header image
Início seta Notários e Conservadores seta Bastonário da ON: em causa segurança jurídica
Bastonário da ON: em causa segurança jurídica
23-Jun-2008
Os notários prosseguem a “guerra” com o Governo. O seu bastonário, Joaquim Barata Lopes, acusa o Ministério da Justiça de ter feito uma reforma para lhes retirar competências e entregá-las a outros profissionais do direito, particularmente aos advogados. E alerta para o risco de abandono do sistema de justiça preventiva e para o aumento dos litígios em tribunal.


Estas questões foram expostas na reunião plenária anual dos notariados da União Europeia, que decorreu na sexta-feira e ontem em Cascais, destinada a encontrar as melhores formas de cooperação em matérias como o combate ao branqueamento de capitais, a escritura pública e a sua livre circulação em todo o espaço comunitário e os efeitos patrimoniais do casamento e uniões de facto nos diferentes países europeus. Em conferência de imprensa, Barata Lopes afirmou que a reforma do notariado, em Portugal, só beneficiou os que “obtiveram novas competências e novos negócios, à conta das competências retiradas aos notários, os advogados em primeiro lugar” e que “a colaboração activa dos notários é sistematicamente rejeitada”.

Enquanto “todos os ministérios da Justiça [europeus] pediram o apoio activo e intervenção dos diversos notariados para preparar a resposta, o Governo português recusou o apoio que o notariado português se disponibilizou para prestar”, afirmou Barata Lopes, acrescentando. “Mais do que isso, recusou estar presente nas reuniões no sentido de trocar impressões sobre esta matéria”.

Insurgiu-se ainda contra o facto de, ao longo da reforma da actividade notarial, nunca os notários portugueses terem sido “previamente ouvidos para darem as suas sugestões”, mas apenas depois, “formalmente quando os diplomas já estão elaborados”, ao contrário do que acontece com “todas as outras profissões jurídicas”.

Barata Lopes nota que “uma das principais vantagens da intervenção dos notários é a prevenção de conflitos e a segurança jurídica” e prevê que, “dispensando a intervenção do notário, especialmente preparado para garantir que a vontade das partes está em estrito cumprimento da lei”, aumentará o recurso aos tribunais para dirimir os conflitos: “A vida dos cidadãos deve ser simplificada mas sem descurar a segurança jurídica”.

PÚBLICO | 22.06.2008

Comentarios (1)add
... : Mário Rama da Silva
Enquanto o notariado foi público existia um sem número de actos notariais inúteis e de actos de utilidade duvidosa que eram obrigatórios pela única razão de assegurarem receitas ao Estado.
Enquanto o notariado foi público inúmeros Cartórios funcionavam em instalações degradadas, com filas pela escada para reconhecer assinaturas, sem salas de espera para quem aguardava por uma escritura e com largas semanas ou meses para celebrar escrituras.
Houve um governo que avançou com a peregrina ideia da privatização do notariado, recebida por uns, onde me incluo, com muitas reservas e por outros, designadamente muitos notários, com a satisfação de quem tinha na mira o que se afigurava um bom negócio.
O governo livrou-se dos notários e, especialmente, dos investimentos necessários para manter em funcionamento a maoria dos cartórios.
Os herdeiros do mesmíssimo governo da luminosa ideia inicial mas que não fora capaz de suprimir os actos inúteis vem, agora e em nome do "simplex", suprimir não apenas os actos inúteis ou menos justificados mas fazer uma autêntica razia na função notarial sem sequer assegurar algumas cautelas básicas relativamente a certos actos.
Tem razão,quanto a isso o Bastonário dos Notários.
Já a sua razão se turva quando mistura o facto de serem atribuídas competências aos Advogados para actos antes reservados aos Notários e daí ir concluindo que estes não asseguram que a vontade das partes está espelhada no documento ou que este está "em estrito cumprimento da lei".
É que todos os que já cá andamos há muitos anos tivemos em mãos escrituras notariais cujo arrepio à lei - e muitas vezes à vontade das partes - teve de ser discutida em Tribunal e até sabemos onde se faziam.
Não concordo com esta quase que liberalização dos actos notariais, por razões diversas, mas era o custo previsível da profissão liberal.
Talvez fosse melhor o Bastonário assestar baterias nas Lojas de pronto a vestir jurídico criadas pelo governo, nas transferências de competências para as conservatórias e soluções quejandas.
Se o não fizer talvez venha a queixar-se de escrituras feitas nas lojas dos Correios, onde já se autenticam fotocópias, ou perante o presidente da Junta de Freguesia, mesmo que este seja honestissimo mas semi analfabeto.
24.Junho.2008
Escreva o seu Comentario

Por regra, todos os itens ficam disponiveis para insercao de comentarios apenas durante sete dias. Face ao decurso temporal desde a sua publicação, este item foi fechado automaticamente pelo programa de gestao de base de dados, sendo impossivel a submissao de novos comentarios. Se porventura pretender acrescentar alguma observacao, agradecemos que nos remeta por correio electronico, a fim de se for considerada pertinente, ser adicionada manualmente.


busy
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Sondagem
No Portal