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Os DEPUTADOS da Comissão de Assuntos Constitucionais aprovaram na
passada quarta-feira a proposta do PCP que obriga o Ministério Público
a analisar as declarações de património e rendimentos após o termo de
mandatos em cargos públicos. Esta fiscalização a ser realizada
anualmente foi aprovada por unanimidade no final das votações dos
diplomas para o combate à corrupção, tratando-se de um aditamento à lei
4/83, sobre o controle público da riqueza dos titulares de cargos
políticos, uma proposta que surgiu na sequência das propostas do
ex-deputado João Cravinho que propunha a fiscalização aleatória de 5%
das declarações que fossem chumbadas.
O novo regime atribui ao ministério Público, junto do Tribunal
Constitucional a competência de proceder anualmente "à análise das
declarações apresentadas após o termo dos mandatos ou de cessação de
funções dos respectivos titulares". Esta norma visa principalmente
assegurar que há uma comparação entre os rendimentos declarados no
início dos mandatos e a declarada no final dos mandatos de forma a
serem verificados quaisquer enriquecimentos indevidos durante o
exercício desses cargos ou funções.
De acordo com o deputado do PCP,
António Filipe, com esta lei, "há mais garantias do controle da riqueza
dos titulares de cargos públicos e políticos", assim como, "passa a
existir alguém que tem a incumbência de ver se houve algo de anormal
que mereça ser investigada", considerando que a lei anterior no que
respeitava à fiscalização "não era clara". Da parte do CDS, o deputado
Nuno Melo, defendeu que "se o ministério público fosse competente, esta
lei não seria necessária", pelo que esta proposta "contribui para um
clima de suspeição sobre os políticos". A deputada do PS, Helena Terra,
também desvalorizou esta iniciativa do PCP, pelo motivo de que o
ministério Público "Já podia fazer esta fiscalização", mas que esta
medida em "nada atrapalha" as suas competências.
A entidade
independente para prevenir a corrupção proposta por João cravinho, para
a criação do crime de enriquecimento ilícito do PSD, e enriquecimento
injustificado do PCP, foram chumbados, tendo sido aprovado no entanto,
o aumento das garantias dos funcionários públicos que denunciem actos
de corrupção.
SEMANÁRIO | 22.02.2008
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