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Segundo João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, o problema da falta actual de 40 magistrados do Ministério Público foi criado por ter sido dada primazia a formar juízes.
Entrevista a João Palma
O PGR diz que faltam 40 procuradores na nossa justiça. 0 Sindicato
do Ministério Público diz que faltam 100 a 120. Como chegaram a esse
número?
Na conta que nós fizemos quando falámos em 120 procuradores estamos a
incluir desde logo os 60 substitutos dos procuradores da República que
são apenas licenciados em Direito e não tiveram formação adequada mas
exercem funções de procuradores. Por isso há desde logo essas vagas
para preencher.
E como foram feitas essas contas?
Através de um levantamento feito aos vários colegas espalhados pelo País.
Esta reivindicação vem no seguimento do novo mapa judiciário?
Nós já vínhamos alertando para este problema mesmo antes do mapa
judiciário. Mas agora- com as três comarcas-piloto e com as novas 36
comarcas que entrarão em vigor em 2010 - a questão torna-se mais
urgente e mais necessária.
Concorda com o PGR quando diz que a falta de magistrados vai afundar o novo mapa judiciário?
Concordo. O problema aqui foi o curso normal do CEJ ter acabado por dar
primazia a formar juízes e menos procuradores do Ministério Público. E
colmatou-se essa falha com os substitutos dos procuradores da
República. Essa foi a válvula de escape conseguida para resolver o
problema.
Um curso extraordinário poderá então resolver esta falha?
Pensamos que sim. Podemos dar o salto e recuperar. Mas consideramos que
o curso terá de ter um ano. Seis meses no CEJ e os restantes nos
tribunais. E não apenas os seis meses que o senhor PGR fala. Embora não
saiba se ele se referia apenas aos seis meses teórico-práticos.
Um curso extraordinário de apenas seis meses não trará procuradores mais mal preparados?
Um tempo reduzido de formação para procuradores não é ideal. Mas
consideramos que é urgente resolver esta situação. É mais benéfico isso
do que recorrer-se aos substitutos que, por muito boa vontade que
tenham e aplicação, são apenas licenciados em Direito.
O ministro da Justiça mostrou-se disponível para resolver a questão?
Há uma sensibilização muito grande do senhor ministro da Justiça para
resolver esta questão. Mas compete ao PGR solicitar o desbloqueamento
da questão.
Procuradores que ficaram de fora podem ser admitidos
Os tribunais estão com procuradores de Ministério Público a menos.
Este número reduzido de responsáveis pela acusação num processo foi
denunciado pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e pelo
Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).
Mas com diferentes pontos de vista. Pinto Monteiro pede ao Governo 40
novos procuradores de forma a evitar o”afundamento”do novo mapa
judiciário - e o Sindicato do Ministério Público considera que são
necessários entre 100 e 120 procuradores.
A solução? Segundo o presidente do S~ João Palma, em declarações ao DN,
a resolução do problema pode passar pela realização de um curso
extraordinário, a ser ministrado no Centro de Estudos
Judiciários-escola de juízes e magistrados do Ministério Público-com a
duração de um ano.
Nessa formação extraordinária, propõe o SMMR serão encaixados os
formandos que foram considerados “aptos” este ano pelo CEJ, mas que não
foram admitidos por falta de vagas. O curso tem um numerus clausus de
150 vagas por ano e tem a duração de três anos.
“Estamos abertos a outros critérios, mas pelo menos nós consideramos
que este pode ser um dos viáveis”, explica João Palma.”Estes candidatos
teriam entrado se houvessem mais vagas porque foram considerados
‘aptos’ mas, como havia um número limitado de vagas, não entraram”,
explica o presidente do sindicato.
Já o PGR considera que este curso extraordinário deve ser ministrado
apenas durante seis meses. Na terça-feira, Pinto Monteiro explicou que
um curso normal demora três anos, mas que não é possível estar mais
três anos com 40 lugares por preencher, porque então “vamos acabar com
a reforma” do mapa judiciário, relativa à reorganização dos tribunais.
“Com 40 magistrados a menos não há reforma que resulte. Se não há MJR
pára. Precisamos que o Ministério das Finanças dê autorização
financeira”, enfatizou Pinto Monteiro numa intervenção em que teve ao
seu lado o ministro da Justiça, Alberto Costa.
João Palma assume que o ministro da Justiça está sensibilizado para a
questão, mas terá de ser Pinto Monteiro a desbloquear a situação e
pedir formalmente esta admissão. Da parte do SMMP, João Palma já pediu
uma reunião urgente com o ministro da Justiça para abordar esta e
outras situações. Mas ainda não obteve resposta.
Também ontem o Sindicato dos Funcionários Judiciais reclamou o mesmo.
O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge,
considerou que não seria “exagerado” contratar em breve 600 ou 700
novos oficiais de justiça também sob pena de a experiência-piloto do
mapa judiciário e outros tribunais “naufragar”.
O presidente do SFJ referiu ainda que este ano “há uma corrida
excepcional às reformas por parte dos funcionários públicos, incluindo
funcionários judiciais” e que “a falha no preenchimento dos quadros
ultrapassa os 1500″.
FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA | CORREIO DA MANHÃ | 02.07.2009
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