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Um advogado não pode fazer trabalho de notário
24-Nov-2008
Entrevista do Correio da Manhã a Carla Soares, eleita Bastonária da Ordem dos Notários: «Um advogado não pode fazer trabalho de notário».


Correio da Manhã - Foi eleita sábado bastonária da Ordem dos Notários. Com a reforma jurídica os notários sofrem a concorrência de advogados, solicitadores e oficiais de registo?
Carla Soares - É tempo dos notários estarem preparados para muita luta, trabalho e união. Porque a partir de Janeiro teremos a concorrência de advogados e solicitadores para a formalização de contratos. Conforme um advogado não é um juiz, também não pode trabalhar como um notário.

- Qual é o risco de um advogado formalizar um contrato?
- Há parcialidade no trabalho do advogado, pois defende uma parte, que é o seu cliente. Por exemplo, na realização de um empréstimo com hipoteca, será o banco que é a parte com maior dimensão que levará o advogado e não o cliente. Isto pode levantar riscos. Preocupa-me ao nível da fiscalização do branqueamento de capitais e do combate ao terrorismo.

- Considera também que há concorrência por parte dos oficiais do registo?
- Foi-lhes aplicado um fardo de trabalho para o qual eles não têm habilitações. E, por outro lado, também não são imparciais pois estão dependentes do Estado. São funcionários com a 4.ª classe ou o 11.° ano sem formação jurídica sendo-lhes delegadas tarefas muito técnicas como a realização de partilhas.

- Os notários privados estão então a passar por uma crise?
- Sim. O Estado exerce uma concorrência muito forte sobre o nosso trabalho, colocando pessoas com habilitações menores a realizar actos. Por exemplo, o contrato de Casa Pronta é apenas de 300 euros. Para o meu cliente formalizar uma escritura de compra e venda, só os registos custam 250 euros, depois há o meu trabalho. Até na cobrança do IVA o Estado está a querer fugir. Perante isto vou pedir uma audiência ao secretário de Estado da Justiça.

CORREIO DA MANHÃ | 24.11.2008



Carla Soares é a nova bastonária dos notários, “farol na justiça”
A Ordem dos Notários elegeu ontem uma nova bastonária. Carla Soares venceu as mais disputadas eleições de sempre nesta classe: pela primeira vez, apresentaram-se a votos três listas de candidatos. A bastonária eleita conseguiu 148 votos, uma vantagem de 23 sobre Alex Himmel e de 40 sobre José Relvas. As eleições para a Ordem dos Notários foram antecipadas seis meses, no seguimento de uma petição assinada por um quinto destes profissionais, que estão descontentes com o facto de o anterior bastonário não ter evitado que o Governo lhes retirasse várias competências e que se dizem ameaçados por medidas como o Simplex.
Carla Soares declarou ter pela frente a “defesa da função, na perspectiva do valor que tem para o cidadão e não numa mera perspectiva economicista”. E considerou mesmo que “os notários serão um farol dentro da justiça portuguesa”.
A bastonária eleita garantiu estar confiante no futuro da profissão. Mas José Relvas, um dos candidatos derrotados, mostrou-se menos optimista: “A minha sensação é que corremos o risco de extinção”.
PÚBLICO | 23.11.2008

Comentarios (36)add
... : Estagiario
Quer se goste ou não, o grande problema das profissões jurídicas (advocacia, notariado, solicitadores) reside basicamente na falta de clientes e de dinheiro. O número de profissionais nesta área é excessivo. Enquanto não encararem este problema de frente tudo o resto não passa de manobras de diversão (umas com maior e outras com menor fundamento).
24.Novembro.2008
... : Pako
Ora aí está um estagiário capaz de ensinar muitas coisas!
24.Novembro.2008
... : Cavaleiro das Flores
Concordo com o "Estagiário".
O problema surge quando se perspectivam soluções para a massificação. Agradecem-se contributos
24.Novembro.2008
... : Manuel Sequeira
Contributos?

Aí vai um. Desde há muito tempo que estão previstos os assessores dos juízes (forma privilegiada de dar celeridade aos processos, do mesmo passo que se ganham pessoas para poderem depois concorrer à judicatura armadas de inegualável experiência).

Nunca foi implementada a sua real existência, não obstante o excesso de licenciados em Direito.

Pois é, poderia ser que os tribunais começassem a funcionar melhor...
24.Novembro.2008
... : Mário Rama da Silva
Manuel Sequeira formula uma sugestão que pode dar verdadeira dimensão e conteúdo à função de assessor nos Tribunais.
Em princípio, tendo os Juízes necessidade de assessoria técnica em diversas áreas parece que o direito será aquela onde menos necessitarão dela.
O nosso sistema não é o da common law, não se fundmenta em precedentes, para cuja pesquisa os assessores teriam óbvia utilidade, pelo que a decisão, resultando da aplicação da lei, exige que o Juiz a conheça e não que alguém a conheça para ele.
Nessa medida percebe-se porque é que os assessores nunca sairam do papel. Não parece razoável a existência de um corpo de funcionários cujo papel se esgote na busca da legislação e/ou jurisprudência e prepare um relatório que auxilie ou sirva de base à decisão de direito, sob pena de o assessor ter de saber direito e o Juiz não o que podia originar uma corrosão do prestígio dos Juízes que parece passar desapercebida.
Se, porém, se criar uma figura de assessor cujo escopo seja, desde logo, uma actividade participativa no estudo e preparação das decisões judiciais, em verdadeira equipa com os Juízes assessorados e tendo em vista uma futura progressão para a carreira judicial, então esta pode ser vista como um verdadeiro estágio privilegiado de acesso ao CEJ, com os benefícios que daí adviriam para os Tribunais.
É preciso é repensar o modelo expurgando a ideia de haver um dr. que estuda e prepara a decisão segundo as indicações e necessidades do dr. que a irá subscrever. É que ambos sabem, ou devem saber, o direito que irá ser aplicado, ainda que tal assessoria possa aliviar o Juiz. Se for para essa finalidade, então o assessor deve ser colocado a dar despachos cuja natureza não justifique a intervenção do Juiz, sem embargo de, querendo, poder vir a concorrer à magistratura.
Essa etapa de assessoria podia ser mesmo uma condição de acesso à magistratura judicial (ou ao CEJ) em paralelo com um número mínimo de anos de exercício de outras profissões jurídicas (e não me refiro exclusivamente à advocacia).
A base da ideia não pode ser melhor, mesmo que não seja para criar emprego, mas não creio que as restrições orçamentais levem, sequer, a considerá-la. E é pena.
Quanto à concorrência dos Advogados aos Notários (e, pessoalmente, entendo que há actos que nunca deviam ter saído do notariado e só sairam porque a privatização deixou a porta aberta para tal, estabelecendo a regra da concorrência) é bom lembrar que também os Notários podem hoje concorrer com os Advogados em certas matérias e que as Conservatórias e as Lojas de qualquer coisa concorrem com todos.
É o sinal dos tempos, cujas consequência o estagiário bem assinalou.
24.Novembro.2008
... : Pako
Contributo evidente: Certificação dos Cursos de Direito e redução drástica das vagas.

24.Novembro.2008
... : jcs
Redução das vagas nos cursos de direito. E extinção de faculdades privadas onde se vendem cursos e notas.
Simples não?

24.Novembro.2008
... : Alberto Ruço
Será possível fazer contratos, como vender uma casa, depois de uma noite de copos?

Atribuir a advogados funções até aqui exclusivas dos notários, deve, por certo, ter alguma justificação.
Dirão que o cidadão sai beneficiado, que há mais concorrência e que os preços baixarão.
Até pode ser.
Mas o problema coloca-se a longo prazo e fazendo as contas a todos os benefícios e aos previsíveis custos.

Talvez não fosse má ideia disciplinar as condições de acesso dos advogados a essas funções e até ditar alguns procedimentos necessários ao desempenho desta nova função.

É que, entre os 25 mil advogados que existem, poderá dar-se o caso de um ou outro não usar dos novos poderes como deve ser e se se cria a desconfiança, e bastarão uns poucos de casos, explorados pela comunicação social, para gerar a desconfiança, teremos graves problemas de credibilidade.

Se não se prevenirem os casos de possíveis abusos, é bem possível que dentro de meia dúzia de anos vejamos nos tribunais muitos processos de anulação de negócios por alegada inexistência, alegada simulação, alegado erro na formação da vontade, na expressão da vontade, por incapacidade acidental, impugnação pauliana e por quaisquer causas que a imaginação for capaz de produzir.

Isto porque, passará a ser possível fazer negócios a qualquer hora, em qualquer lugar, e até depois de uma noite de copos, de outras noitadas, etc..
Ou seja, aquele tempo de preparação e reflexão anteriores à ida ao notário, que poderiam servir para clarificar ideias, refrear entusiasmos, vão deixar de existir em muito casos.

Para um país de 10 milhões de habitantes que produz por ano cerca de um milhão de processos estas medidas não vão, com toda a certeza, contribuir para baixar a pendência.

24.Novembro.2008
... : Viperina
Massificação, há, sem dúvida. Mas a extinção de curso de direito das privadas ou redução de vagas, ou de dificuldade no acesso a profissões, são argumentos de quem não consegue perceber que, pelo menos na advocacia, o mercado acaba por seleccionar os melhores. Já conheci muitos colegas das melhores universidades públicas que envergonham a profissão e o contrário, também, tal como Colegas das privadas muito bons tecnicamente e o contrário. É impossível a generalização, fundamentalmente, porque existe uma única verdade, o curso de direito ensina tão só a estudar. Todo o caminho profissional é feito por cada um à medida das suas capacidades.E a primeira capacidade que é necessária possuir é a de perceber que neste mundo massificado das profissões jurídicas, a receita para se sobreviver não é a esperança de aniquilar o outro. Sobrevive-se , trabalhando, olhando mais para nós próprios por forma a apurar as nossas capacidades de servir quem a nós recorre e recorre à justiça e de quando em quando dar uma espreitadela para os outros para podermos aprender mais alguma coisa, mesmo que seja não cometer este ou aquele erro e fundamentalmente o erro de se julgar melhor que todos os outros. Quando na minha altura de estudante, na vespera de uma frequência ou de um exame, à pergunta se já estava tudo estudado, eu respondia : já sei tudo. Percebi , mais tarde, que esse era o meu primeiro estado de "burrice." Não é se não pela competência e na sua procura diária que se consegue um lugar ao sol.
24.Novembro.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
O comentário de Viperina merece a minha adesão. É lúcido e verdadeiro. A sugestão de Mário Rama da Silva também é de considerar. Manuel Sequeira acerta igualmente em cheio no problema. Eis três bons contributos à atenção de quem de direito.
25.Novembro.2008
... : offrecord
Ora aí está uma medida inteligente para para acautelar os interesses de todos os advogados, notários, engenheiros arquitectos, etc..., acabem c/ os cursos superiores pois o mercado está saturado. Por favor sejam razoáveis e tenham algum bom senso e porque não altruismo, é que eu tenho um tenho um filho c/ 2 anos e tambem gostava que ele tivesse direito a escolher o curso que quiser e não estar sujeito a interesses corporativos, que até podem ser legitimos mas devem ser razoáveis. O tempo de tirar um curso superior e ter um bom emprego no dia seguinte já acabou há alguns anos, bastantes por sinal.......
25.Novembro.2008
... : Observador Não Parcial
O seu comentário não foi nada simpático, caro jcs
25.Novembro.2008
... : Anónimo
Esse argumento da "noite de copos" é genial...
25.Novembro.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Aliás, o comentário de jcs, pode eventualmente ser passível de procedimento criminal... Se o comentador sabe de algum caso concreto que o diga. Não é sensato optar pela calúnia generalizada.
25.Novembro.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Quanto ao problema concreto decorrente do item, concordo com Anónimo: a visão de Alberto Ruço sobre o assunto é de facto genial. E recomendo-o igualmente à atenção dos governantes.
25.Novembro.2008
... : Pako
A Viperina e o offrecord têm razão, depois de muito pensar reconsiderei a minha posição! Não há que limitar vagas em Direito, há, isso sim, que aumentá-las! Aliás, proponho que cada Português que nasça tenha direito ao diploma de licenciado em direito (se o quiser) e, bem assim, a ser advogado (penso que tal proposta deve figurar na CRP como direito fundamental).
Na verdade 25000 advogados não dá pica, interessa que sejam para aí uns 700000/800000 e depois é deixar o mercado funcionar tão bem como tem funcionado. Efectivamente só temos, nos últimos tempos, que agradecer à eficiência do mercado. Por isso faço daqui um apelo a todos: VENHAM PARA DIREITO, nunca seremos demais!
25.Novembro.2008
... : Mário Rama da Silva
Normalmente estou em sintonia completa com Alberto Ruço.
Também neste caso não discordo do comentário, até porque não defendo esta "liberalização" de funções de notariado, nem sequer a privatização que já é um facto consumado e, consequentemente, irreversível.
A disciplina dos actos antes "notariais" é um requisito fundamental para a sua credibilidade mas tanto respeita à sua prática por Advogados como por Notários, Juntas de Freguesia ou funcionários dos correios.
E é isso que se não mostra assegurado como vem realçado.
A minha nota de discordância, pela primeira vez, vai para um mero detalhe: o leit-motiv do comentário. É que, com os Notários num sistema de mercado, mesmo mitigado, a noite de copos tanto pode afectar um acto praticado perante Notário como perante Advogado. Afinal, até pode ter sido o Notário ou o Advogado quem passou a noite nos copos.
25.Novembro.2008
... : Observador Não Parcial
Adoptou-se o sistema do notariado da Common Law. Esse sistema é para os Anglo-saxões e sua expressão; nós, os Latinos tínhamos o Notariado Latino. São duas realidades muito diferentes.
Quanto à consunção das funções notariais por Advogados, confesso que nunca achei próprio, pois o Advogado é, por natureza, parcial, um defensor da parte.
26.Novembro.2008
... : Viperina
Pako, respondendo-lhe, porque referiu o "meu nome" e só por isso pois o que escreveu, como já pode ver, não se traduz na minha opinião, nem tão pouco tem o valor necessário para a alterar. Devo apenas dizer, que o encerrar dos cursos de direito seria apenas negar um lugar a muitos que têm vocação e capacidades para singrar neste mundo. Porém, dá-me a entender que na sua opinião os que cá estão têm mais direito que os vindouros.Naturalmente que a experiência é um estatuto, mas não quer isso dizer que os mais velhos sejam sempre melhores profissionais em relação aos mais novos. Mais uma vez não se pode generalizar. Naturalmente que sei e foi por essa mesma a minha primeira constatação no comentário que escrevi, que existe massificação.
E quando diz que, a este proposito que nos últimos tempos temos agradecer à eficiência do mercado, garanto-lhe que agradeço, pois é minha opinião que as regras de mercado só desfavorecem quem nele não consegue singrar. Não me julgo mais do que os outros, mas com realismo vejo ou consigo ver que esse é o caminho e que se conseguir singrar através dele será com toda a certeza a melhor base para uma carreira de sucessos.
Não tenho dúvidas que essa é a forma mais árdua de vencer e como tal compreendo que só alguns possam concordar com essas mesma regras do mercado. O facilitismo é apetecível, mas extremamente egoísta no entendimento que a solução para a massificação é ?cortar as pernas? a quem como cada um de nós um dia sonhou abraçar uma profissão jurídica, seja ela qual for. Ainda gostava de saber se quem defende tal limitação aos cursos e ao acesso à profissão de advogado estaria disponível para se submeter a exames teóricos idênticos aos que são sujeitos os aspirantes a advogados. Que tal para combater a massificação o Sr. BOA implementar um caminho, agora tão em voga, como um sistema de avaliação aos que cá estão. Ui! Não quero nem pensar no que isso daria.

26.Novembro.2008
... : offrecord
Pako, gostaria imenso de conhecer a sua opinião quando anda a estudar e se por exemplo no 4º ano do curso de direito, fosse informado que devido aos interesses e receios dos ilustres advogados mais velhos ( na profissão obviamente) não poderia ser advogado. Devia tentar um call center ou vendedor de automoveis talvez, com o devido respeito para estas dignas profissões. O mercado está saturado para todos, será dificil perceber!!!!!!!!!!!!!!!!!
27.Novembro.2008
... : Pako
Viperina e offrecord, já lhes disse que têm razão, venham todos para direito (os que têm e não têm vocação) e deixem o mercado funcionar!
Nessa óptica, conforme já foi sugerido por um candidato a bastonário, metam advogados de escala nas polícias e, sugiro eu, nos hospitais, à porta dos Continentes, etc..... e depois deixem o mercado funcionar.
No fim de contas Portugal têm 10 milhões de habitantes que valem por 50 milhões de clientes.
O meu lema agora é: TODOS PARA DIREITO, NUNCA SEREMOS DEMAIS E SE FORES BOM MELHOR PARA TI, O MERCADO PROTEGER-TE-Á (ainda que não acredites no mercado).
27.Novembro.2008
... : Ricardo Vitorino
"o mercado acaba por seleccionar os melhores" - a piada do dia.
27.Novembro.2008
... : Viperina
Não? Vitorino
28.Novembro.2008
... : jcs
Caro, Hi-Hi-no-Havai, não se trata, na real acepção, de vender o curso, trata-se de facilitar, o que, para mim, é quase a mesma coisa. Vendas de cursos, não conheço. Se conhecesse dizia-o, não tenho problemas.
Não entendo porque todos se fazem de "inocentes" quando se fala nisto.
Provas de facilitismo? Tenho-as e, quem quiser, disponibilizo. Modelos de exames, mapas de exames, regimes de avaliação, etc. Bem, estão á vista de todos! Basta pesquisar nas páginas das faculdades.
Conheço uma faculdade de Direito onde se fazem exames de consulta. Leva a legislação e todos os manuais que quiser, se quiser leva a internet, apontamentos, casos já resolvidos, tudo o que lhe apetecer! Nessa mesma e acredito que noutras, os alunos são avaliados por estarem presentes nas aulas, sem nada de útil produzirem.
Vão a exame final com 14 dado por avaliação continua e podem ter 5 em exame final.
Vão a orais, não sabem dist. um DL de uma lei e passam na boa.
Isto que disse, sei-o, porque conheço pessoas, já vi exames dessas faculdades e de outras (dos mesmos professores), já conheci colegas que se mudaram para essas mesmas faculdades porque não faziam uma. claro que não faziam porque, certamente, não queriam estudar.
É notório.
Qualquer um tem média de 15 nessas mesmas faculdades, com facilidade. Sem estudar 5% do que se estuda em faculdades sérias.
Provavelmente, no "seu tempo" era coisa séria um curso de direito, agora, digo-lhe que existem faculdades de direito onde um curso de direito é BÁSICO.
Disse "vender", mas, é para ser entendido "facilitar".
Assumo que me exprimi mal também.
Cumprimentos.



28.Novembro.2008
... : jcs
Não acho justo uns "matarem-se" para terem 16´s com professores de mérito e sérios e outros terem 16´s da mesma forma que os têm na escolinha secundária.
Não acho justo os exames de certas faculdades terem questões de direito e noutras faculdades os exames sejam como o exame do código da estrada.
O Tónio não usa o elevador do condomínio e não paga!
Que acha?

Enfim . . .
Como o diz lá o Scolari, será que o burro sou eu?
28.Novembro.2008
... : jcs
Já que falei em cartas de condução, sabiam que, quando se vendem as cartas de condução, os examinandos vão na mesma a exame?
28.Novembro.2008
... : pé de vento
Caro jcs,
Isso do matarem-se para um 16 com professores de mérito deve ser recente, pois em Coimbra um 16, no meu tempo só para "mestres"....
E mesmo os raros 16, já os conheci com a nota 10 no activo....
E acredite no velho ditado, há sempre lugar para os bons, pois dos fracos não reza a historia.
29.Janeiro.2009
... : jcs
É para quem estuda bastante, acredito que seja assim em outras faculdades. Em muitas instituições, basta ir às aulas e tem a cadeira feita, sem uma linha ler.
É a vida...
Sei do que falo.
02.Fevereiro.2009
... : Dedo na ferida
Ora. também me daria jeito que houvessem menos advogados, porque teria menos concorrência. Mas limitar as vagas? teríamos que fazer em muuuuiuiiiito cursos. e há alguns bem mais saturados que direito...facilitar nas privadas?haverá casos... mas ... de algumas que eu conheço há exames orais obrigatórios para além dos escritos. onde haverá facilitismos e injustiças, por certo.....mas pelo menos não é apenas passar "copianços" de ano para ano como se fossem sebentas. de resto, essa de o público, as velhas instituições serem as melhores acho piada num aspecto: nos famosos tempos da contestação inicial às propinas ouvia dizer: esta universidade está podre, não tem condições, os grandes mestres passam cá uma vez por ano..porque não há dinheiro... se as propinas forem para melhorar...(argumento de contestação´`as propinas) mas também.. esta universidade é a melhor, tem os melhores mestres, tem séculos de existência, etc (defesa do valor do ensino naquela universidade contra as privadas). Afinal, em que ficamos?
03.Fevereiro.2009
... : Dedo na ferida
De resto, 16 e mais em direito...sem ler uma linha...?se calhar naquelas universidades em que se pode fazer um curso quase sem lá por os pés a não ser nos exames...serão as privadas?ah, engano meu..quais serão então? e assim 16 a pontapés... o senhor estará a confundir com educação de infância?!!
03.Fevereiro.2009
... : Dedo na ferida
já agora e desculpem ser chato e escrever às pingas, mas esta net...! Exames de consulta? no CEJ não fazem isso? há anos faziam... era fácil?
03.Fevereiro.2009
... : Mara
Gostava de perguntar ao Sr.JCS se tem alguma licenciatura e em caso afirmativo onde a tirou? Depreendo que para dizer o que diz com tanta raiva e convicção é porque está arrependido de ter pago para ter notas e para se licenciar, não teve boas notas pelo seu mérito mas porque as comprou.
Digo isto porque me licenciei numa universidade particular onde os professores foram os mesmas das universidades publicas e apenas paguei as propinas como quaisquer alunos do publico, fiz orais obrigatórias e discutimos questões de direito. Exerço advocacia desde 1998 e sinto que entre mim e colegas que cursaram nas universidades publicas nãi existem diferenças. Acho que como passar do tempo vai esquecer o facto de ter comprado as suas notas, relaxe ou então vá fazer um curso numa universidade publica.
04.Fevereiro.2009
... : Jager
A velha questão das privadas e das públicas. Não conheço quem tenha comprado o curso em nenhuma delas e nãoconheço quem tenha feito o curso a perguiçar. Estudei em ambas, pareceu-me muito igual. Os professores de ambas ensinam o que sabem e não o que o aluno deve aprender. Os programas são iguais bem como o corpo docente. Aliás, nos exames de acesso à ordem as universidades privadas estão muito bem colocadas em termo de aproveitamento (e ainda estou à espera do "diploma" que "paguei" na Universidade de Direito de Lisboa, vão já 4 anos). As privadas foram criadas porque o Estado demitiu-se de assegurar o ensino superior. O numerus clausus não serve para seleccionar nada, mas sim para condicionar a procura do ensino superior público.
De qualquer das formas, não acho muito aberrante os exames com consulta. Quantos advogados é que resolvem o caso "em directo" e sem consultar o material disponível? Responder de cor? Mutio perigoso em Direito. Depois dá raia, como já assisti. Da mesma maneira que o médico consulta os seus manuais sempre que considera necessário.
E sim, existem demasiados alunos de Direito, o mercado não os absorve, nem lhes reconhece qualquer mérito fora da área jurídica.
Não iria tão longe como acabar com os cursos, mas deixava de os financiar e canalizava os recursos para outros cursos com mais aproveitamento.
O que nos leva ao aberrante sistema de ensino que temos. Não sei como é agora, mas no meu tempo era exigido a putos com 16 anos que escolhessem a área do saber que queriam estudar. Eram os agrupamentos. O que obriga a, sem informação, adivinhar como estará o mercado de trabalho daí a 8 anos... bolas de cristal, talvez? É normal que se acabe por tomar escolhas de que nos vamos arrepender. Sem falar que os desgraçados que tenham o azar de fazer o liceu em escolas manhosas têm mais dificuldade em conseguir boas notas.
Quanto à desordem dos advogados, aquilo já passou a fasquia da coorporação salazarista, caindo no âmbito das guildas medievais. tanto se exige ao jovem candidato e nada aos que já estºao instalados. Um examezinho de deontologia à geração anterior iria ter resultados tristes. E as grandes barracas com advogados não são propriamente com os estagiários...
E sim, direito é um curso que não serve para nada em Portugal (e no estrangeiro também não).
05.Fevereiro.2009
... : jcs
"Em muitas instituições", disse. Falei de algumas privadas porque tenho conhecimento (do facilitismo). Em certas públicas é igual. Não tenho raiva nenhuma!!!
Só referi o facilitismo. Mais uma vez "comprar", entenda-se "facilitar"...
Há bons e maus em todo o lado, claro.
Tem razão quem referiu que em algumas instituições, tipo a FDUC, em que se pode ter aprovação às disciplinas sem por os pés na faculdade, o que é de criticar, claro.
Mas as que avaliam os alunos só por eles lá porem os pés também são de criticar.
Algumas faculdades que conheço (que não vou referir) pouco ou nada exigem aos alunos. Não podem ser todas, claro.
Claro que o curso de direito já não é o que era, mesmo em faculdades que ainda têm algum "nome".
Refiro-me a casos de manifesto facilitismo a "roçar" a compra.
Num contexto de facilistimo geral existem várias faculdades de direito assim em Portugal, a maior parte delas são privdas.
Factos.


07.Fevereiro.2009
... : jcs
Para concluir.
Uns podem ser bons e outros maus profissionais. Quer estudem aqui ou ali ou, até, no limite, não estudem. O problema não é esse. O problema é que alguns, possivelmente, não tiravam o curso.

07.Fevereiro.2009
... : pé de vento
Jager, basta pensar poque razão teve de estudar na publica e na privada...
09.Fevereiro.2009
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