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A nova lei orgânica da Polícia Judiciária (PJ) proposta pelo Governo, e
aprovada no Parlamento dia 20 só com os votos do PS, permite que aquela
força de segurança investigue em roda livre, sem controlo do Ministério
Público (MP), denuncia o Sindicato dos Magistrados dos Ministério
Público (SMMP).
Em parecer sobre aquele diploma, que classifica de "enigmático" e
susceptível de "governamentalização", a entidade sindical, presidida
por António Cluny, defende que a nomeação do director da PJ passe para
a tutela da Assembleia da República (AR), por maioria de 2/3. "Os
perigos de governamentalização da PJ são evidentes", afirma-se no
parecer.
A entidade sindical lamenta que o Governo, "certamente por lapso", se
tenha esquecido de lhe solicitar um parecer sobre este "enigmático"
diploma. Assim classificado porque, em seu entender, a AR "aprovou uma
lei em branco" em aspectos essenciais da organização daquela polícia,
na medida em que remete para portaria posterior a regulamentação de
elementos estruturantes. "O diploma visa a criação de três novas
unidades nacionais, mas desconhecem-se as suas competências". E "como
vai ser a sua organização interna?", questiona. O SMMP considera
"estranho" tantas regulamentações em futuras portarias governamentais.
Porém, o mais grave, na sua óptica, é o facto de a nova lei,
comparativamente à anterior, prever de uma forma muito menos
"enquadrada e disciplinada" a possibilidade de a PJ realizar acções de
prevenção - fase que antecede a investigação criminal propriamente dita.
"No passado, devido à falta de clareza nesta matéria, houve situações
em que factos que deveriam ter sido investigados no âmbito de
inquéritos foram averiguados no âmbito de expedientes avulsos, sem
controlo do MP". Agora, "o Governo, ao estabelecer na nova lei uma
norma genérica para a prevenção, só irá agudizar a situação, o que
levará a um aumento de investigações da PJ sem controlo de qualquer
autoridade judiciária".
Considerando facilitada a governamentalização da PJ, em consequência da
nova lei, o SMMP entende que deve ser alterada a forma de escolha dos
seus dirigentes. "Devido às suas competências específicas deverá
evitar-se que a escolha se apresente com carácter político partidário,
apenas com a intervenção do Governo", diz. Neste sentido, propõe que a
nomeação do director da instituição passe a ser efectuada pela AR, por
maioria de 2/3.
Para o sindicato, "deverá combater-se a ideia (que poderá existir) de
um Governo poder nomear um dirigente que vise dirigir as suas
investigações para elementos de partidos adversários, salvaguardando os
seus". Nesse sentido, tendo em conta que a PJ tem competência para
investigar a corrupção, e sabendo que nalguns casos os investigados são
titulares de cargos políticos, e atendendo ainda a que o diploma tem de
ser promulgado pelo Presidente da República, o SMMP adverte: "Será
oportuno estabelecerem-se novas regras."
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