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Mapa Judiciário: Posição do SMMP criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
16-Fev-2008

ImageUm parecer do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) entregue ao ministro da Justiça sobre o mapa judiciário considera que há aspectos do projecto que demonstram "uma falta de visão estratégica do sistema e do seu funcionamento articulado".
Transferência do texto do parecer do SMMP (PDF - site do SMMP).


No final da reunião de mais de duas horas com o ministro Alberto Costa, o presidente do SMMP, António Cluny, disse à Agência Lusa tratar-se de um "parecer crítico, mas construtivo", notando que embora o projecto tenha "certos aspectos muito preocupantes", outros pontos da proposta podem evidenciar potencialidades se forem devidamente exploradas e preenchidas.

No parecer do SMMP, a que a Lusa teve acesso, lembra-se que o novo paradigma para a organização judiciária dos tribunais apresentado pelo Governo "mais não é do que orgânica administrativa estruturada em torno das NUT II e NUT III, e que, agora, serve para sustentar as unidades geográfico-judiciárias".

"O que tal paradigma representa é pouco mais do que um 'alargamento' da base territorial em que assentavam os 'círculos judiciais', que englobavam um conjunto variável de comarcas. A (nova) comarca é, assim, um 'círculo judicial' mais vasto. Passámos de cerca de 50 círculos para 35 circunscrições", constata o parecer.

Relativamente aos distritos judiciais, o SMMP considera que o projecto do Governo optou "por sobrecarregar excessivamente o Distrito Judicial de Lisboa, incluindo nele toda a península de Setúbal", e "esvazia o Distrito Judicial de Évora dos actuais Círculos Judiciais de Setúbal, sendo que o do Algarve passa a constituir um novo Distrito Judicial".

"Como se vai gerir o monstro 'alfacinha', com elevados níveis de concentração populacional e funcional?", questiona o SMMP.

Para o SMMP, existe "a necessidade de pensar e organizar as grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto em moldes diferentes, em função das suas específicas realidades sociológicas".

"O projecto denota, por outro lado, uma evidente omissão quanto a uma ponderada reflexão sobre a conexa organização judiciária, demonstrando uma falta de visão estratégica do sistema e do seu funcionamento articulado", refere o texto do SMMP.

O parecer critica, também, "a indefinição quanto ao verdadeiro e concreto mapa judiciário, designadamente quanto ao número e tipo juízos que vão 'preencher' cada uma das novas comarcas".

O SMMP alerta, igualmente, para a "omissão relevante da previsão, no projecto, da referência ao conjunto de instrumentos e equipamentos necessários ao apoio a cada uma das novas circunscrições".

"No fundo, pedem-nos um parecer sob um 'projecto em branco'", diz o documento, sublinhando que "uma reforma moderna (...) não pode ter como horizonte uma meia dúzia de anos".

Na perspectiva do SMMP, o projecto "não só não incorpora uma visão integrada das várias espécies de Justiça clássica, como deixa de fora as contemporâneas modalidades da Justiça dita retributiva ou de proximidade (Julgados de Paz) que o Governo tanto tem propagandeado".

"O projecto não toma em consideração os Julgados de Paz nem a sua necessária articulação com o sistema de Justiça Clássico. Temos assim vários sistemas, singularmente a remar em direcções diversas, desperdiçando sinergias", menciona.

Acresce - adianta o parecer do SMMP - que o novo mapa dos tribunais "não revela qualquer conexão coerente e harmoniosa com o mapa relativo à Justiça Administrativa".

O SMMP quer ainda reflectir sobre o tipo de estrutura e organização de serviços do Ministério Público para as comarcas e qual o modo como interagem com os serviços judiciais, designadamente, em cada um dos juízos.

Durante a reunião com o ministro Alberto Costa e com o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Conde Rodrigues, o SMMP analisou ainda outros temas, designadamente a questão do congelamento das carreiras profissionais.

O apetrechamento dos serviços do Ministério Público de meios informáticos foi outros dos assuntos abordados, tendo sido assegurado pelo Ministério da Justiça a entrega, em breve, de cerca de 600 computadores a magistrados.

A reunião serviu ainda - segundo António Cluny - para manifestar a preocupação com uma "certa degradação da imagem da Justiça" e da necessidade de "em conjunto com o poder político se encontrar soluções" para esse problema.

Segundo Cluny, "há uma imagem muito negativa do sistema judiciário, que é feita com base nas pequenas anedotas quotodianas e não no normal funcionamento do sistema", sendo preciso reflectir sobre a questão da degradação da imagem da Justiça.

LUSA/SAPO | 15.02.2008 

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