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Apesar das críticas
feitas pelo Procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, o
ministro da Justiça não cede e avança com o sistema Citius - reforma
informática na Justiça - não só para os tribunais mas também para o
Ministério Público (MP).
"Entre
os serviços do Ministério da Justiça (MJ) e da Procuradoria-Geral da
República estão a ser desenvolvidos trabalhos para disponibilizar o
Citius-MP, que permita o aproveitamento da informação existente pelos
magistrados", sublinhou ontem ao DN fonte oficial do gabinete do
ministro Alberto Costa. Este "finca-pé" é a resposta de Alberto
Costa às divergências que há dias manteve com o PGR na aplicação do
Citius - um novo portal de Internet que permite a circulação
electrónica dos processos e uma comunicação imediata com as forças
policiais.
Isto porque o Ministério da Justiça quer simplesmente
alargar ao Ministério Público o sistema Habilus - usado nas secretarias
dos tribunais e recentemente melhorado e rebaptizado como Citius, mas
que constitui uma solução rudimentar de registo de entrada e circulação
de processos.
O ministro da Justiça, Alberto Costa, pretende ainda
que a gestão do sistema informático do órgão liderado por Pinto
Monteiro seja feita pelos serviços do ministério - o que poderá pôr em
causa o princípio de autonomia do Ministério Público, na óptica do PGR.
Estas divergências acentuaram-se ainda mais depois de Pinto
Monteiro ter pedido a intervenção de José Tribolet, presidente do INESC
e professor do Instituto Superior Técnico, para estudar as aplicações
informáticas existentes na Justiça, tendo sido entregue um relatório em
Fevereiro passado na procuradoria e no Ministério da Justiça.
Segundo
avançou no dia 22 de Março o semanário Sol, José Tribolet concluiu que
o MP precisa de um sistema informático próprio e independente e que
"não é possível evoluir o Habilus de forma a responder às suas
necessidades. E diz que, além do MP, todo o sector da Justiça necessita
com urgência de um verdadeiro sistema, com soluções informáticas
compatíveis entre si e adequadas ao papel desempenhado por cada um dos
operadores judiciários.
No entanto, a mesma fonte oficial do
gabinete de Alberto Costa garante que "a análise do pormenor do
referido parecer será efectuada no âmbito dos trabalhos que têm vindo a
ser desenvolvidos entre MJ e PGR". Mas adverte: "O mesmo estudo formula
propostas que vão de encontro às já avançadas pelo MJ em 2005 e que
este tem vindo a implementar de acordo com o projecto de
'Desmaterialização de Actos e Processos na Justiça’.
Críticas de Morgado
A procuradora adjunta, Maria José Morgado, veio
criticar abertamente, no início deste mês, o sistema informático do
Ministério Público, classificando-o de "artesanal" e que não tem
capacidade de comunicar com celeridade com a polícia. "A questão é que
temos um sistema informático que não nos serve naquilo que existe neste
momento e estamos numa situação de impasse porque ainda não foram
tomadas medidas de fundo para todas estas infra-estruturas", denunciou
a directora do DIAP.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 02.04.2008
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