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Avaliação de procuradores com critérios mais objectivos
21-Out-2009
Grelhas objectivas, compostas por “dezenas de itens” pontuados individualmente, com classificações de 0 a 20. Dentro de pouco tempo os magistrados do Ministério Público serão sujeitos a novos critérios de avaliação, com menor margem de subjectividade. A proposta esteve ontem em cima da mesa no plenário do Conselho Superior do Ministério Público e espera-se que a aprovação final seja possível já na próxima reunião.

Uma inspecção para avaliar o trabalho de um procurador não poderá deixar de ser subjectiva, mas reduzir essa margem e tornar os critérios mais rigorosos é o objectivo do novo regulamento em discussão. No futuro será exigido um esforço maior aos inspectores, mas ganha-se em transparência. E as grelhas de avaliação poderão servir de “guia de actuação” para os magistrados, que ficam a ter uma listagem exaustiva dos objectivos a cumprir.
As grelhas procuram contemplar as especificidades de cada área - quem trabalhar na investigação criminal não será avaliado nos mesmos parâmetros que um magistrado colocado num tribunal de família ou do trabalho.
Outra novidade da proposta é a limitação do período de actividade dos inspectores - poderão ficar no máximo seis anos nessa função. Hoje há inspectores com 10 ou 15 anos no serviço e, considera um conselheiro, “perdem completamente a noção da realidade dos tribunais e correm o risco de ficar burocratizados”.
João Correia, advogado que participou na elaboração das propostas, assegura que existe “unanimidade na objectivação da avaliação”. Opinião partilhada por conselheiros eleitos pelos magistrados ouvidos pelo i, que lembram haver um trabalho antigo iniciado nesta área, mas que ficou depois longo tempo arrumado na gaveta.

GRUPO DE COIMBRA
A primeira iniciativa para mudar o regulamento de inspecções teve a participação de Rodrigues Maximiano, já falecido. “Sem desvirtuar o primeiro projecto”, foi entretanto formulada a proposta em discussão, da autoria de Euclides Dâmaso (do Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra), Rui Alarcão (antigo reitor da Universidade de Coimbra e conselheiro eleito pelo parlamento), Braga Temido (procurador-geral distrital de Coimbra) e João Correia (advogado eleito pela Assembleia da República).
Para o trabalho avançar contribuiu, segundo um conselheiro, o polémico editorial do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público que, em Julho, lançou acusações de imobilismo ao Conselho Superior do Ministério Público.
Outro ponto ontem em análise tem a ver com as conclusões do Observatório Permanente da Justiça relativamente à reforma penal. Foi aprovada uma deliberação lembrando que a avaliação das leis penais, divulgada na semana passada, veio dar razão às críticas desde o início assumidas pelo Conselho Superior.
Os novos códigos Penal e do Processo Penal causaram “perturbação à sociedade”, diminuíram a protecção das vítimas e reduziram a capacidade de lutar contra a criminalidade, por isso a deliberação aponta a urgência de serem tomadas as necessárias alterações legislativas. A tomada de posição deverá ser enviada ao governo e à Assembleia da República.
Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, optou por não se pronunciar e absteve-se na votação da deliberação, tendo em conta que participou no processo legislativo.

CONSENSO
As críticas à reforma penal foram unânimes logo que os novos diplomas entraram em vigor, em Setembro de 2007. “Foi das poucas vezes em que o Conselho falou a uma só voz”, recorda um conselheiro.
Na semana passada, reagindo à divulgação das conclusões do Observatório Permanente da Justiça - que traça um retrato muito crítico do sector e aponta propostas de alteração legislativa -, o procurador-geral da República recorreu a alguma ironia. “Gratuitamente, dissemos há dois anos o que havia a corrigir e não fomos seguidos. Perderam-se dois anos, custosamente”, afirmou Pinto Monteiro, no Brasil.

João Palma tem direito a dispensa de serviço
Mesmo estando colocado em comissão de serviço na Inspecção-Geral da Administração Interna, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público tem direito a dispensa de serviço para actividades sindicais. Este foi, apurou o i, o sentido do parecer pedido ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República pelo Ministério da Administração Interna, na sequência de dúvidas levantadas pelo inspector-geral. O Conselho Consultivo reuniu–se no passado dia 8 para apreciar a questão, mas não foram divulgadas as conclusões - que não têm carácter vinculativo, mas evidente peso institucional. João Palma, presidente do sindicato, explica que até agora não foi notificado da decisão. “Desconheço, assim como o sindicato, qualquer deliberação do Conselho Consultivo”, afirma.

INÊS CARDOSO | I-ONLINE | 21.10.2009

Comentarios (2)add
... : António
Nem a magistratura escapa ao SIADAP.
22.Outubro.2009
... : Calhau
Não h a ninguém que comente a opnião do
22.Outubro.2009
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