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O procurador-geral da Repúplica poderá levar ao Tribunal Constitucional
o diploma de vínculos, carreiras e remunerações que reduz os
magistrados do Ministério Público ao estatuto de funcionários públicos.Questionado sobre esta possibilidade de vir a pedir a revisão da
constitucionalidade do diploma, o gabinete de Pinto Monteiro admitiu
que "o assunto está em estudo". E mais não disse.
"Não aceitarei ser um procurador-geral dependente do poder político."
As palavras são de Fernando Pinto Monteiro, referindo-se ao mesmo
diploma. Um aviso claro e frontal dado pelo chefe na hierarquia do
Ministério Público, há mais de um mês, de que, se nada for feito nesta
matéria, Fernando Pinto Monteiro pode vir a bater com a porta.
Ainda mais agora depois de, na semana passada, o Tribunal
Constitucional ter vetado este diploma, mas apenas na parte em que se
referia aos magistrados judiciais. E não podia ter sido de outra forma,
uma vez que apenas a inclusão dos juízes na carreira da função pública
foi questionada pelo Presidente da República para ser apreciado na sua
constitucionalidade ou inconstitucionalidade.
Desta feita, os juízes já não vão ser incluídos na função pública,
porque o Tribunal Constitucional entendeu que este facto "põe em causa
a unidade e especificidade esta- tutária dessa categoria de juízes".
Mas a fiscalização que o PGR poderá vir a pedir só pode ser de forma
sucessiva, ou seja, posterior à entrada em vigor do diploma, conforme
está previsto na Constituição da República Portuguesa. Isto porque de
forma preventiva - antes de o diploma entrar em vigor -, a fiscalização
da constitucionalidade só pode ser pedida ao Tribunal Constitucional
por Cavaco Silva, José Sócrates ou um quinto dos deputados da
Assembleia da República. Quanto à 'ausência' da apreciação do diploma
no que respeita aos magistrados do Ministério Público, Rui Moura Ramos,
presidente do Tribunal Constitucional, explicou, na altura: "O Tribunal
tem de respeitar o princípio do pedido", explicou Moura Ramos, no final
da leitura do acórdão.
"A primeira vez que li aquilo pensei que tivesse sido uma distracção do
Governo, mas agora vejo, com grande espanto, que a prazo pode pôr os
magistrados ao nível dos funcionários públicos", explicava há umas
semanas Pinto Monteiro. "E isso é o fim da independência dos tribunais,
pois os funcionários públicos dependem da tutela ministerial", comentou
Pinto Monteiro.
Contactado pelo DN, o presidente do Sindicato dos Magistrados do
Ministério Público, António Cluny, espera que "a norma caia também para
o caso dos magistrados do Ministério Público".
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.12.2007
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