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As magistradas do Ministério Público são pressionadas pelos superiores
hierárquicos para não gozarem a totalidade da licença de maternidade. A
denúncia foi feita por Paulo Gonçalves, vogal do Conselho Superior do
Ministério Público, num debate sobre as “Mulheres na Justiça”,
organizado em Queluz, pela Associação Sindical dos Juízes
Portugueses (ASJP).
As afirmações de Paulo Gonçalves foram subscritas
pela procuradora Aurora Rodrigues, do Departamento de Investigação e
Acção Penal (DIAP) de Évora, que, no mesmo sentido, ironizou que “as
mulheres que entram para a magistratura não entram para nenhum
convento”.
Esta questão, segundo o procurador do Ministério Público, já está,
inclusive, a ser discutida pelo Conselho Superior do Ministério
Público. Fonte deste órgão admitiu ao DN que a questão foi, de facto,
discutida no Conselho Superior.
Também na formação as mulheres acabam por ser prejudicadas, já que se
tiverem filhos durante o curso apenas poderão faltar uma semana, como
está regulamentado, tendo que voltar a frequentar as aulas após aquele
curto período, “se conseguirem arranjar quem lhes fique com os filhos”,
apontou o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses,
António Martins.
Contactado pelo DN, o presidente da Associação Sindical assume que “o mesmo não acontece na magistratura judicial”.
Mas o magistrado avança que o que pode ocorrer é uma realidade
diferente e ” à qual se tem de encontrar mecanismos de resposta”.
António Francisco referia-se ao regresso ao trabalho depois de uma
licença de maternidade e o facto de uma juíza “ver o seu gabinete
afundado em processos porque ninguém substituiu a magistrada durante a
sua licença”.
Um dos temas propostos para o debate foi a crescente predominância das
mulheres nas magistraturas judiciais e do MP, realidade confirmada
pelos diversos intervenientes, para quem a maioria feminina não se
reflecte na hierarquia e vai diminuindo em direcção ao topo da carreira.
Dados apresentados por Aurora Rodrigues indicam que a base da pirâmide
do Ministério Público, dos procuradores adjuntos, é ocupada por quase
dois terços de mulheres (63%), mas inverte-se no lugar seguinte -
procurador da República - onde passam a ser só 33%, de acordo com dados
relativos a 2007.
Procuradoras queixaram-se em 2005 de discriminação na licença de maternidade
Esta não é a primeira vez que a licença de maternidade abre polémica
entre magistradas. Já em Junho de 2005, um grupo de procuradoras do
Ministério Público tinha enviado uma carta ao Sindicato dos Magistrados
do Ministério Público, onde afirmaram que, ao analisar a legislação em
vigor, “há um tratamento desigual das mulheres trabalhadoras afectas ao
sistema da Administração Pública face ao das mulheres trabalhadoras da
Segurança Social. As magistradas reclamavam que as funcionárias
públicas que optem por uma licença de maternidade de cinco meses percam
um mês de vencimento enquanto que as trabalhadoras do sector privado
mantenham o rendimento.
SÁBADO | 21.06.2008
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