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Os notários prosseguem a “guerra” com o Governo. O seu bastonário,
Joaquim Barata Lopes, acusa o Ministério da Justiça de ter feito uma
reforma para lhes retirar competências e entregá-las a outros
profissionais do direito, particularmente aos advogados. E alerta para
o risco de abandono do sistema de justiça preventiva e para o aumento
dos litígios em tribunal.
Estas questões foram expostas na reunião plenária anual dos notariados
da União Europeia, que decorreu na sexta-feira e ontem em Cascais,
destinada a encontrar as melhores formas de cooperação em matérias como
o combate ao branqueamento de capitais, a escritura pública e a sua
livre circulação em todo o espaço comunitário e os efeitos patrimoniais
do casamento e uniões de facto nos diferentes países europeus.
Em conferência de imprensa, Barata Lopes afirmou que a reforma do
notariado, em Portugal, só beneficiou os que “obtiveram novas
competências e novos negócios, à conta das competências retiradas aos
notários, os advogados em primeiro lugar” e que “a colaboração activa
dos notários é sistematicamente rejeitada”.
Enquanto “todos os ministérios da Justiça [europeus] pediram o apoio
activo e intervenção dos diversos notariados para preparar a resposta,
o Governo português recusou o apoio que o notariado português se
disponibilizou para prestar”, afirmou Barata Lopes, acrescentando.
“Mais do que isso, recusou estar presente nas reuniões no sentido de
trocar impressões sobre esta matéria”.
Insurgiu-se ainda contra o facto de, ao longo da reforma da actividade
notarial, nunca os notários portugueses terem sido “previamente ouvidos
para darem as suas sugestões”, mas apenas depois, “formalmente quando
os diplomas já estão elaborados”, ao contrário do que acontece com
“todas as outras profissões jurídicas”.
Barata Lopes nota que “uma das principais vantagens da intervenção dos
notários é a prevenção de conflitos e a segurança jurídica” e prevê
que, “dispensando a intervenção do notário, especialmente preparado
para garantir que a vontade das partes está em estrito cumprimento da
lei”, aumentará o recurso aos tribunais para dirimir os conflitos: “A
vida dos cidadãos deve ser simplificada mas sem descurar a segurança
jurídica”.
PÚBLICO | 22.06.2008
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