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Conservadora Registo Civil de Gondomar em prisão preventiva
11-Jan-2009
A conservadora do registo civil de Gondomar é uma das seis pessoas a quem foi decretada ontem a prisão preventiva no âmbito da operação desencadeada na madrugada da passada sexta-feira para desmantelar uma rede que prometia a realização de falsos casamentos com vista à legalização de imigrantes.

A detenção da conservadora pela Unidade Nacional Contra o Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária foi confirmada por despacho do juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, no termo do primeiro interrogatório dos 12 arguidos da rede que se dedicava a promover os "casamentos brancos". Ficaram também sujeitos a prisão preventiva outros cinco arguidos detidos, entre os quais três paquistaneses, suspeitos de liderarem o grupo envolvido na legalização de compatriotas seus, e um funcionário da segurança social.
 
A partir de hoje, o registo civil de Gondomar fica sem a licenciada responsável por suspeita de conivência com aquele grupo envolvido no auxílio à imigração ilegal, através da realização de mais de 300 "casamentos brancos", em que a noiva aceitava intervir a troco de quantias que oscilavam entre os 500 e os 2500 euros. Tratava-se de mulheres de condição humilde, algumas das quais terão sido ainda aliciadas para participarem em actos semelhantes em outros países da União Europeia (UE).
 
O matrimónio simulado abria aos imigrantes clandestinos as portas de acesso a documentos portugueses, nomeadamente passaportes, que lhes facilitavam a circulação no interior da UE e em outros países que dispensam visto a cidadãos com documentos comunitários. A rede não se dedicava a promover aqueles falsos casamentos, como também estaria envolvida no tráfico de outros documentos necessários para a legalização de imigrantes clandestinos oriundos do Paquistão.
 
O funcionário da segurança social, que prestava serviço na região de Lisboa, é suspeito de facilitar documentação da instituição aos elementos da rede, que era depois utilizada pelos imigrantes nos processo de legalização.
 
O topo da pirâmide seria ocupado por três comerciantes paquistaneses residente na Grande Lisboa e dispunha ainda de capacidade para emitircontratos de trabalho falsificados, entre os imigrantes e empresas detidas por alguns dos detidos. Umas eram fictícias, mas outras, que estavam a debater-se com sérias dificuldades, terão sido adquiridas para funcionarem como biombo.
 
Em causa crimes de falsificação de documentos, corrupção e associação criminosa para auxílio à imigração ilegal e durante as investigações, que decorrem já há vários meses, chegou a ser equacionada a hipótese de a rede poder estar a ser utilizada por organizações terroristas para obter falsos documentos de identidade.
 
PÚBLICO | 12.01.2009
Comentarios (17)add
... : Rosário Marques
Há qualquer coisa estranha na noticia...... à Conservadora não basta tão só apresentar os papeis correctos para que ela seja obrigada a realizar o casamento?

Se o pagamento máximo realizado é de 2000 euros, e cerca de mil vão para a "noiva", além de toda a parte distribuída aos restantes intermediários, quanto seria a parte da Conservadora para que lhe pudesse interessar o assunto? Uns trocos?

Para que queria a conservadora meter-se nisso? Até tem bons ordenados........

Lamento, mas parece-me que há qualquer coisa na história que não esta bem contada...
12.Janeiro.2009
... : Hi-Hi-no-Havai
É no que dá a desjudicialização desbragada e em curso com os políticos de meia tigela que temos. É no que dá tirarem estes e outros casos da tutela dos tribunais judiciais e entregarem-nos a pessoas sem formação adequada para os solucionar. Sem a intervenção dos isentos juízes, e de advogados idóneos (que também os há), ainda há-de ser muito pior. Já dizia Hobbes: "O homem é o lobo do homem". Quem confia prima facie nas boas intenções dos "cargos"? Eu não, todo o cuidado é pouco. Parabéns ao Ministério Público (e à PJ) pela investigação e ao juiz pelo decretamento da prisão. Havendo indícios suficientes, é assim mesmo.
12.Janeiro.2009
... : Rosário Marques
Hi-Hi-no-Havai .... não entendo... a desjudicialização parace me que ocorre no divorcio.. já o casamento sempre foi atruibuição das Conservatórias.

Concordo inteiramente com a parte do havendo os indicios suficientes... só que a noticia não me dá qualquer palpite sobre quais sejam esses indícios.... apenas que diz que uma Conservadora fez... casamentos!

Parece-me que essa é a sua função, casar quem se apresenta para ser casado....
12.Janeiro.2009
... : Hi-Hi-no-Havai
Ó caríssima senhora Rosário Marques, antes de mais os meus respeitosos cumprimentos, mas acha mesmo que se a senhora conservadora se limitasse apenas a fazer casamentos, como diz, ficava em prisão preventiva? Com todo o respeito, não me parece que assim seja. Quanto ao seu primeiro parágrafo, com a pressa (e a ânsia) de atacar a malfadada desjudicialização creia que até me "esqueci" desse significativo pormenor. Pois é, os conservadores casam, e não os tribunais. Como diabo é que eu me fui esquecer disso? Os conservadores casam, agora também divorciam sem consentimento e qualquer dia decidem processos de inventário. Os conservadores das conservatórias do registo civil casam, Hi-Hi-no-Havai. Ai esta cabeça sempre nas praias e nas dançarinas do Hawai...
12.Janeiro.2009
... : Rosário Marques
"Ai esta cabeça sempre nas praias e nas dançarinas do Hawai..."

Pois faz muito bem, que é preciso, também, relaxar. É direito de tod@s.

Mas, continuo teimosa. Cá pra mim, @s Conservadores sempre tiveram como competência CASAR quem quer casar. E, apesar de hoje andar com a cabeça em muitos lados - infelizmente, não nas praias e nos dançarinOs do Hawai! quem me dera... - parece-me que não estou enganada quanto a isso.... smilies/undecided.gif

12.Janeiro.2009
... : Mimi
Não está de todo enganada, Dª Rosário Marques, cabe ao Conservador do registo civil organizar e celebrar o casamento civil. Não lhe cabe como é natural investigar se de facto o casal em questão tem um relacionamento verdadeiro.. Que me desculpem, mas não tarda nada os Senhores Conservadores vão passar a servir de colçhão daqueles que querem casar para se certificarem se o relacionamento é mesmo verdadeiro... Isto é cada uma smilies/grin.gif
12.Janeiro.2009
... : Mário Rama da Silva
Estou com a Dra. Rosário Marques. Há qualquer coisa mal contada na história ou só deixaram passar cá para fora o superficial. Porque alguém deixou passar detalhes cá para fora ou o jornalista é bruxo, soube em Gondomar e veio por aí abaixo.
Ora, desde que há casamento civil que é competência própria dos Conservadores celebrar os casamentos, face a um processo devidamente organizado. Eu, se fosse Conservador, cada vez que me aparecesse um estrangeiro de países terceiros passava a mandar o processo todo para o laboratório da PJ e eles que verificassem se havia algum documento falso.
Face à notícia, ou a Conservadora estava iniciando uma nova actividade ou foi ensarilhada na rede e dá jeito que assim fique o que nada desabona, em princípio, o Juiz que apenas aprecia os indícios que, diga-se de passagem, podem ser manipulados para que também caia na malha.
Uma curiosidade a propósito da obtenção de documentos nacionais: há uns tempos atrás (e provavelmente continua a ser assim) para um estrangeiro sem autorização de residência ter número de contribuinte as finanças mandavam-no ir ao banco pedir uma declaração a dizer que pretendia abrir conta (para o que era necessário o NIF), ele ia lá contar que precisava de abrir conta e o banco declarava que ele lá tinha ido com esse propósito, o que se afigurava verdadeiro e ninguém lhe pedia nada para isso. Munido da declaração ia às finanças e tinha o NIF. Mais tarde mandavam-lhe o cartão para a morada indicada por ele, independentemente de qualquer prova de que aí residisse. Dois casos de morada falsa conheço eu. Um aterrou na minha caixa de correio e outro na de um familiar próximo, noutra localidade, o que permite fazer uma ideia do número. E isto ainda não tinha chegado o Simplex.
12.Janeiro.2009
... : Barracuda
Oh rosarinho, as minhas desculpas! Ai se não fosse esse feminismo à flor da pele! Gostei tanto de a ler nestes comentários! É que tem toda a razão! Quais serão os pressupostos tidos como existentes para meter a senhora na cadeia por fazer casamentos brancos? Porque diabo teriam de lhe pagar fosse o que fosse, salvo por simpatia pela atenção especial? Se a papelada estava em ordem poderia negar-se? Muita coisa me escapa, mas isso não me admira. Estou habituado neste acampamento de ciganos (desculpem os da "etnia" dos morenos). Sabe que se for apenas porque a noiva recebeu uns euritos para se casar, ou seja se casou por interesse nos tais euritos mesmo se dispensada de consumação, vai haver prisões preventivas para muita gente e alguma muito fina. Sabe que há países europeus onde os noivos suspeitos de casamento para inglês ver recebem a visita de polícias na sua intimidade para ver se a caminha acusa delírios amorosos? As tais marcas de virgindade ali perdida já não devem ser o processo esclarecedor da bondade e seriedade do enlace, que já n se usa esperar. Quais serão, questiono-me. Mas que se faz isso faz. Veja ao que chegou a fobia emigrante da Santa UE. Desde que passou a projecto imperialista na esteira dos tanques da Nato, a emigração é para ela o primeiro pesadelo. Depois dos contratos de trabalho por tempo indeterminado e das alterações climáticas, claro. De qualquer modo, tinha de chegar a fobia a Portugal, sobretudo quando, devido à crise, as nossas portuguesinhas se vêem obrigadas a fazer saldo da sua liberdade de celibatárias. Pobres compatriotas. Se eu fossa rico casava com todas para que não tivessem de se exportar. Casamento branco e não consumado, evidentemente. Um conselho aos casadores de ofício. Cuidado com a diferença de idade entre os nubentes! Se for além de 20 anos é certo que dá para desconfiar. Pelo menos foi o que me disseram há dias quando disse a uma pequena que eu era vinha vindimada em termos de conquista de jovens viçosas (pelos 30, cuidado!). Resposta da dita: não pense nisso! O que conta não é a idade. É a carteira! Até faziam bicha! Passado o incidente fui ver a carteira. Tinha lá o dinheiro da semana: 100 euros. Por tão pouco, disse para os meus botões. Quanto mais por milhares! Deve haver às paletes! Cuidado senhoras conservadoras: peçam certificado de ligação amorosa. Há psicos que n hesitarão em certificar paixões escaldantes a troco de umas dez consultas, para um diagnóstico fiável. É que a bola de cristal custa muito a manter! Eu estou a pirar com o meu País. Vou dar o fóra!
13.Janeiro.2009
... : Barracuda
HI HI, não o entendo: atacar a malfadada desjudicialização! Diga-me lá: Se é juiz, tem falta de trabalho ou é dono dos conflitos entre os cidadãos? Se não, gosta de ficar na bicha anos a fio à espera de uma decisão que com toda a certeza vem tarde e nem sempre será do seu interesse? Vou dar o fóra!
13.Janeiro.2009
... : Rosário Marques
Barracudazinho...

Acabei por não perceber lá muito bem de que lado estava, afinal... tirando o que respeita à parte do feminismo, que, ao que parece, não lhe agradam mulheres com estatuto, assumido, de igualdade.
13.Janeiro.2009
... : Alberto Ruço
Se a Sr.ª Conservadora ficou em prisão preventiva, não pode ter sido só por se ter limitado a declarar o casamento.
Estando eu em branco no caso, como os ditos casamentos, a hipótese mais provável será a que permita indiciar que o a Sr.ª Conservadora sabia do que se passava, isto é, sabia que os casamentos eram simulados, concordava e promovia esta actividade.

Se não for mais ou menos assim, é difícil colocar outra hipótese viável.

13.Janeiro.2009
... : Ratazana
Eu, se fosse à Conservadora, não me chateava muito.
Se for verdadeira a suspeita, arriscou (mal) e perdeu, logo deve encarar filosoficamente as consequências. Portou-se mal, as coisas deram para o torto, aguenta: é a vida, como dizia o outro. Não serão, aliás, muitas, designadamente ao nível da censura social, neste país tolerante para com os vigaristas; e estará bem acompanhada por autarcas, banqueiros, políticos, árbitros, dirigentes desportivos, etc ... tudo gente de sucesso!
Se aquela, a suspeita, se mostrar infundada, então sorria, porque saiu-lhe a sorte grande: com o actual regime de responsabilidade civil extracontratual dos agentes da administração pública, em que o Estado responde solidariamente, arranje um bom advogado e obterá uma indemnização milionária ... paga pelos contribuintes!
E, mesmo sem conhecer o factos subjacentes à indiciação, convenhamos que se a senhora -no pressuposto de que meteu mesmo a mão na massa- agiu com um mínimo de "cuidado", designadamente nada havendo a apontar ao processo preliminar (é assim que se chama agora ou já lhe mudaram o nome outra vez?) vai ser difícil como o caraças provar a sua participação no ilícito ... quer criminal quer disciplinar.
Uma pergunta para acabar: será que a senhora distribuía electrodomésticos aos noivos no final da cerimónia?
14.Janeiro.2009
... : Rosário Marques
"Eu, se fosse à Conservadora, não me chateava muito. "

Pois é Ratazana, (agora ri-me a pensar Dr. Ratazana, ou Meritissimo Juiz Ratazane heheheh)

Mas ao que consta asenhora está em Tires.... uma senhora já de meia idade, viuva, sem familia....


14.Janeiro.2009
... : VerParaSaber
Tudo muito esquisito.. Conheço a Sra. em causa, é rica (muito), por herança familiar, faz 60 anos daqui a dias, não tem filhos... Vamos dar tempo, não sou anjinho, mas já vi muito na minha vida... Para os dois lados.. Bom fim de semana...
16.Janeiro.2009
... : anónimo
O legislador deveria exigir que nos casamentos em que intervenham estrangeiros, estes apresentem um visto válido de entrada na União Europeia ( há menos de 90 dias) lançado no passaporte ou o respectivo titulo de permanência ou de residência se aquele visto de entrada tiver mais de 90 dias. Muitos estrangeiros e estrangeiras nem sequer trazem qualquer visto de entrada no passaporte ! ? pois as entidades policiais dos aeroportos em alguns países da União Europeia não põem o carimbo de entrada no espaço comunitário. O problema não é apenas dos casamentos com paquistaneses, mas alarga-se às mulheres estrangeiras que ilegalmente se encontram nos clubs nocturnos de Espanha, as quais procuram casar com portugueses ( que o povo comenta tratar-se a troco de dinheiro) para legalizar a residência naquele país e evitar a expulsão pelas autoridades policiais espanholas. As Conservatórias evidentemente não realizam esses casamentos se souberem em cada caso concreto que é essa a motivação para o casamento. Mas quem o prova? Quem é que vem dar a cara e vai dizer que é um casamento branco?. Elas sabem representar bem como sendo um casamento sério e também conseguem obter toda a documentação legalmente exigida (devem ter boa assessoria). É necessário que o legislador crie formas de actuação das Conservatórias em conjunto com o SEF para actuar nestas situações, pois não podem ficar as Conservatórias com o ónus de impedir estes casamentos apenas porque parece que são fraudulentos.



16.Janeiro.2009
... : pasmado
Agora imaginem o que vai ser com o processo de casamento on-line, quem vão prender?
SIMPLEX no seu melhor...

08.Fevereiro.2009
... : Amora.
E afinal, como está este caso? Alguém sabe alguma coisa??
06.Março.2009
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