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A conservadora do registo civil de Gondomar é uma das seis pessoas a
quem foi decretada ontem a prisão preventiva no âmbito da operação
desencadeada na madrugada da passada sexta-feira para desmantelar uma
rede que prometia a realização de falsos casamentos com vista à
legalização de imigrantes.
A detenção da conservadora pela Unidade Nacional Contra o Terrorismo
(UNCT) da Polícia Judiciária foi confirmada por despacho do juiz Carlos
Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, no termo do
primeiro interrogatório dos 12 arguidos da rede que se dedicava a
promover os "casamentos brancos". Ficaram também sujeitos a prisão
preventiva outros cinco arguidos detidos, entre os quais três
paquistaneses, suspeitos de liderarem o grupo envolvido na legalização
de compatriotas seus, e um funcionário da segurança social.
A partir
de hoje, o registo civil de Gondomar fica sem a licenciada responsável
por suspeita de conivência com aquele grupo envolvido no auxílio à
imigração ilegal, através da realização de mais de 300 "casamentos
brancos", em que a noiva aceitava intervir a troco de quantias que
oscilavam entre os 500 e os 2500 euros. Tratava-se de mulheres de
condição humilde, algumas das quais terão sido ainda aliciadas para
participarem em actos semelhantes em outros países da União Europeia
(UE).
O matrimónio simulado abria aos imigrantes clandestinos as
portas de acesso a documentos portugueses, nomeadamente passaportes,
que lhes facilitavam a circulação no interior da UE e em outros países
que dispensam visto a cidadãos com documentos comunitários. A rede não
se dedicava a promover aqueles falsos casamentos, como também estaria
envolvida no tráfico de outros documentos necessários para a
legalização de imigrantes clandestinos oriundos do Paquistão.
O
funcionário da segurança social, que prestava serviço na região de
Lisboa, é suspeito de facilitar documentação da instituição aos
elementos da rede, que era depois utilizada pelos imigrantes nos
processo de legalização.
O topo da pirâmide seria ocupado por três
comerciantes paquistaneses residente na Grande Lisboa e dispunha ainda
de capacidade para emitircontratos de trabalho falsificados, entre os
imigrantes e empresas detidas por alguns dos detidos. Umas eram
fictícias, mas outras, que estavam a debater-se com sérias
dificuldades, terão sido adquiridas para funcionarem como biombo.
Em
causa crimes de falsificação de documentos, corrupção e associação
criminosa para auxílio à imigração ilegal e durante as investigações,
que decorrem já há vários meses, chegou a ser equacionada a hipótese de
a rede poder estar a ser utilizada por organizações terroristas para
obter falsos documentos de identidade.
PÚBLICO | 12.01.2009
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