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Qual separação de poderes... criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Mar-2007

Depois de Souto Moura, a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais decidiu chamar ao Parlamento o procurador João Guerra, que dirigiu a investigação do processo de pedofilia da Casa Pia, para ser ouvido, à porta fechada, no âmbito do inquérito parlamentar ao caso ‘Envelope 9'. Comissão da qual faz parte Ricardo Rodrigues, que também é membro do CSMP, órgão de gestão e disciplina dos magistrados do Ministério Público.

A decisão mereceu críticas do PSD, às quais se juntou ontem o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), que fala em violação do dever de reserva dos magistrados e risco de violação do princípio da separação de poderes.

Em comunicado, a associação sindical presidida por António Cluny lembra que o caso de pedofilia ainda está em fase de julgamento, processo este que foi dirigido por João Guerra na fase de investigação e do qual também é testemunha.

"Tal audição viola o princípio que levou à consagração legal do dever de reserva dos magistrados relativamente a processos em que intervêm e designadamente àqueles que estão pendentes, como é o caso", lê-se no comunicado.

DEPUTADO E MEMBRO DO CSMP
O sindicato não deixa também passar em claro o facto de da Comissão Parlamentar fazer parte um deputado do PS Ricardo Rodrigues, que na semana passada passou a integrar o Conselho Superior do Ministério Público (CS-MP): "Não pode deixar de se questionar, em nome da separação de poderes e da independência da Justiça, a participação na referida comissão de deputados que hoje integram também e concomitantemente o CSMP [...], que tem por função salvaguardar a autonomia da intervenção do MP perante o poder político".

CORREIO DA MANHÃ | 10.03.2007

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SINDICATO AOS TIROS DE PÓLVORA SECA
«Poucas vezes concordo com Vital Moreira, sobretudo porque nos últimos anos, em detrimento da argumentação séria, fundada em convicções ideológicas, muitas vezes deixou resvalar a sua voz para a máquina de propaganda do PS. Mas está cheio de razão na crítica que faz à posição do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público que, invocando a separação de poderes, protestou contra a chamada de um magistrado do MP para depor num inquérito parlamentar.
Mas qual separação de poderes ?
Aquele sindicado bem sabe que o MP não é um órgão de soberania e que só da separação entre estes trata a Constituição.
E sabe também que os seus agentes não gozam de qualquer prerrogativa constitucional de imunidade perante os inquéritos parlamentares.
Não fica bem a uma associação de magistrados andar a confundir as pessoas e a dar tiros de pólvora seca».
J.F.NEVES | BLOG JOEIRO | 11.03.2007

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