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Entrevista de Pinto Monteiro ao CM criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
29-Dez-2007
O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro foi escolhido pelo jornal Correio da Manhã como a figura do ano. Ao jornal, falou das equipas especiais da necessidade de resultados e de tirar partido dos meios que existem, mas reiterando que falta humildade ao Ministério Público.
- Que balanço faz de 2007?
- Foi um ano em que procurei diminuir o sentimento de impunidade que existe em Portugal através da activação de todos os meios ao meu alcance para o combater. Os factos vieram dar-me razão! Há bolsas de impunidade em Portugal que procurei combater em vários campos, seja no alto capital, branqueamento de dinheiro, seja na pequena criminalidade, com os ilícitos nas escolas, ou naquela mais grave, como a que está a acontecer no Porto.

- Como fez isso?
- Procurei que as pessoas acreditassem na Justiça. A Justiça portuguesa não é boa nem má, digamos que é assim-assim, mas se o cidadão não acreditar nela será sempre má. Mesmo que esteja a subir de nível – e em algumas coisas está – se não gerar confiança será sempre má. É preciso que o cidadão sinta a Justiça mais próxima e transparente. Depois, esforcei-me por reforçar o mais possível o sentimento de segurança. O sentimento de segurança do cidadão existe se este pensar que não há privilegiados, que todo o tipo de ilícito é punido.

- Esse é o seu programa para 2008?
- Sim, é sensivelmente o mesmo. Tenho um maior conhecimento do Ministério Público e do funcionamento das polícias mas, mesmo assim, já hoje, há processos em curso a todos os níveis.

- Foi essa estratégia que o fez definir como prioridades o combate à violência contra profissionais da Educação, da Saúde e idosos?
- Estão estabelecidas as prioridades da política criminal e elas reflectem a necessidade de combater os crimes cometidos por maldade e desprezo pela vida humana e os que estão à beira da prescrição. Isto é fundamental para não prejudicar a Justiça e o próprio arguido, que pode estar inocente e nunca mais ninguém pensa que ele está inocente.

- Mas tem mais prioridades...
- Crimes com réus presos ou à beira da prescrição têm prioridade. Depois, vem a violência altamente organizada e a corrupção, bem como todos os outros crimes que têm uma prioridade natural, homicídios, roubos, etc. A partir daí as prioridades inverteram-se, ou seja, o grande crime está lá mas ao que eu nunca vi ligar muito ou nada é ao pequeno ilícito. Violência contra idosos, violência nas escolas e nos hospitais são uma prioridade. Tenho centenas de faxes e cartas a denunciar situações. Pedi aos procuradores distritais que alertassem os conselhos das escolas para o facto de ser obrigatória a participação de crimes públicos. As escolas, por comodidade ou por inércia, não participam.

- E há medo?
- Também há medo. Uma professora que participou, a seguir foi empurrada numas escadas e partiram-lhe uma perna. Outras, porque não querem ser consideradas escolas inseguras. Pequenos ilícitos aumentam o sentimento de impunidade. Não participam e empurram um miúdo de 15 ou 16 anos para um estrelato que o estimula a partir para coisas mais graves. Tem de haver tolerância zero. Não estou a criminalizar esses miúdos pelo que chamam de ‘crimes civilizacionais’, mas têm de saber coisas que não sabem: um miúdo que risca o carro de um professor o pai responde.

- Mas que mecanismos sancionatórios concretos defende?
- Se for um ilícito penal cometido por um miúdo com mais de 16 anos pode ser instaurado um inquérito. Mas há outra coisa mais importante que é o ilícito civil. Um miúdo que insulta um professor se for menor respondem os pais. Se estraga o carro ao professor, respondem os pais civilmente. O professor tem direito a uma indemnização que pode pedir. A situação dos idosos está também em primeiro plano nas minhas preocupações. Porquê? A violência contra as mulheres já tem meios e uma grande censura social, tal como o combate aos abusos contra crianças, mas quanto aos idosos não há nada.

- Nada em que sentido?
- O idoso não se queixa do filho, da nora, do genro, porque vai para a rua. Sofre em silêncio. Eu vou pedir às juntas de freguesia que, como é um crime público, denunciem os crimes que conheçam contra idosos. Isto é uma coisa que nunca foi feita e eu não tenho problemas nenhuns em fazê-la, independentemente das críticas.

- É a sua maneira de pôr o cidadão no centro do sistema de justiça.
- O sistema de justiça só serve para servir os cidadãos. Um sistema de justiça hermético e isolado não interessa nada. O cidadão tem de perceber as sentenças. O cidadão pode não concordar, mas tem de perceber aquilo com que não concorda. Tem de haver uma transparência de actuação porque essa justiça feita em latim já lá vai.

- Na inauguração da nova sede do Sindicato do Ministério Público foi essa mensagem que deu...
- O que dá ou não prestígio ao Ministério Público é a opinião do pedreiro, do médico, do professor, o motorista de táxi. Eu disse isso nesse momento e digo agora: não adianta nada aos magistrados dizerem que são muito bons porque o verdadeiro escrutínio é feito pelo cidadão. Quando o cidadão considerar que o Ministério Público é um órgão prestigiado, os políticos também acharão. Neste momento, não posso dizer que o Ministério Público é uma instituição prestigiadíssima porque não o é. Só quando o cidadão o considerar como tal.

- Esse seu discurso tem vindo a ser aceite pelo Ministério Público?
- Grande, grande parte do Ministério Público está neste momento absolutamente com o procurador-geral. Inicialmente houve uma certa relutância, como se viu na nomeação do vice-procurador-geral, quando se opuseram sem qualquer fundamento legal ou moral. Foi uma guerra absolutamente inócua...

- Foi uma guerra contra si?
- Sim, não era contra o ‘vice’, era contra o procurador, como é óbvio.... Mas hoje, a esmagadora maioria do Ministério Público está com o procurador-geral. Percebe que eu tenho razão e que só o programa do procurador consegue fazer alguma coisa. Claro que existem pequenas bolsas. Agora gerou-se aí um problema com o Porto, um bairrismo que não devia existir...

- Como avalia as equipas especiais?
- Eu sou um defensor das equipas especiais. Envolvem especialistas no trabalho o que é diferente de uma distribuição pelos métodos habituais, onde os processos não calham necessariamente a pessoas especializadas nas matérias. Depois, são multidisciplinares, o que faz aumentar as possibilidades de êxito. Mas há outras questões práticas. A equipa que eu criei no ‘Apito Dourado’ foi por uma razão muito simples: tinha aí 81 certidões dispersas pelo País todo e cada semana era arquivado um processo. É óbvio que a equipa do Apito teria tido resultados melhores se tivesse começado dois anos antes, mas fez muito e, caso contrário, não tinha acontecido nada. Os procuradores podiam ser as pessoas mais eficientes do Mundo, mas com uma certidão aqui, outra na Madeira, Viseu, Porto, Faro, Coimbra, não há hipótese.

- Já lhe começam a ser pedidos resultados das equipas?
- Quais equipas!? As pessoas falam do que não sabem... A única equipa que eu criei foi o Apito e depois uma outra, com características completamente diferentes, para me fazer o ponto da situação, até finais de Fevereiro – não é três, quatro dez anos como alguns processos... –, das crianças em risco na área do DIAP de Lisboa. Quando se fala em pedofilia vem logo a Casa Pia... não vai haver nenhuma Casa Pia II... o que eu criei foi uma equipa de especialistas, com envolvimento de peritos em informática, que vai fazer um levantamento em Lisboa. Estamos a falar de um trabalho sobre situações de risco, ou seja, pedofilia mas não só, maus tratos, espera para adopção, etc. Equipa de investigação criminal é só a do ‘Apito Dourado’ que agora tem os processos da Câmara Municipal de Lisboa.

- A sindicância já acabou?
- Acabou. Analisei o relatório da sindicância e foi enviado para o presidente da Câmara de Lisboa, para o ministro da Administração Interna e para a equipa que está a investigar os processos da Câmara. Esta equipa mista de magistrados e polícias tem mais condições para obter resultados do que se estivéssemos com um processo aqui e outro ali. Por fim, pedi a um grupo pequeno que analisasse os dossiês da Madeira porque alguns são relativos a processos que já existem nos tribunais. Não vamos abrir inquéritos ou averiguações preventivas antes de fazer o levantamento.

- Essa estratégia acelera as coisas dentro de um sistema muito prisioneiro do princípio da legalidade?
- É uma estratégia de economia de esforço. Vamos reunir o que há, dedicar pessoas só a este trabalho e modificar ritmos de trabalho que permitam resultados mais rápidos. Interessa-nos em Portugal ter 10 anos de processos? Inconcebível. É isso que o povo quer? Não quer! A mim não me interessam interesses corporativos, nem interesses paroquiais, nem interesses de bairro!

- A ‘Operação Furacão’ também tem, afinal, uma equipa especial?
- Se não fosse o ministro das Finanças e o secretário de Estado Amaral Tomás, o processo estava parado. Temos de ter a humildade – uma coisa que falta em Portugal e no Ministério Público tem sido a humildade – de dizer assim: nós não somos especialistas em contas. Nós não percebemos de computadores! Nós não entendemos de contabilidade! E os técnicos de finanças destacados na ‘Furacão’ têm prestado um auxílio óptimo. É preciso ter a humildade de reconhecer isto. Aquilo não é uma equipa especial, no sentido do ‘Apito Dourado’, mas na prática está criada.

- Como vai agora resolver o problema do Porto?
- Tenho recusado, em absoluto, prestar declarações sobre a chamada violência na noite do Porto, porque entendo que a questão é demasiado grave para ser discutida na praça pública. Confesso, contudo, que começo a estar cansado de ler e ouvir tanta mentira e meias verdades. Um dia será tudo esclarecido. Por ora, quero apenas afirmar que a investigação vai prosseguir sob a coordenação e orientação da senhora procuradora Helena Fazenda, que é a pessoa certa no lugar certo. Além do mais, convém recordar que é magistrada prestigiada do DCIAP, organismo criado para crimes desta natureza e que detém a competência para a investigação em causa.

- O caso ainda mal começou?
- A violência e a criminalidade na área metropolitana do Porto estão muito longe de ser desmanteladas e controladas e, a não serem tomadas medidas adequadas, regressarão em breve. Mal estaria a Justiça portuguesa e a segurança dos cidadãos se ficássemos por aqui. Há muitos, muitos factos a investigar, devendo a situação ser devidamente enquadrada e esclarecida. Estou certo de que todos os intervenientes no processo vão colaborar e o poder político vai apoiar inequivocamente a actuação do Ministério Púbico. Não é possível ser de outro modo num Estado de Direito.

- Os partidos de poder tendem a olhar para o PGR como mais um director-geral?
- Nunca senti isso. Até agora os partidos têm-me tratado com grande consideração, o que não quer dizer que tenham feito o que tenho sugerido. Tenho dito várias coisas que entendia como correctas e que não foram aceites. Foram mal desatendidas mas não tenho razão de queixa. Do Governo tenho até discordado várias vezes. Da parte do Governo penso que conheciam aspectos da minha personalidade que tornariam impossível a ideia de fazer do procurador-geral mais um director-geral...

- Entre esses aspectos da acção do Governo com que não concordou está o Código de Processo Penal?
- Tenho tido uma posição extremamente cautelosa. Fui a primeira pessoa a dizer ‘calma aí! Não nos precipitemos’. O Código ficou marcado por um erro crasso ao não ter uma ‘vacatio legis’ de três meses, ainda por cima coincidindo com o fim das férias. Mas, de qualquer forma, tentei remediar. Reuni aqui a hierarquia do Ministério Público e não atendi os muitos protestos que apareceram. Se o procurador reúne 19 ou 20 pessoas e se por outro lado recebe o sindicato que traz documentos vários e não lhes faz a vontade é evidente que arranja aborrecimentos vários. Mas eu não faço a vontade nem ao sindicato nem ao Governo. Foi-me sugerida a suspensão do Código, a suspensão de metade dos artigos, etc. Contudo, a minha opção foi dar dois meses de intervalo e elaborar directivas internas que estão prontas e vão avançar para o Ministério Púbico. Os procuradores distritais vão uniformizar a actuação do Ministério Público no processo...

- O que avança nas directivas?
- Um exemplo: há um artigo que diz que devem ser comunicados ao procurador os processos que excedam os prazos legais. Só no DIAP de Lisboa há cerca de 10 mil processos em que foi excedido o prazo agora marcado e se o Código obriga a comunicar ao PGR, ao queixoso e ao arguido são 30 mil ofícios. Como não temos informática, o DIAP pára. Eu disse, não o façam agora.

- Há outros problemas maiores?
- Com as directivas genéricas procuramos diminuir o número de problemas. Os códigos quebram rotinas, obrigam a estudar – e as pessoas ou não têm tempo ou não gostam – e trazem questões doutrinárias. É preciso teorizar a prática através da jurisprudência e, portanto, dar algum tempo. Vejamos o caso dos prazos: eu penso que o cidadão tem todo o direito a não ter um processo pendente toda a vida e, portanto, sou um defensor dos prazos. O presidente da câmara perde apoio político, um comerciante perde o crédito, agora, tem de se abrir excepções...

- Há o problema da corrupção...
- Como é que se aplica um prazo relativamente curto e peremptório a uma investigação como a da ‘Operação Furacão’, que tem 400 sociedades... torna-se público, fica toda a gente a saber o que é, há informação confidencial que pode passar para concorrentes. Penso que o Governo tem tido muito pouca maleabilidade. Foi como na questão da constitucionalidade do estatuto de vínculos e carreiras. Penso que um aluno do primeiro ano da faculdade via que o diploma era inconstitucional. Não há ninguém que não diga isso.

- Defende essa maleabilidade para a questão dos prazos?
- Não custava nada. Pôr tudo no mesmo caldeirão não funciona. Dizer que se dá mais três meses não é nada em tempo de investigação nos processos com muitos arguidos. É evidente que mais dia menos dia vai haver quem suscite a questão da constitucionalidade de alguns artigos do Código. Não pode haver esta espécie de teimosia que diz ‘aqui ninguém mexe’. Ninguém mexe porquê?Não nos enganamos nós a toda hora na nossa vida? Conheci tanto professor da faculdade que mudou de opinião... Quem é que não muda?

- No crime económico como se articula o Código com as exigências do Presidente no discurso da posse?
- Na corrupção e na educação, que também falou no 5 de Outubro. Eu estive na Alta Autoridade Contra a Corrupção, que era a única entidade com acesso ao sigilo bancário. Fiquei com uma certa preparação. Basta que pensemos nisto: hoje em dia os capitais movimentam-se à velocidade da luz. Experimente ir para Inglaterra pedir informação sobre branqueamento de dinheiro e veja quanto tempo demora. Ou seja, amarrem-nos a um prazo pequeno mas abram as excepções necessárias.

- 2008 vai ser o ano dos resultados?
- No ano de 2008 tem de acabar a ‘Operação Furacão’. Vai ser o ano do fim do processo dos voos da CIA, do julgamento da Casa Pia e outros. Os poucos prazos que anunciei até hoje cumpriram-se.

- Acabar esses casos é simbólico para a Justiça?
- Esses e outros para que se perceba que os prazos têm de ser cumpridos, não podem perder força e afectar a credibilidade da Justiça.

- O desfecho desses casos em que impôs prazos no ano de 2008 vai marcar o estilo de exercício do seu mandato?
- É um ano muito importante! As pessoas estão à espera de resultados e têm todo o direito de pedir contas. O que não pode pensar o sindicato do Ministério Público, ou quem quer que seja, é que o poder político não tem o direito de inquirir o procurador sobre a Justiça. Tem todo o direito.O Presidente da República e o primeiro-ministro têm todo o direito de perguntar ao procurador como vai a Justiça do País. É natural que queiram resultados e que eles venham a aparecer. É preciso sair do impasse em que a justiça se encontra.

- Há a ideia de que o MP investiga para acusar e não para blindar a prova em julgamento.
- Vou oficializar em 2008 o seguinte: no Ministério Público quem investiga tem de acompanhar o julgamento. Uma sala de audiências é um espelho para o público em geral e, portanto, não pode aparecer alguém mal preparado, como já aconteceu no passado.

- Só se o Ministério Público fizer prova da sua eficácia conseguirá ter legitimidade para pedir mais meios?
- Claro! Em 2008 não me posso queixar. A Procuradoria tem mais meios. Tenho de fazer justiça ao Governo. Está-me prometida uma base de dados e acredito que vai cumprir. Agora, o Ministério Público estará sempre dependente quer nos meios, quer em tudo o mais, do prestígio que tiver com acusações céleres e bem defendidas.

- O Ministério Público está adaptado à criminalidade que temos?
- Temos um Ministério Público eficiente para descobrir um homicídio na Beira Alta mas já não tínhamos um Ministério Público preparado para o crime de colarinho branco, para a alta corrupção e esta violência na noite.

- É preciso um trabalho mais estável e continuado?
- Tem de haver especialização.

- Em 2009 vai ter de apresentar resultados no Parlamento. Pediu a fiscalização da PJ, acha que vai ter?
- A fiscalização da PJ é absolutamente necessária e é curioso que não vi na Assembleia da República nenhum partido contra. Tem é de ser consagrado! Não é nenhuma desconfiança em relação à PJ. É um princípio geral, uma polícia tem de ter alguma fiscalização externa. Ainda não encontrei ninguém, fora ou dentro da polícia, que me dissesse que não tinha razão. Não o vejo é efectivado na prática...

- Acha que há resistências?
- O que eu vejo é toda a gente a dizer ‘não há problema nenhum! Pois, muito bem... deve ser inspeccionado’, mas não está escrito. É preciso estar lá escrito porque eu não posso responder por aquilo que não tenho poderes. Não posso responder pelo que se passa na casa do vizinho.

- Pensa que o o Governo lhe vai dar esse poder?
- Penso que sim. Pelo menos está prometido. Eu quando prometo procuro cumprir, portanto, quem promete deve cumprir. Sei que na política nem sempre as promessas se cumprem mas estou convencidíssimo de que o Governo vai cumprir e que o Ministério Público vai passar a inspeccionar as polícias em termos puramente processuais. É preciso saber porque é que um processo pode estar parado um ano ou esbarrar numa outra definição de prioridades por parte das polícias.

CORREIO DA MANHÃ | 30.12.2007
Comentarios (6)add
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As respostas do Ex.mo Conselheiro Pinto Monteiro constituem uma exposição admirável de princípios e de intenções.

Pelo que dele conheço, estou persuadido que tudo fará para realizar o programa anunciado.

Por mim, sempre entendi que todos somos agentes de justiça: profissionais do foro; juristas em geral; e, até, profanos.

Essa a razão pela qual continuo à disposição da PGR para o caso de esta querer levar a cabo uma sindicância na comarca de Ponta Delgada, onde há fortíssimos indícios da prática de crimes de prevaricação e de corrupção.
31.Dezembro.2007
... : juo
Ponta Delgada, Açores? Do PS?

O MP nada vai conseguir...
01.Janeiro.2008
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Informando o autor do comentário, que aparece assinado por JUO, tenho o maior gosto em fornecer outros dados:

A tragédia, em Ponta Delgada, tem causas muito mais profundas e extensas do que a circunstância de ser território de um governo do PS. Não digo que isto não tenha influência: pesa e bastante.

Mas talvez, isoladamente, não chegue a ser decisivo para a miséria que eu lá descobri. Posso adiantar que, na podridão que denuncio, há estes vectores:

--- Magistratura judicial (três membros, um dos quais já mudou de comarca);
--- Magistratura do MP (dois membros, um dos quais já mudou de comarca);
--- Secretário do TJPDL;
--- Escrivã de Direito (3.ª S.);
--- Solicitadora de execução;
--- Advogado (Dr.[...] CMB);
--- Uma família micaelense.

Por mais surpreendente que pareça, é nas duas últimas alíneas que se encontra o fulcro da questão.

Quanto ao advogado e por ora, direi, a título de preâmbulo, que se trata de alguém que me conseguiu reconciliar com a classe política. Com efeito, é uma pessoa que, já desde antes do «25 de Abril» até ao presente, se dirigiu a todas as forças que se perfilaram ou perfilam ainda no cenário político português, oferecendo-se para ocupar cargos de responsabilidade. E o prodígio é que foi rejeitado por todas!

Facilmente se verá que um advogado com este perfil também exerce um patrocínio promíscuo. E isso dá-lhe uma força enorme porque fica no segredo de muitos rabos-de-palha.

Hoje, defende uma família que, na intimidade o execra, mas que, falida de brios e ciente do poder oculto que nele se adivinha, recorre aos seus serviços.

Esta família tem enorme força económica na ilha de S.Miguel; coloca um peão em vários tabuleiros do xadrez político nacional; os seus membros mais actuantes estão ligados aos rotários; e não é de excluir a filiação de alguns na Maçonaria.

Espero ter demonstrado como o problema é muito mais vasto do que a particularidade de o Governo Regional dos Açores se encontrar nas mãos do PS.

Mesmo assim, confio na eficácia da PGR dirigida pelo Ex.mo Conselheiro Pinto Monteiro!
03.Janeiro.2008
... : Mendes de Bragança
Peço ao anterior comentador que seja claro e responda a esta pergunta: há indícios de corrupção na magistratura judicial e do MP de Ponta Delgada?
Se há, do que é que está à espera? Participe contra os juízes e os magistrados do MP.
Quer saber a minha opinião? Não acredito em quaisquer indícios de corrupção. As magistraturas em Portugal andam de mão limpas, de cara lavada e de cabeça erguida.
04.Janeiro.2008
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Como divide o seu comentário em três parágrafos, divido a resposta também em três e sigo a sua ordem. Assim, temos:

1 - Não, não há: eu denuncio o mal porque isso me divirte.

2 - Prejudicada pela resposta anterior!

3 - São uma delícia!



04.Janeiro.2008
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