessidade de engrossar o quadro de pessoal com
mais 1500.
Fugas do tribunal
Só
no ano passado, 120 funcionários trocaram as secretarias dos tribunais
pela Direcção-Geral de Contribuições e Impostos e outros 80 pela
Polícia Judiciária. Às ‘fugas’ somam-se ainda centenas de reformas
antecipadas.
Concurso interno
Mais
de cinco mil funcionários públicos, na maioria provenientes do quadro
de excedentários do Ministério da Agricultura, candidataram-se a uma
das 300 vagas para novos oficiais de Justiça.
Mapa judiciário
O
Sindicato dos Oficiais de Justiça teme que, com a entrada em
funcionamento das três comarcas-piloto no âmbito do novo mapa
judiciário, a falta de funcionários nas secretarias dos tribunais se
acentue.
CORREIO DA MANHÃ | 19.05.2008
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