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Informática do DIAP é artesanal criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
06-Mar-2008
A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado considerou hoje o sistema informático dos vários DIAP como uma das causas de atrasos nos processos, descrevendo-o como "do mais artesanal que há", "isolado" e "criado nas costas" dos sistemas informáticos das polícias.


"Estamos a falar de um sistema que funciona isoladamente, criado nas costas dos sistemas informáticos das polícias, todas elas, dos sistemas informáticos do Habilus, que é um sistema informático que existe nos tribunais e em alguns serviços do Ministério Público, mas que não existe nos departamentos de investigação e acção penal [DIAP]", disse Maria José Morgado, referindo-se ao sistema de "intranet" existente nos Departamentos de Investigação e Acção Penal (DIAP).

De acordo com Maria José Morgado, a "intranet" do DIAP também "não tem ligação com os sistemas dos tribunais de recurso, tribunais da relação e não tem diálogo com a hierarquia".

A procuradora-geral adjunta falava na abertura da conferência Banking Technology World 2008, que decorre durante o dia de hoje em Lisboa, e onde foi convidada para abordar o tema "Inovação Tecnológica e as funções do Ministério Público".

Perante uma plateia de várias dezenas de gestores e executivos, Maria José Morgado enumerou os defeitos de um sistema informático que, na opinião da procuradora-geral adjunta, não satisfaz as necessidades de trabalho do Ministério Público (MP) e obriga que os DIAP regionais funcionem isoladamente, já que o sistema de gestão funciona internamente e não prevê a interligação entre os vários DIAP do país.

"Temos um sistema informático que não nos serve e estamos numa situação de impasse porque ainda não foram tomadas medidas de fundo para todas estas infra-estruturas e não temos a gestão processual dos conteúdos das comunicações de subordinação hierárquica entre DIAP, procurador distrital e DIAP, Procuradoria-geral", criticou.

A procuradora adiantou que estas comunicações são feitas por correio electrónico, telefone ou papel e deu o exemplo de um relatório anual da Procuradoria que é publicado em papel.

Como este é produzido através de relatórios enviados em papel pelos diversos serviços do MP, exemplificou, demora cerca de nove meses a fazer quando poderia demorar dias.

"Há a crise da Justiça, é evidente que todos temos as nossas culpas do lado da Justiça, mas a situação tecnológica da Justiça ou é resolvida e damos um passo em frente no domínio dessa crise ou não é resolvida e vamos continuar a ter uma crise séria porque a explosão de certo tipo de criminalidade, as exigências e prioridades da investigação criminal, as exigências de modernização e o tratamento das matérias exigem um suporte tecnológico que nós não temos", sublinhou.

Maria José Morgado salientou ainda que não há transferência automática de dados com a Polícia Judiciária e revelou que cada tribunal tem a sua própria base de dados.

Assim, explicou, há tantas bases de dados quantos tribunais porque não há uma base de dados comum para fazer a gestão de toda essa informação.

"O suporte tecnológico que nós temos é do mais artesanal que há, basta dizer que é um suporte tecnológico isolado, trata os dados do DIAP em quantidade, nem sequer é em qualidade. Eu posso saber quantas acusações deu cada magistrado, quantos processos é que arquivou cada magistrado, mas se quiser fazer um levantamento sobre fenómenos criminais aí já tenho mais dificuldades", relatou.

"Se quiser estabelecer relações a nível nacional não o posso fazer em termos informáticos porque não tenho essa ferramenta e não tenho ferramenta de diálogo informático quer com os órgãos de policia criminal - que são, em 70 por cento dos casos, quem executa materialmente a investigação - e não tenho diálogo informático com a PGR [Procuradoria-geral da República]", explicou ainda.

Maria José Morgado garantiu também que não existem bases de dados nacionais pelo que não existem dados sobre prisões preventivas ou sobre o tempo de prisão preventiva com, por exemplo, a gestão de alerta de prazos.

"É neste quadro que o Ministério Público e as polícias trabalham e não conseguimos ultrapassar essas dificuldades por nós próprios, na medida em que isto depende de investimentos. É preciso investimento ao nível da Justiça porque a falta de meios depois traduz-se em desperdício gigantesco", concluiu Maria José Morgado.

LUSA | 05.02.2008 

Comentarios (4)add
... : BD
É de propósito, cara Dr.ª Maria José Morgado, é de propósito. A intenção é mesmo essa. Um dia, quando o MP for mais submisso e ordeiro em relação ao Poder político do que actualmente é, verá como fica tudo devidamente ligado num ápice. É um problema tão fácil de resolver! Não há é interesse nisso. Há uns meses até esteve cá em Lisboa o Bill Gates...
06.Março.2008
... : pro bono

... Já agora, talvez fosse de perguntar por que razão os DIAPs. não dispõem da aplicação 'Habilus', que, segundo consta, vai resolvendo alguns problemas em todas as outras estruturas do Ministério Público (DCIAP incluído) ...
06.Março.2008
... : Mittermaier-no-inquérito
Agora o problema é do Habilus!
*
O problema é que nos DIAPs há muitas cadeiras...anda tudo sentado a delegar nos Pj e PSPs...
*
Terreno...andor!
07.Março.2008
... : Um juiz descrente
Claro, Mittermaier-no-inquérito, claro que é assim. Mas se a Sr.ª Maria fala os jornais (quase todos da esquerda dita militante...) logo acham que ela descobriu a pólvora. Então não sabemos todos o que é a informática nos Tribunais há tantos anos? Claro que sabemos, mas a Sr.ª Maria fala e prontes, como se diz por aqui!!

11.Março.2008
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