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PGR diz que não é controlável por ninguém criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
25-Jun-2008

Pinto Monteiro afirmou as leis de segurança podem “delimitar a autonomia do Ministério Público”. Foi em resposta aos deputados do PS: “Este Procurador-geral da República não é controlável por ninguém”. E Pinto Monteiro ainda acrescentou: “Isso é que algumas pessoas ainda não perceberam”.


Durante duas horas, o Procurador-geral da República criticou a limitação dos poderes do Ministério Público e os poderes que o Governo se prepara para dar ao novo secretário-geral da Segurança Interna, que ficará sob a dependência do primeiro-ministro. Em cima da mesa esteve ontem a discussão da Lei de Segurança Interna (LSI), com Pinto Monteiro a criticar o facto de o PGR não ter assento permanente no movo Conselho Superior de Segurança Interna, mas poder apenas participar por convite ou por sua iniciativa. “Se este Conselho tem nas suas funções reprimir criminalidade e se essas são funções do Ministério Público, como é que o PGR não tem assento permanente”, questionou. O PS apressou-se a esclarecer “Foi para dar mais autonomia ao PGR, porque podia parecer que era coordenado pelo presidente daquele órgão e nós achamos que o PGR não deve ser coordenado por ninguém”. Pinto Monteiro agradeceu a preocupação, mas fez questão de lembrar que “não é controlável”. E acrescentou mesmo que “há algumas pessoas que ainda não perceberam isso”. Na Comissão de Assuntos Constitucionais, o PGR teceu ainda criticas não só à LSI, como à Lei da Organização da Investigação Criminal (LOIC). Pinto Monteiro acredita que estas podem “delimitar a autonomia do Ministério Público” e questiona os poderes da figura do Secretário-geral do Sistema Integrado de Segurança Interna, acusando-o de “interferir claramente na investigação criminal”, ao contrário do que tem sido garantido pelo Governo. Para Pinto Monteiro, os poderes desta figura “têm que ser alvo de controlo rigoroso e tem que haver uma delimitação, sob pena de colidirem com os do MP”. Além disso, no entender do PGR, “a LSI assenta num sistema integrado liderado por um secretário-geral, cujo conselho estratégico -foi escolhido pelo” Governo”. Mais não disse.

Pinto Monteiro dominou uma sessão em que os partidos da oposição falaram pouco e onde coube ao PS defender os projectos do Governo. Os poderes de fiscalização do Ministério Público sobre os órgãos de polícia criminal, como a PJ, a PSP e a GNR foi outro dos temas discutidos.
Pinto Monteiro acredita que a revisão da LOIC “é a oportunidade de ouro” para se resolver o problema da falta de competência do MP nesta matéria, depois do ex-ministro da justiça, António Costa, a ter retirado aos procuradores, em 2000. O PS já tinha afirmado que pretendia devolver ao MP o poder para fiscalizar os órgãos de política criminal, adiantando em Abril que pensava fazê-lo na revisão do Estatuto do Ministério Público. Ontem, o deputado socialista Ricardo Rodrigues considerou “pertinente” a sugestão do PGR de definir este poder do MP já na LOIC, “uma vez que o estatuto do MP não está para o curto-prazo”. Um anúncio corroborado por todas as bancadas e saudado pelo Procurador.

PS questiona validade do parecer de Pinto Monteiro
Depois de ouvir as críticas de Pinto Monteiro aos diplomas aprovados pelo Governo, o PS pediu a palavra na Comissão de Assuntos Constitucionais para questionar a validade do parecer dado pelo PGR àquela comissão. Segundo o deputado Ricardo Rodrigues, Pinto Monteiro teria sido chamado na qualidade de presidente do Conselho Superior do Ministério Público, mas uma vez que não chegou a ouvir este órgão sobre as leis em discussão - como o próprio PGR admitiu no início da audição - então teria que ser equacionada a validade do parecer dado. Pinto Monteiro não gostou da crítica e acusou o PS de “declarações gravemente inexactas” e meias verdades”, explicando que tem poderes para falar em nome do CSMP.

Segurança
No artigo 16°, da Lei de Segurança Interna, o PGR considera que, em matéria de segredo de justiça, só o Ministério Público deve intervir.
O artigo 23°, sobre a Unidade de Coordenação anti-terrorismo, também é alvo de critica com Pinto Monteiro a apontar um vazio legal, na formação, funcionamento e fiscalização do órgão.
Quanto à recolha de provas, prevista no artigo 32°, o PGR considera que as provas que abrangem apreensões e buscas devem ser previamente validada pelo Ministério Público.

Investigação
Na Lei de Organização e Investigação Criminal, Pinto Monteiro levanta dúvidas no artigo 5°, sobre a competência reservada em matéria de investigação criminal. Pinto Monteiro não concorda com o facto de a lei vedar ao Ministério Público, no artigo 11°, o acesso aos dados contidos no Sistema Integrado de Informação Criminal. Sobre a coordenação entre os órgãos de Polícia Criminal e o Secretário-Geral de Segurança Interna prevista no artigo 15°, o PGR diz que a competência do MP está prejudicada.

Conselho do PS “tem pendor governamental”
PGR crítica Conselho de Prevenção da Corrupção do PS. “Espero que daqui a uns tempos não me chamem para acabar com este Conselho”, diz Pinto Monteiro.
Fernando Pinto Monteiro alertou ontem para o “pendor governamental” do Conselho de Prevenção para a Corrupção (CPC), proposto pelo PS há duas semanas. Argumento rejeitado, de seguida, pelo presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, que vai presidir ao novo órgão. A propósito da equipa que constituirá o CPC, o PGR recordou a antiga Alta Autoridade contra a Corrupção: “Se bem se lembram não tinha nenhum membro nomeado pelo Governo. Na altura tive que trabalhar a extinção desse órgão, espero que daqui a uns tempos não me chamem para acabar com este”. Da equipa que será presidida pelo número um do Tribunal de Contas, fazem também parte o director-geral da mesma entidade, os inpectores-gerais das Finanças, das Obras Públicas e da Administração Local, entre outros. Os cinco cargos referidos são escolha directa dos governos. Ainda assim, ontem a seguir ao audição de Pinto Monteiro, Oliveira Martins assegurou que o “CPC tem garantias de independência do Governo”.
As críticas do PGR dirigiram-se também à “duplicação de funções com o Ministério Público” deste Conselho. Nomeadamente, na recolha e tratamento de informações na detecção de corrupção, que consta no projecto socialista aprovado na semana passada. Pinto Monteiro sugere antes que se use as especificidades técnicas dos membros com assento no CPC para “obter informação sobre o enriquecimento ilícito ou injustificado”, ajudando o Ministério Público nas investigações. O deputado do PS, Ricardo Rodrigues, contra-argumentou que a “prevenção está a montante da investigação, o que não é da competência deste Conselho”. As críticas do Procurador mantiveram-se cerradas no ponto do diploma que define a suspensão da actividade do CPC quando se inicia um procedimento de inquérito criminal ou disciplinar por corrupção. A propósito, o PGR lembra “que antes do inquérito há acções de prevenção criminal por parte da PJ e do MP”. E ainda nessa fase, qualquer “actividade deste Conselho pode colocar em risco essas acções. Sejam escutas, acções encobertas ou outras”, sustentou.

Lisboa aprova comissão de combate à corrupção
A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou ontem por unanimidade a criação de uma comissão de boas práticas, uma das “medidas correctivas” aprovadas na sequência da sindicância ao Urbanismo, explicou à Lusa o presidente da comissão de Urbanismo na AML. A comissão terá “por missão desenvolver estudos e elaborar projectos, visando a segurança nas decisões, celeridade nos processos, diminuição da burocracia, combate à corrupção”, disse Vítor Gonçalves. Será composta por três pessoas designadas pela AML (por dois terços) e terá um mandato de quatro anos, “não coincidente com o mandato dos órgãos autárquicos, para garantir independência”, remata o presidente.

PÚBLICO | 26.06.2008

Comentarios (11)add
... : Hi-Hi-no-Havai
Bravo, Pinto Monteiro! A magistratura judicial que ponha os olhos nestas corajosas declarações e que faça (diga) o mesmo.
25.Junho.2008
... : Pedro Galvão
Senhores

Par quê criar mais um organismo com características de órgão de policial criminal??! Apenas vejo uma intenção, omissa, que é a de controlar o Ministério Público...meus senhores, poderemos estar perante o princípio da Fractura da Coesão Nacional... smilies/cool.gif
25.Junho.2008
... : Tito
Confesso que nunca entendi muito bem a confusão que sistematicamente se faz entre segurança interna e investigação criminal.
O MP dirige a investigação criminal, mas não é comandante das polícias nem faz parte do executivo.
Ora, tudo o que se está a passar mais não é do que a consequência de duas situações:
Primeira, existe uma disputa de poder entre o MP de um lado e as polícias e governo, do outro, cada qual clamando que determinada matéria é da sua competência.
Segunda, existe uma má delimitação de fronteiras entre a segurança interna e a investigação criminal, o que pelos vistos dá muito jeito a quem quer mais poderes.

Ora, como era previsível, o actual poder político não resolve estes problemas.
25.Junho.2008
... : Viriato Silva
O MºPº precisa de um exemplo de coragem vindo de um juiz?
25.Junho.2008
... : Português e Portuense
A nossa sorte é que também o Presidente Cavaco Silva não se deixará ir na conversa do governo e vai vetar os diplomas.
25.Junho.2008
... : pli
O PGR é nomeado pelo poder político.
O PGR depende do PR e do PM!
O resto é conversa fiada!
25.Junho.2008
... : Gajo atento a mandar "bitaites"
Depois de um início de mandato em que não me cativou muito e em que até fiquei com a sensação de que iria ser um aliado do Governo, este PGR começou a subir na minha consideração e ultimamente acho que era difícil alguém fazer melhor.

Se continuar assim, tem todo o meu apoio!

Só lamento é que o nosso povo seja maioritariamente pouco instruído e / ou pouco interessado e não leia estes artigos e não consiga por isso concluir o que o PS tem andado a fazer e a tentar fazer (felizmente a lei da PJ, por exemplo, não passou no TC...) na área da Justiça, assim como, entre outras coisas, lamento que o Senhor Ricardo Rodrigues seja deputado e membro do Conselho Superior do Ministério Público.

Por mim, não seria uma coisa nem outra e gostava muito de saber quem foi que se lembrou dele para estar presente nas reuniões daquele Conselho.
26.Junho.2008
... : BOA
Eu bem disse que metê-los em saletas e pavilhões era uma solução adequada:
"Juízes agredidos no tribunal
Leitura de sentença no Tribunal de Santa Maria da Feira terminou com agressões a magistrados, escreve o Correio da Manhã (CM), esta quinta-feira. 18 arguidos foram condenados a penas entre nove e dois anos e meio por tráfico de droga.

Segundo a notícia do CM, o juiz presidente, António Coelho, foi atingido com um pontapé e uma outra magistrada ficou com cortes na cara e numa perna.

O tribunal foi encerrado devido ao perigo de derrocada e a sessão estava a decorrer no salão dos bombeiros da Feira. Os arguidos não tinham qualquer barreira a separá-los dos magistrados e estavam a poucos centrímetros da assistência.

Escreve o CM que, logo após ter sido encerrada a audiência, os arguidos saltaram das cadeiras em direcção aos juízes, seguidos pelos familiares. Os elementos da PSP e da GNR no local tentaram pôr cobro à agressão e levaram os magistrados para fora da sala."
http://diario.iol.pt/sociedade/
tribunal-agressao-juizes-sentenca-santa-maria-da-feira-magistrados/966236-4071.html

26.Junho.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Pli, ao dizer que "o resto é conversa fiada", e que "o PGR depende do PR e do MJ", não sabe o que diz e desconhece as lições da história. Viriato Silva resolveu inverter o meu comentário encorajador em relação aos juízes. Tito parece desconhecer o importante. Com estes comentadores é difícil realmente sairmos da cepa torta.
26.Junho.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
O meu comentário supra, na parte final - "com estes comentadores não saímos da cape torta" - não abrange a pergunta (nada inocente) feita por Viriato Silva. Que fique claro.
26.Junho.2008
... : Pedro Galvão
Senhores

O Ministério Público deveria de controlar, não todas as Polícias, uma Polícia só devidamente estruturada e especializada onde os magistrados do Ministério Público teria a incumbência de assumir os "postos" de chefia dessa mesma Polícia (Utópica dado vivermos num país de quintais e feudos mentais).
Dessa forma acabar-se-ia com os atropelos diários na área da investigação criminal e da segurança interna...

Senhor Tito

A segurança interna passa por uma eficaz investigação criminal a não ser que o senhor se refira a informações (SIS/SIED) em que investigação criminal nada tem que ver com informações...
26.Junho.2008
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