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MP será mais especializado criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
16-Jul-2007

Seguindo o exemplo do Mapa Judiciário, Pinto Monteiro quer criar departamentos descentralizados.A solução deverá ser a canalização dos processos mais complexos para as equipas especializadas que deverão ser criadas.

O Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, está a estudar uma revisão da estrutura do Ministério Público (MP), no mesmo sentido da reforma do mapa judiciário e da nova lei orgânica da Polícia Judiciária. O que, na prática, pode significar a criação de departamentos mais descentralizados e procuradores mais especializados, segundo apurou o Diário Económico. Desta feita, a par com a reforma do mapa judiciário, que definirá a nova geografia dos tribunais a partir de 2008, a reforma do Ministério Público poderá passar por canalizar os processos menos complexos para os vários procuradores espalhados pelo país. Já no que respeita à investigação dos processos mais complexos, à semelhança do que aconteceu com o "Apito Dourado" ou a "Operação Furacão", a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, os responsáveis poderão passar a ser delegações do Ministério Público mais especializadas com a configuração dos actuais Departamentos de Investigação e Acção Penal (DIAP) e que actualmente só existem em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Na prática implica que o futuro Ministério Público poderá ter mais DIAP's espalhados pelo país. Ao Diário Económico, fonte do gabinete de Pinto Monteiro confirmou que "após as férias está prevista uma análise dos diplomas que regulam o Ministério Público, por forma a que se proceda a uma reorganização da sua estrutura" e que essas modificações serão "oportunamente discutidas".

Pinto Monteiro em sintonia com Governo
Já no discurso de tomada de posse dos mais recentes Procuradores-adjuntos, no início deste mês, Pinto Monteiro assumia a necessidade de revisão do Estatuto do Ministério Público e da sua lei orgânica adaptando "essas exigências aos tempos que correm". Um Ministério Público mais "ágil, mais dinâmico e mais actual" são os objectivos do Procurador-geral da República. "Impõem-se novas metas e a concretização de resultados", concluía Pinto Monteiro. Na mesma cerimónia, que decorreu na própria Procuradoria-geral da República, Alberto Costa, ministro da justiça, assegurava que "nos próximos anos o Ministério Público ia sofrer mudanças no âmbito de novas competências e aquisições que apontam para o caminho da especialização".

Justiça com nova orgânica

1 - Mapa Judiciário para 2008
Ao contrário do que no início se previa, o Governo não vai proceder ao encerramento de tribunais. Para 2008, e depois de ouvido todo o sector, Alberto Costa vai propor ao Parlamento uma maior especialização da organização judiciária, o que na prática vai implicar a criação de mais tribunais de áreas de família, trabalho e comercial. Acabar com os tribunais e criar os chamados juízos de proximidade são outras das metas do Governo. Vai ainda passar a existir a figura do gestor do tribunal.

2 - Orgânica da PJ ainda em 2007
A nova lei orgânica da PJ, que deverá ser aprovada esta quarta-feira, substitui as actuais oito direcções nacionais por três unidades nacionais de combate à corrupção, ao terrorismo e ao tráfico de droga. A PJ vai também reduzir o número de cargos dirigentes. Um director nacional, quatro directores nacionais adjuntos, três directores das unidades nacionais, quatro das territoriais e mais 10 nas restantes estruturas. Um total de 22 cargos dirigentes, menos cerca de 25% face à actual configuração.

Apito Dourado é um dos exemplos

O "Apito Dourado" é a prova viva que a distribuição de processos pelo critério de competência territorial pode revelar-se insuficiente. Este dossier mediático, de alegados casos de corrupção no futebol e onde foi deduzida acusação a 29 arguidos esteve a cargo, numa primeira fase (de Dezembro de 2004 até Dezembro de 2006) de Carlos Teixeira, procurador de Gondomar. Este magistrado acabou por extrair certidões de forma a criar processos autónomos e que enviou para comarcas distintas devido ao volume processual significativo que tinha a seu cargo. Num processo em que estão envolvidos dirigentes do futebol, como Pinto da Costa e Valentim Loureiro, o Procurador -geral da República acabou por destacar uma equipa especial coordenada por Maria José Morgado para a investigação de todos os inquéritos relacionados com o processo, devido à complexidade e especialidade processual em causa.

Hierarquia remonta a 1832

A estrutura hierarquizada do Ministério Público centrada no Procurador-geral da República remonta ao ano de 1832, em plena época liberal.
Mas foi com a Constituição de 1976 e as suas posteriores revisões que o MP se consolidou como uma magistratura com autonomia e independência face ao poder político. Na actual estrutura, os processos em investigação são distribuídos por critérios de competência territorial. Um critério objectivo mas que, - em pleno século XXI, é posto  em causa porque ao lado da evolução da vida económica e empresarial, derrube de fronteiras físicas, livre trânsito de pessoas e capitais, surgiram novas formas de criminalidade organizada, como o branqueamento de capitais e o tráfico de influências. Actualmente, como está de sentado o MP, apenas o Departamento Central de Investigação e Acção Penal está legalmente destacado para os processos e práticas criminosas de maior complexidade. "Sem esquecer a independência e a autonomia do MP", nas palavras do próprio Procurador-geral da República, "são necessários resultados". Tentar equilibrar o número de processos distribuídos com a oferta judicial nas diversas comarcas é o objectivo que o Governo pretende alcançar com a reorganização dos tribunais que será aplicada já em 2008. Nesse sentido a PJ, com a nova lei orgânica, passa a contar com três Unidades Nacionais (de combate ao terrorismo, corrupção e tráfico de droga). Falta, agora, o mesmo caminho ser seguido pelo MP.

Diário Económico | 16.07.2007

Comentarios (3)add
... : Alberto Ruço
Só podemos ter uma boa justiça criminal, no final de um inquérito ou de uma audiência de julgamento, se actuarmos bem desde o início.
Sem boa investigaçao, boa recolha de provas e acusação a condizer, ou arquivamento, nada feito.
Mas para investigar bem, recolher provas e colocar os factos adequados na acusação é necessário saber o que vem escrito nos livros e muita experiência.
Seria esclarecedor verificar quem são os magistrados do Ministério Público mais capazes em termos de investigação, recolha de provas e de acusação e depois verificar quem na prática desfolha os inquéritos, dirige a investigação e deduz a acusação.
Admito poder estar enganado, mas parece-me que quando o magistrado está mais preparado para desempenhar estas tarefas é quando deixam de as executar.
17.Julho.2007
... : Armando
Plenamente de acordo e o meu aplauso, para a ideia, no entanto é necessa´rio acautelar a independêncoa do MP, pois quem controlará estes.
17.Julho.2007
... : guernica
Acho que o Ministério Público já é suficientemente agil, dinâmico e actual, aquilo que me parece é que existem muitos obstáculos processuais à investigação eficaz e falta de preparação a jusante, ou seja ao nível dos OPC, mas parece que se teima em carregar os ombros do MP. Enfim que dizer ou pensar, assim é dificil !
21.Julho.2007
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