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15-Nov-2007

Governo recua nos prazos para investigar crimes:O ministro Rui Pereira diz que o governo está disponível para aumentar o prazo para a investigação criminal se se verificar que eles são curtos O Governo admite alterar a reforma penal "se na aplicação prática se verificar que há prazos insuficientes", diz o ministro da Administração Interna. A redução dos prazos para a investigação da criminalidade económica e financeira é um dos pontos que reúne consenso nas críticas ao diploma.

A reforma penal já entrou em vigor há um mês e meio, mas o tom das críticas não dá sinais de abrandar. Os magistrados judiciais, o Ministério Público e os penalistas contactados pelo Diário Económico afirmam que há alterações essenciais e que o Governo terá de ceder. O próprio Executivo, aliás, está disposto a fazê-lo, mas não para já.

O ministro da justiça pediu ao Observatório Permanente do sector para fazer uma monotorização no terreno sobre a aplicação das novas leis. Ontem, Alberto Costa admitiu explicitamente a possibilidade de fazer alterações a uma das leis mais criticadas dos últimos tempos: "esse processo vai prolongar-se por dois anos, mas vai dar lugar a diversos relatórios ao longo do tempo, e no final podemos fazer um balanço de como é que no terreno se comporta". No entanto, o ministro considera que "o primeiro pensamento não deve ser pensar em rever o que acaba de ser aprovado".

O ministro da Administração Interna e responsável pela Unidade de Missão que preparou esta reforma, Rui Pereira, não receia qualquer alteração, até porque admite não concordar "com todos os pontos dos códigos". No caso dos prazos para a investigação de crimes complexos, Rui Pereira não tem dúvidas de que "se na aplicação prática se verificar que há prazos insuficientes, a Assembleia da República extrairá as necessárias ilações", ou seja, o grupo parlamentar do PS fará as alterações necessárias à lei A redução dos prazos para a investigação da criminalidade económico-financeira é, aliás, a critica que gera maior consenso na contestação ao Código de Processo Penal. Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal não se cansa de afirmar que "é impossível fazer investigação de criminalidade complexa".

Marcelo Rebelo de Sousa está de acordo com esta interpretação, e diz que "é preciso garantir que se não se tome impossível investigar". Ouvido pelo Diário Económico, o professor de direito apela a que se encontre um equilíbrio. `A redução dos prazos de investigação reforça os direitos das pessoas, mas há que travar os excessos".

O penalista Germano Marques da Silva é mais cauteloso, "é uma questão técnica, as polícias estão habituadas a investigar em segredo, mas a experiência vai mostrar se é ou não possível". O que preocupa Germano Marques da Silva é o alargamento da possibilidade de recorrer porque "vai entupir o Supremo".

Ainda sobre a investigação, o juiz Rui Rangel lamenta que se tenha passado do "8 para o 80". Para este magistrado, é importante "acelerar a investigação, mas é preciso mais meios e mais peritos, porque a lei como está só combate a bagatela penal". Opinião diferente tem Carlos Pinto de Abreu que considera que "8 + 6 meses de investigação com segredo de justiça é suficiente", e remata: "façam as perícias mais depressa". O juiz Eurico Reis revela preocupação com os pedidos de reabertura julgamentos, "toda a gente está a pedir que seja aberta a audiência", há interpretações diferentes desta norma, e o magistrado alerta para a necessidade "de se encontrar solução".

As alterações

• Com o novo Código de Processo Penal a regra é a da publicidade. O processo é público desde o início e o segredo de Justiça só é aplicado em algumas situações, desde que haja autorização do juiz.

• O novo CPP proíbe a divulgação, por qualquer meio, de escutas telefónicas integradas em processos judiciais sem o consentimento dos escutados.

• O novo Código Penal define a existência de crime continuado, ou seja, um arguido que tenha cometido várias vezes o mesmo crime sobre a mesma pessoa, é julgado apenas por um crime.


Especialistas continuam atentos à aplicação da reforma penal

Marcelo Rebelo Sousa
"É uma reforma feita sob o trauma do processo da Casa Pia. A classe política achou que as autoridades tinham poderes a mais. Em alguns casos era verdade, mas passou-se para o outro extremo, dificultando a investigação. As críticas e pedidos de alteração revelam que não houve debate académico sobre a reforma".

Carlos Pinto Abreu
"É tudo uma questão de prioridades, não se pode formatar o processo penal para a excepção. Apesar das críticas, não vejo até agora qualquer necessidade de alteração, por exemplo, no caso dos prazos de investigação, as pessoas acham que como o segredo é eterno se faz a investigação melhor..."

Germano Marque Silva
"De uma maneira geral acho que os problemas apontados à reforma penal vão ser ultrapassados pela interpretação. Mas quem trabalha directamente com os códigos pode chamara atenção para as dificuldades. Assusta-me o alargamento dos pedidos de recurso, porque vai entupir o Supremo Tribunal".

Rogério Alves
"Houve uma campanha inaudita contra as leis penais, com muito poucos defensores. É pouco vulgar numa reforma que vai tocar alguns pontos cardeais da justiça. Alterações ao regime de segredo de justiça, maior cuidado na constituição de arguido e restrições em matéria de escutas são alguns pontos a sublinhar".

Jorge Bacelar Gouveia
“A questão mais picante do novo Código de Processo Penal é a dúvida em torno do crime continuado - a lei considera que vários crimes contra a mesma pessoa devem ser julgados como um crime. Quanto a mim basta uma interpretação correcta: mesmo sendo com a mesma pessoa cada acto é um crime”.

DIÁRIO ECONÓMICO | 15.11.2007 

Comentarios (18)add
... : Celan
Mas os prazos de inquérito são os mesmos!

Ou será a possibilidade de um maior controlo hierárquico - e eventuais sanções disciplinares - que assusta os senhores procuradores?
15.Novembro.2007
... : Joaquim Maria Cymbron : http://matamagistrados.blogspot.com
Não me parece que os senhores procuradores se assustem com a fiscalização hierárquica.
A PGR lá se esforça por impor o cumprimento dos prazos e os senhores procuradores fazem ouvidos de mercador.
Não disse o Ex.mo PGR --- e, provavelmente, cheio de razão --- que o MP só por definição é um órgão hierarquizado?
15.Novembro.2007
... : MP-quase-juiz
Querem ver que o CUNHA RODRIGUES voltou?!
15.Novembro.2007
... : predador
Santa Ignorância....
A hierárquia é um garante de uniformidade na aplicação da justiça, não representa a disseminação de feudos.
A hierarquia e uniformização de procedimentos servem para salvaguardar principios como o da igualdade e da confiança. è claro que o MP é e será um orgão hierarquizado por definição e não independente, mas apenas autónomo...
15.Novembro.2007
... : zero
prazos, que os não tem...
pois é, sr. celan, mas os prazos nao são, de facto, com o devido respeito por opinião, certamente douta, contrária, os mesmos
15.Novembro.2007
... : predador
Governo cede ao bom senso, parece-me melhor...
E rápido, antes que haja mortes devido à impossibilidade de detenção de criminosos cumpulsivos, só porque no inquérito forma uma vez á PSP ou GNR quando notificados.
Qualquer morte ocorrida tem um culpado directo, e desta vez sabemos os nomes dos Legisladores , para além da Unidade de Reforma.
Imputação -Homicidio negligente devido ao art.257, in fine.
Parece-me claro como a água...
16.Novembro.2007
... : IURIS
Caríssimos, permitam-me o seguinte comentário; Toda esta trapalhada ? reforma do C.P e do CPP - teria sido evitada se tivessem chamado a criar leis penais quem de facto percebe da arte. Sim! Estou a referir-me ao nosso Ilustre Senhor Dr. Costa Andrade, sumidade na área de Direito Penal.
Acontece que, uma vez mais, deixámos de criar boas leis penais, não porque não existam pessoas capazes, porque as há como vimos: Dr. Costa Andrade - mas porque "aquele ou aquela" é mais ou menos amiga daquele ou daquela".
Os Senhores políticos deveriam de uma vez por todas ter humildade intelectual para discernir o bom do mal, caso contrário andaremos sempre nisto e quem de facto sofre é o ?mexilhão?. Abram de uma vez por todas as janelas dos vossos gabinetes e deixem o ar irrigar-vos o cérebro, já dizia o nosso amigo ?Teixeira Ribeiro?.

16.Novembro.2007
... : anti penacho
Prazos só no inquérito?
Afinal estes juizes andam em tanta azáfama em amesquinhar as funções do MP lançando poeira para o ar e não se veem ao espelho?
Porque é que os "sacrossantos" juizes não respeitam os prazos?
os portugueses, claro!
porque em paízes mais cultos sem este complexozinho de que eu sou mais importante que tu e tu mais que aquele etc... etc... os juizes tambem teem prazos e sao responsabilizados. E ao que constam não andam em guerrainhas com mais ou menos mordomias com os MPs lá do sítio...
elo país este!.... belo povo este!... não admira os belos governantes estes que temos neste governo das intriguices e capelinhas....
o último a rir..................................
17.Novembro.2007
... : Antígona
Está muito enganado, anti penacho.
Essa de os juízes não cumprirem prazos é uma das maiores falácias que existem. A esmagadora maioria cumpre todos os prazos, com grande prejuízo para a sua vida pessoal, familiar e social, fazendo saneadores, sentenças, acórdãos e despachos fora de todo o horário de expediente, em férias, em feriados, em fins de semana. E se há alguns prazos que não são cumpridos, é porque não têm contingentação processual nem limite do número de processos. Ou acha que ter 4000 processos é o mesmo que ter 200 inquéritos ?
17.Novembro.2007
... : Desesperado
Mas então, se os srs. juízes passam tanto tempo a trabalhar, nas férias, nos feriados e até aos fins de semana, porque é que eu espero anos por uma sentença (anos contados desde a realização do julgamento)?
Temos que ser corajosos e dizer «o rei vai nu». Uma larga fatia dos Srs. juízes pouco faz e tem pouca qualidade. E nesse ponto parece que querem equiparar-se ao MP. Há que dizê-lo. Eu conheço uma boa mão cheia de juízes que marcam julgamentos para as 9h00 e só aparecem no tribunal lá 9h30/10h00. Almoços? Passem pelos restaurantes dos arredores dos tribunais do nosso País e vejam quanto tempo demoram os almoços desses senhores ? Inteligência? Se a têm dela não fazem uso. As sentenças crime são «copy paste» dos acórdãos acessíveis nas bases de dados (com ligeiras alterações). E no cível? Ui! Aí é melhor nem falar. No meu escritório patrocino alguns processos que aguardam por saneadores e por sentenças há anos ? E quem ouve dos clientes sou eu. Prazos? Para eles são todos «meramente indicativos».
Deixemo-nos de coisas. Esta gente - juízes, MP's - está pouco preocupada com a Justiça. Pensam só nos seus interessezinhos (nomeadamente nas férias - que as têm no Verão, na Páscoa e no Natal - saberão eles quantos dias de férias por ano tem um advogado que não partilha o escritório com nenhum colega?), no «eu trabalho mais que tu» (é caso para perguntar: qual deles trabalha mais que um advogado que não integra um grande escritório? Esse num dia está num tribunal do Algarve. No dia seguinte está num outro no norte do país, a tratar de um outro processo totalmente diferente. Convocam-no para as 9h30 e vê chegar os srs. juízes às 10h00. Vê-os sair alguns minutos depois para irem tomar o pequeno almoço, quando ele levantou-se às 05h00, no dia anterior fez mais de 300 Kms entre tribunais e o escritório, chegou extenuado mas ainda conseguiu rever e estudar os dossiers do dia seguinte, responder ao correio, atender alguém que tinha urgência , etc.) .
Trabalhem meus senhores. É para isso que eu e os demais contribuintes vos pagamos.
18.Novembro.2007
... : Mª José
Anti Penacho do MP:

O que diz é falso. A maioria dos juizes cumpre os prazos. Mas não é isso que aqui interessa.
Não venha com as habituais FALÁCIAS dos agentes do MP.
Dizer que as funções do MP são muito diferentes da FUNÇÃO JURISDICIONAL não é ofensivo, não é proibido (ainda) e não pretende menorizar o MP. Como é evidente.

Quanto ao ultimo a rir..., tem sido desde 1978 até 1998 o MP e os seus tachos, os seus PGAs, os seus agentes/juizes, os seus Coordenadores (?), os seus PGDs, as suas super-fidedignas estatisticas e SOBRETUDO A VERGONHOSA FALTA DE FISCALIZAÇÃO EXTERNA ÁS ACTIVIDADES OU OMISSÕES DOS AGENTES DO MP.

Mas a culpa disto é do PS e do PSD: criaram um MP com tripla personalidade: investigador/polícia acusador/isento juiz/imparcial. O resultado só pode ser INEFICIÊNCIA e de DESPERDÍCIO DE MEIOS.

Não faz sentido um MP imparcial. Faz sentido sim um MP isento, hierarquizado e fiscalizado por terceiros. Só assim se cumprirá o art. 219º da CRP.

18.Novembro.2007
... : Betamax
Desesperado, vá tomar um chá que isso passa.
Você é que tem qualidade. Até devia receber a grã-cruz da hipocrisia.

O rei vai nú e começa com os advogados, que apresentam articulados de lixo que têm de ser convidados várias vezes pelos juízes a corrigirem e fazendo atrasar mais os processos (depois, claro, a culpa é dos juízes...). Advogados que não sabem o que é o ónus da prova, que não sabem que devem alegar factos e não conclusões ou teorias abstractas. Os juízes, que diz não terem qualidade são os que têm que suprir a ignorância, a falta de conhecimento dos advogados.

A sério que espera há anos por uma sentença ? Já agora, já levantou o seu traseiro dessa sua poltrona onde recebe com altivez os seus clientes e lhes faz pagar até ao tutano, e foi verificar se o processo não estará ainda nas estantes das secções à espera que você cumpra alguma coisa ? Tem a certeza que já está nas mãos do gabinete para decidir ?

E já agora, já foi reparar se você mesmo ou os seus brilhantes colegas andaram a interpor uma data de providências cautelares que, como sabe, têm prioridade sobre os demais processos, obrigando o juiz a decidir nesses processos em vez do seu tão precioso processo ? Ou acha que juiz tem que trabalhar 48 horas por dia e ser pago por trabalhar 8 ?

Almoços ? Até acredito que não estejam às 13.30 ou 14.00 nos tribunais. Mas faça a compensação. O cidadão ou o estado fica prejudicado se o juiz demorar meia hora a mais no almoço e no fim do dia der cinco horas a mais ?

Ai as sentenças são copy/paste ? Então porque não há uma igual ? Já agora, as suas petições são copy e pastar ? E as suas alegações sobre a apreciação da matéria de facto que reproduzem sempre do mesmo ? Veja lá o que diz, homem ou mulher ou lá o que seja.

Claro que os prazos são indicativos. Se você patrocina 1000 clientes deve ter 5 funcionários a fazer o seu trabalho. Mas o juiz é ele sozinho, quer tenha 1000, 3000 ou 10.000 processos. Não tem assessores nem ganha à peça como você (quer dizer, você ganha ao parágrafo, que é diferente).

Quanto às férias, se você não as tem, bem está a precisar. Mas se não as tem é porque nessa altura está a ganhar dinheiro. Dinheiro que você quase de certeza não declara para efeitos de IRS, pois -- que coisa interessante -- 75% dos advogados declara ganhar o salário mínimo nacional, apesar de os vermos com grandes BMW5, Audis A4, A6 e A8, entre outras bombas. Deve ser às minas de ouro que herdaram que vão buscar o dinheiro, vê-se.

Curiosamente o que se vê é que a grande maioria dos juízes fica à espera dos advogados. Estes até fizeram com que alterassem o CPC para que houvesse uma meia hora de tolerância para os seus atrasos... Quantas vezes estão dois advogados e o juiz fica à espera que o outro advogado processo apareça... Depois diz que andou à procura de estacionar. Pois.... de estacionar no café.

Vá mandar trabalhar outros. Não mande trabalhar quem trabalha muito mais do que você e a sua garganta. Você não paga nenhum salário de juiz. Limita-se a extorquir dinheiro aos seus clientes e é apenas das taxas de justiça que derivam os salários dos juízes. Você não paga nada e se é igual aos 75% dos advogados deste país, até só declara que ganha o SMN. Já agora, como estão os seus recibos verdes ? E o que ganha por fora sem recibo, sob advertência aos clientes que se quiserem recibo têm que pagar mais IVA ?

Vá tomar outro chá, homem e deixe-se de tretas e falsidades. Pague os seus impostos que se há quem pague todos os impostos e pelo máximo de tudo, sem subsídios ou abonos de família nem nada, são os juízes, que logo no seu vencimento ficam sem ver entre IRS, CA, ADSE e quejandos 60% do seu valor ilíquido.
18.Novembro.2007
... : Desesperado
Betamax
Tanto preconceito ... e tanta arrogância ...
V.Exa. (e todos os que andam nisto) sabe que eu falo verdade. Não são nenhumas falsidades. E como a verdade dói ... (daí essa sua reacção).
Sugiro-lhe que trabalhe e que aproveite o resto do fim de semana para fazer um (dos muitos) saneadores que deve ter em atraso. Eu também estou a trabalhar. É que se eu não contestar uma acção dentro do prazo perco-a (à acção e ao cliente). E eu não vivo do Orçamento do Estado ...
Se V.Exa. paga impostos pelo máximo é porque ganha muitíssimo bem. E quanto a não ter subsídios ... então e o subsídio de renda de casa?
Eu tenho um colaborador porque o escritório não pode ficar "às moscas " quando estou fora. E V.Exa.? Quantos funcionários têm ao seu dispor?
Sabe uma coisa? Só me recordo de me terem convidado a aperfeiçoar uma petição. Estava então no início da carreira. E a V.Exa.? Quantas sentenças já lhe revogaram?
Pois é, os malandros dos advogados é que atrasam os processos. E no entanto são os únicos a cumprir os prazos fixados nas leis ...
18.Novembro.2007
... : Arnold
Desesperado
Bravo
As verdades doem mas devem ser ditas.
Os advogados sempre foram os únicos a defender os direitos e liberdades das pessoas. Antes e depois do 25 de Abril. Com sacrifício (esse sim bem real) e coragem para encarar os poderes, todos os poderes ...
18.Novembro.2007
... : Betamax
Você está mesmo desesperado, ó desesperado.
Vá tomar outro chá. Reforçado se possível

Vá mandar trabalhar os seus funcionários.
Não tenho nem saneador, nem despacho, nem sentença em atraso. NENHUM, percebe ?
E tenho direito a gozar o resto do fim de semana com a minha família.
É pessoas como o sr., que pensa que os juízes são escravos, que a justiça está como está.
Se está a trabalhar, ganha as horas que trabalha. Extraordinárias. Os juízes trabalham horas extraordinárias e não as recebem.
Deixe de olhar para os outros e responda: paga os seus impostos todos ? Passa recibo de todas as consultas ? Pois, pois... hipócritas há muitos.
Eu não tenho nenhum funcionário ao meu dispor. Os funcionários são do governo e estão colocados no tribunal para me dar trabalho e não para me fazer o meu trabalho. Já o seu funcionário faz-lhe o seu trabalho.
Sentenças revogadas ou confirmadas não significa que estejam certas ou erradas. Depende das interpretações. Já correcções de articulados significa coisa diferente.
Embora os advogados cumpram prazos, sabe muito bem que há centenas de formas de atrasar um processo. Requerimentos, incidentes, recursos e afins são os advogados os grandes especialistas de protelar os processos. E depois os culpados são os juízes...
Passe bem (não se esqueça do chá).
18.Novembro.2007
... : Administrador In Verbis
Caros Comentadores:
Quer o tom, quer o tema dos últimos comentários extravasa por completo o objecto do item publicado. Agradeço que os comentários, além de manterem elevação na discussão, não versem sobre questões distintas do objecto do item.
19.Novembro.2007
... : Tony
Embora correndo o risco do Administrador desta revista não publicar o comentário, mas dizendo-lhe que não quero de forma alguma violar o que o mesmo advertiu acima, gostaria de comentar o item e os comentários.

Em primeiro lugar, o MP é em Portugal um grande polvo com grandes tentáculos em tudo o que é lado. Em dezenas de comissões, em dezenas de lugares de assessoria ministerial, em DCIAP, DIAPs, Coordenações, Conselhos Consultivos e quejandos. Essa gente não gosta de despachar nem de estar em julgamentos, porque dão trabalho, e assim arranjaram centenas de formas de terem um tacho, apesar de se dizerem do MP, apenas para terem protagonismo. Não é assim de estranhar que o Governo ceda tudo aos seus agentes, porque eles próprios são funcionários da Administração, que o Governo tem todo o interesse em os manter como estão para fazerem controlo dos juízes.

Depois, e para terminar, é triste vermos que há tanta hipocrisia, inveja doentia e falácia em "desesperados" e "anti-penachos", frustrados pela sua própria incompetência e que perspectivam os juízes não como os únicos titulares do órgão de soberania Tribunal, com a suprema função de defesa dos direitos, liberdades e garantias contra as prepotencias dos outros poderes, mas sim considerando-os como escravos do trabalho, que até num domingo à noite, devem deixar a companhia da sua família, a quem devem acarinhar e educar os seus filhos, para irem fazer sentenças e saneadores à borla. Essa concepção do juiz-escravo (já não juiz-funcionário, mas sim juiz-escravo) é bem patente de como a democracia desceu mesmo ao mais ínfimo do repugnável. Se um advogado trabalha aos domingos, é remunerado por isso. Um juiz não o é. Mas muitas vezes o faz, por dedicação à causa e porque tem grande responsabilidade e respeito pelos direitos dos cidadãos.

Curiosamente, muitos dos advogados e o MP que deveriam defender a legalidade democrática são os primeiros a arremessar esses valores e princípios à fossa, para a qual, por causa dessa sua postura, um dia estarão irremediavelmente votados. Não se esqueçam.
19.Novembro.2007
... : Joaquim Maria Cymbron : http://matamagistrados.blogspot.com
Era bem desejável que todas as intervenções do homem fossem guiadas pela serenidade e equilíbrio. Nesta medida, não posso deixar de concordar com o Ex.mo Administrador da revista.
Mas devo também conceder o meu aplauso a este item, o qual, pela forma como se tem desenvolvido, teve o mérito assinalável de mostrar como está doente a sociedade portuguesa. Nem de outro modo se explicaria o tom apaixonado que a controvérsia atingiu nalguns pontos.
Paremos um pouco para reflectir. Porque o comportamento aqui assumido é resultado de uma consciência pesada que nos carrega a todos. A todos, sim, porque a culpa, que procuramos encontrar, não é exclusivamente do Governo ou do MP, dos Juízes ou de qualquer outra classe social.
A culpa é de todos nós, umas vezes por acção, outras por omissão. Mas não há inocentes!
20.Novembro.2007
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