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O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) critica, em
moção a discutir sábado, as anunciadas reformas da Justiça por "não
responderem às necessidades de modernização e eficácia" e condena a
"degradação" do seu estatuto sócio-profissional. Na véspera da realização da Assembleia-Geral, em Lisboa, e da
apresentação de uma moção que prevê a marcação (possivelmente para
Abril) de um Fórum do Ministério Público (MP) para discutir esta e
outras questões, o presidente do SMMP, António Cluny, referiu à Lusa
que "os magistrados têm sido tratados com grande desrespeito pelo
Governo" por causa do estatuto sócio-profissional da classe.
Num documento que apela à "unidade do Ministério Público contra a
desestabilização e degradação do sistema de Justiça", alerta-se para a
"continuada deterioração da eficiência e produtividade do sistema de
Justiça provocada pelas mais improváveis reformas" e para "os mais
recentes ataques directos ao estatuto sócio-profissional da classe".
Nesta última matéria, António Cluny entende que se verificou o
"esbulho de dois anos de antiguidade nas carreiras dos magistrados" e o
incumprimento de um protocolo assinado pelo SMMP e o Governo (quando
Celeste Cardona era ministra da Justiça) relativo ao chamado subsídio
de compensação/casas de função.
A Direcção do SMMP propõe agora aos magistrados do MP a
"possibilidade de uma demonstração pública e maçiça do seu
descontentamento" face à "má-fé negocial do Governo".
O documento introdutório à moção traça um retrato inquietante da
vida judiciária, dizendo que a nível político persistem "as más leis,
piores e comprovadamente inconsequentes reformas legislativas,
crescentes dificuldades e obstáculos no acesso dos cidadãos à Justiça,
degradação do modelo da formação inicial e quase ausência de uma
verdadeira formação permanente dos magistrados, poucos meios técnicos
(...) e guerrilha mediática e fomento consciente e sistemático do
desprestígio da Justiça e do Estado de Direito".
"A nível interno, como sua consequência necessária ou provocada,
constatam-se: fracturas antes inimagináveis nos corpos judiciais e do
MP, o surgimento ou a evidência pública de ambições pessoais e
protagonismos agressivos, a exibição de rupturas de cordialidade e
compostura no relacionamento entre magistrados e entre elementos dos
órgãos de polícia criminal (OPC) e as magistraturas, sucessivas e
inadvertidas intervenções públicas cujo menor efeito é o de denegrir e
menorizar a imagem dos magistrados e da própria instituição", lê-se no
texto.
Para o SMMP, muitos dos objectivos dos "que vêm pugnando pelo
desprestígio dos tribunais e pela quebra da espinha das magistraturas
e, em concreto, da do MP, podem ser alcançados se não se tomar
consciência da gravidade da situação e se nada for feito para a isso
obstar".
"Impedi-lo está, ainda assim, única e exclusivamente, nas nossas
mãos", realça o documento, acrescentando que o caminho passa pelo
"retorno e reforço da unidade do MP" e dos magistrados na "prossecução
colectiva das suas funções constitucionais".
Quanto às anunciadas reformas na Justiça, o documento alerta que, se
a nível interno, "a situação é já perigosa, ela se revela ainda
politicamente mais grave quando se assiste, em simultâneo, a uma
desesperada tentativa de policializar e criminalizar os próprios
conflitos sociais, instrumentalizando-se, para esse efeito, os próprios
Tribunais e responsabilizando-se depois as magistraturas".
A este propósito, o SMMP salienta que - depois dos cidadãos - são
"os magistrados, funcionários, advogados e outros colaboradores da
justiça aqueles que mais sofrem profissionalmente com essas medidas e
que mais têm de suportar, perante a opinião pública, o resultado do
insucesso, inépcia e desnorte de tais projectos".
Assim, a moção posta à discussão pretende "manifestar o seu repúdio
por todas as soluções legislativas que, em nome de uma falsa
modernidade e eficácia, visem afastar os cidadãos da Justiça e dos
tribunais".
Pretende também manifestar o empenhamento dos magistrados e divulgar
os seus "estudos e contributos desinteressados para encontrar soluções
democráticas que permitam uma maior eficácia da Justiça sem quebra de
efectividade constitucional".
Por último, a moção visa igualmente "defender a independência do poder judicial e a autonomia interna e externa do MP".
LUSA | 07.03.2008
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