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Procuradores do Porto só trabalham na equipa especial com ordem escrita de Pinto Monteiro. Posição dos 45 magistrados do DIAP obriga Helena Fazenda a nomear adjuntos de Lisboa. O SMMP deu-lhes razão
quanto ao direito à indignação, mas aconselhou-os a não entrar em
confronto com Pinto Monteiro, considerando contraproducente mostrar ao
Governo um Ministério Público dividido.
Helena Fazenda irá propor medidas de coacção aos
cinco restantes indivíduos. A magistrada está agora a ser auxiliada por
dois procuradores que também trabalham no DCIAP, em Lisboa, de onde a
magistrada coordenadora é proveniente.
É que nenhum procurador do
Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Ministério Público
(MP) do Porto aceita voluntariamente integrar a equipa especial para
investigar as mortes e crimes na noite do Porto nomeada pelo
procurador-geral da República (PGR).
De acordo com informações
recolhidas pelo JN, Helena Fazenda planearia contar com pelo menos um
magistrado do Porto, que pudesse fazer face a diligências urgentes e
eventuais idas ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto.
Só que,
depois de ter recebido uma primeira recusa directa por parte do
procurador adjunto do DIAP do Porto responsável pela investigação que
levou à detenção de 11 suspeitos de crimes de homicídio e terrorismo, a
magistrada foi informada de que, se convidar qualquer dos cerca de 45
procuradores (entre procuradores adjuntos e procuradores da República)
do DIAP, iria receber respostas negativas. Isto devido ao mal-estar
causado pela forma como o PGR decidiu retirar a investigação ao Porto e
entregá-la a Lisboa - o que foi entendido como uma grave desautorização
e desconfiança sobre os magistrados do Norte.
Daí que vários
procuradores tenham frisado internamente que só trabalhariam na equipa
especial de investigação mediante uma ordem escrita de Pinto Monteiro,
para não incorrerem em responsabilidade disciplinar.
No final da semana, a coordenadora da equipa
especial irá fazer o ponto da situação com Pinto Monteiro, a única
pessoa de quem recebe ordens no processo. Desconhecidos são ainda os
restantes elementos da equipa.
JN | 19.12.2007
Os procuradores do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do
Porto queriam do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP)
uma postura mais dura contra o Procurador-Geral da República (PGR) por
ter nomeado Helena Fazenda, procuradora de Lisboa, para dirigir as
investigações dos crimes no Porto. A entidade sindical deu-lhes razão
quanto ao direito à indignação, mas aconselhou-os a não entrar em
confronto com Pinto Monteiro, considerando contraproducente mostrar ao
Governo um Ministério Público dividido.
O encontro da estrutura do
SMMP decorreu no fim-de-semana passado, em Viseu, tendo servido também
para debater as listas concorrentes às eleições para o Conselho
Superior do Ministério Público, que decorrem em Janeiro. O aparecimento
de quatro listas é algo inédito na vida do MP. O máximo que viu foram
duas listas, e na maioria das vezes apenas uma, proposta pelo
sindicato. Este sentimento de algum espartilhamento está a preocupar o
sindicato e, neste sentido, pediu contenção aos procuradores do Porto.
Neste momento, seria politicamente pouco prudente hostilizar o PGR.
Acontece
que Pinto Monteiro pediu poderes para fiscalizar a Policia Judiciária
(PJ) e o ministro da Justiça negou. O ministro pediu ao PGR para
apresentar uma alteração ao Estatuto dos Magistrados do MP, e este não
apresentou. O ministro aplaudiu a PJ, na segunda-feira, depois de os
inspectores criticarem Pinto Monteiro. Neste braço de ferro, o
sindicato quer estar com PGR. Mas, os procuradores do Porto,
indignados, negam-se a colaborar com Helena Fazenda, por solidariedade
para com o procurador Felisberto Teixeira, anterior titular do
processo, o único convidado a integrar a nova equipa e que recusou. A
não ser que haja uma ordem do PGR, por escrito.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 20.12.2007
Uma atitude que não se esperava de magistrados
A procuradora de Lisboa que foi destacada para a
investigação dos crimes da noite no Porto não teve apoio de nenhum dos
magistrados do Ministério Público local nos interrogatórios que fez aos
detidos do processo, embora o tivesse pedido. Teve mesmo a recusa de um
dos magistrados em participar: o anterior titular do processo, segundo
confirmou o DN. Helena Fazenda acabou por chamar para junto de si mais
colegas de Lisboa.
Esta atitude dos magistrados do Porto em nada
prejudicou o processo. A primeira fase da investigação terminou com
quatro detidos preventivos e seis arguidos com termo de identidade e
residência ou apresentações periódicas.
Mas certamente não fez muito
pela imagem que os cidadãos têm da justiça. Dos que a administram,
espera-se responsabilidade perante o Estado, como um todo, e perante a
sociedade. Não que funcionem em quintas provincianas - essas mesmas que
todos admitem ser uma das causas do mau funcionamento do sector. Embora
quisessem defender a sua cidade, o Porto, os procuradores acabaram por
prejudicá-la.
Neste cenário destoam, pela positiva, os dirigentes do
Sindicato dos Magistrados que se recusaram a entrar nestas guerras
intestinas, assumindo a responsabilidade institucional que é inerente à
profissão que representam.
EDITORIAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 20.12.2007
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