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Falhas nas perícias atrasam processos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
16-Mai-2008
Os atrasos nos processos, em média na ordem de meio ano, por dificuldades na realização de perícias são uma das principais preocupações sentidas pelos magistrados do Ministério Público, a par da falta de condições de trabalho, soube o JN, junto de fontes do MP Em vários casos, os magistrados nem sequer conseguem ver provas inseridas em DVD, uma vez que os computadores de serviço não estão preparados para o efeito.

A conclusão é de um inquérito realizado pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), abrangendo praticamente a totalidade dos magistrados espalhados por todo o país. Os resultados finais serão hoje apresentados no II Fórum Nacional do Ministério Público. O presidente do SMMP António Cluny, não confirmou nem desmentiu as informações e remeteu as declarações para hoje, no Fórum.

O inquérito incidiu sobre as condições de trabalho e sobre o grau de satisfação dos procuradores relativamente à qualidade do trabalho das polícias. No Porto, por exemplo, o primeiro índice tem uma aceitação positiva da ordem dos 75%. Já no segundo há para 80% dos magistrados que se dizem descontentes, segundo dados a que o JN teve acesso. A preocupação quanto aos atrasos na realização das perícias é igual para igual na percentagem de magistrados.

Os dados, no entanto, não variam muito em relação ao resto do país e espelham o nível de preocupação dos magistrados que tutelam os inquéritos. Fontes do Ministério Público esclareceram que a maior preocupação incide sobre o crime mais grave e complexo, que é investigado pela Polícia Judiciária.

Os maiores problemas são sentidos no Laboratório de Polícia Científica, a cargo da Polícia Judiciária, se bem que a capacidade de resposta do Instituto de Medicina Legal também não seja a melhor. Uma fonte da magistratura revelou, por exemplo, que o processo Passerelle, que está a ser julgado em Leiria, atrasou quase oito meses por falta de perícias às armas apreendidas aos arguidos, não obstantante haver presos preventivos.

Mas não é o único caso. O JN sabe que há vários processos que estão quase parados e não são realizadas detenções simplesmente por atraso na análise de vestígios biológicos.

Problemas são também sentidos nas peritagens contabilísticas, quando se trata de crime económico, uma vez que a Judiciária não tem recursos humanos suficientes para analisar em tempo útil os elementos recolhidos na investigação.

A isto acresce as preocupações com o novo Código de Processo Penal (CPP) e, segundo fontes do SMMP a entrada em vigor do diploma, no ano passado, “contribuiu para a descredibilização da justiça”, ao invés do que era pretendido. O CPP não só aumentou a burocratização no processo penal, dificultando a tarefa dos magistrados do MP como “não melhorou a eficácia na perseguição e punição da criminalidade”, sendo o caso mais flagrante a dificuldade em conseguir encaminhar um criminoso para prisão preventiva. 

Preocupações

Falta de qualidade nos técnicos de Medicina
As infra-estruturas directamente dependentes do Instituto de Medicina Legal funcionam bem, graças à qualidade dos técnicos, mas nos outros casos há situações que levantam muitas dúvidas quanto à realização de autópsias.

Sistemas informáticos sem interligação
O MP tem um sistema informático e cada polícia o seu. Na prática, nenhum pode ser interligado e o resultado, são as toneladas de papel gastas cada vez que é necessário passar os processos de uma entidade para outra.

Improviso a mais no Ministério Público
O MP continua a não ter por detrás uma ideia de conjunto e vive de improviso ao invés de estabelecer uma estratégia, tendo em conta os objectivos a atingir. Um exemplo é falta de funcionários de apoio e mesmo de magistrados.

Colocações deviam ser sujeitas a concurso
A colocação de magistrados em determinados lugares devia ser sujeita a concurso interno, para garantir maior transparência e tendo em conta os níveis de classificação.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 16.05.2008



MAGISTRADOS DENUNCIAM FALTA DE SEGURANÇA DENTRO DOS TRIBUNAIS

Os tribunais portugueses não oferecem condições de segurança, o sistema informático de justiça é lento e limitado e a recente reforma penal veio criar mais burocracia e maior complexidade na elaboração dos processos. O diagnóstico feito pelos magistrados do Ministério Público às condições em que trabalham está longe de ser positivo e dá conta do mal-estar desta classe profissional, que hoje vai estar reunida num fórum nacional, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
“Durante muito tempo foram sendo atribuídas funções ao Ministério Público, sem que fosse acompanhado pelas necessárias mudanças quer ao nível organizativo, quer na dotação dos serviços com os necessários meios técnicos”, disse ao JdN o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP). Segundo António Cluny, com este estado de coisas, a “improvisação” tomou conta dos serviços e a “desmotivação” da classe.
Os resultados de um inquérito realizado junto dos procuradores a nível nacional são explícitos quanto ao desagrado que grassa, situação que levou mesmo cerca de três dezenas de magistrados a candidatarem-se a lugares de juízes nos tribunais administrativos e fiscais.
Falta de segurança dos tribunais, quase inexistência de salas para a realização de diligências, computadores obsoletos ou um sistema informático sem ligação entre os tribunais e os órgãos de policia criminal são apenas algumas das dificuldades com que os procuradores se deparam diariamente. Isto, de acordo com os resultados do inquérito que hoje será divulgado no decorrer dos trabalhos do II Fórum Nacional do Ministério Público.
No encontro, será aprovado um manifesto onde irão constar não só os problemas detectados, mas também propostas de soluções para os mesmos, esclareceu António Cluny. Tal como adiantou, é necessário que se encontrem condições para que acabe o clima de “pessimismo” em que os magistrados vivem.
PJ estreita relações com MP Entretanto, o novo director da Polícia judiciária (PJ) reafirmou ontem o seu propósito de “estreitar relações com o Ministério Público”. Almeida Rodrigues enfatizou esta sua posição, na sequência de um encontro com o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.
Na cerimónia de tomada de posse, o novo homem forte da PJ já tinha afirmado que pretende fazer tudo para aperfeiçoar os mecanismos de relacionamento com os juízes e o Ministério Público.

JORNAL DE NEGÓCIOS | 16.05.2008



MAGISTRADOS MP DISCUTEM HOJE MANIFESTO QUE EXIGE MEDIDAS DO PODER POLÍTICO

Os magistrados do Ministério Público (MP) discutem hoje, em Lisboa, um Manifesto que revela os problemas funcionais e materiais do MP e apela ao poder político para que não desperdice «este momento oportuno» para tomar as medidas adequadas

Em declarações à Agência Lusa, a propósito do II Forum do MP em que o Manifesto será apresentado, António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), considerou que «este é o melhor momento para falar abertamente» sobre a actual situação do MP, porque está em discussão no Parlamento a reforma do mapa judiciário, que terá implicações no estatuto desta magistratura.

O presidente do SMMP adiantou que o Manifesto «revela a actual situação do MP, tanto na vertente da penúria de meios funcionais e materiais, como do ponto de vista da necessidade da sua reorganização», para se adaptar à nova reorganização e funcionamento dos tribunais judiciais.

«Este é o momento para falar abertamente e com verdade sobre esta situação, na perspectiva de poder aproveitar este momento único para resolver uma situação que se arrasta praticamente desde que o MP foi criado como magistratura autónoma», precisou.

Estando em curso a reforma da organização e funcionamento dos tribunais, Cluny entende ser necessário dizer, de uma vez por todas, qual a situação organizativa e funcional do MP para que se possa aproveitar a dinâmica da reforma do mapa judiciário para se relançar também a reforma do MP», o que implica alterações ao estatuto desta magistratura e ao seu equipamento.

Segundo o presidente do SMMP, o MP «nunca foi pensado em termos de quadros e de instrumentos de apoio» e tem vindo a funcionar numa «situação de provisoriedade», sendo que «parte da crise que atravessa tem a ver com a falta de respostas» aos seus problemas.

Neste contexto, e de acordo com Cluny, a estrutura do MP tem passado mais tempo a gerir a crise do que propriamente a exercer a sua função essencial, que «é processual».

Em sua opinião, há que encontrar «linhas unificadoras na actuação do MP», por forma a dar resposta às novas reformas legislativas, que incluem também a reforma penal.

Numa altura em que é fundamental «repensar toda a instalação e reorganização do MP», o presidente do SMMP refere que o Manifesto faz um «apelo ao poder político para que não deixe passar este momento oportuno» para tomar as medidas necessárias, mais do «fazer um julgamento das responsabilidades ou das culpas presentes e passadas».

Para Cluny, o MP nunca «foi suficientemente instalado» e, apesar de lhe terem sido dadas «novas incumbências», nunca foram «pensados» ou articulados os meios adequados para o efeito.

O presidente do SMMP admite que os magistrados estão à beira de um ponto de «saturação» e insiste que «este é um momento único» para dar resposta à crise.

O II Forum do MP decorre hoje em Lisboa com a participação do Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, que recentemente teceu duras críticas no Parlamento à reforma do mapa judiciário, considerando que a mesma fere o estatuto e a autonomia do MP.

Entretanto, o SMMP tem agendado para o último trimeste deste ano o Congresso Extraordinário, que servirá para fazer a «reflexão do que já foi feito e do que ainda falta fazer» na abordagem e resolução das questões ligadas ao MP.

SOL | 16.05.2008 

 

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