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07-Jun-2007

O fiscalista Saldanha Sanches desvalorizou esta terça-feira o pedido do advogado José António Barreiros para uma investigação criminal na sequência das suas afirmações à VISÃO do passado dia 31 de Maio. José Luís Saldanha Sanches, especialista em Direito Fiscal e mandatário financeiro da candidatura de António Costa (PS) à Câmara de Lisboa, afirmou que «nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica».

«Há ali uma relação de amizade e cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial», disse Saldanha Sanches.

As declarações, que vão ser analisadas, esta quarta-feira, em reunião do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), já tinham sido consideradas «gravíssimas» pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

Professor universitário e especialista em Direito Fiscal, Saldanha Sanches é casado com Maria José Morgado, responsável do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Ministério Público e coordenadora das investigações do MP à corrupção no futebol no âmbito do processo Apito Dourado.

Saldanha Sanches reiterou, entretanto, à Agência Lusa as afirmações feitas à VISÃO, salientando que «a excessiva proximidade com as autarquias pode ser um obstáculo à imparcialidade».

Quanto ao pedido de José António Barreiros para uma investigação criminal na sequência das suas afirmações, disse que o advogado «está a tentar mostrar-se como o grande defensor da justiça».

«O que José António Barreiros diz é que todos os magistrados deste país são arguidos por minha causa, por causa do que eu disse», afirmou.

Sobre a reunião do CSMP disse que aquele organismo «está no seu direito» e acrescentou que não tem de ser informado antecipadamente.

O advogado José António Barreiros apresentou na segunda-feira no DIAP uma denúncia criminal contra incertos, pedindo ao procurador adjunto que investigue os alegados crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva e abuso de poder subjacentes às declarações de Saldanha Sanches.

Em entrevista à SIC Notícias na segunda-feira à noite, José António Barreiros considerou que Saldanha Sanches «denunciou crimes» e que, perante esse facto, «ninguém poderia ficar indiferente», sustentando que «o sistema jurídico tem de tomar a sério» as declarações do fiscalista.

Para Saldanha Sanches, tudo não passa «de uma cabala de advogados pouco esclarecidos».

Também na segunda-feira o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) considerou «gravíssimas» as declarações de Saldanha Sanches à revista VISÃO e pediu na semana passada a intervenção do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.

O SMMP refere que Saldanha Sanches aludiu ao facto de ser frequente nas autarquias da província, haver «captura do Ministério Público pela estrutura autárquica».

No entender do sindicato, tais declarações «lançam um injusto e intolerável clima de suspeição sobre a generalidade da magistratura do Ministério Público que, imperativamente, terá de ser dissipado».

Sobre a posição do SMMP, Saldanha Sanches refere apenas que as suas palavras «chocam com as intenções do sindicato que estão mais preocupados com os seus sócios do que com os obstáculos a uma justiça eficiente».

Já o candidato à Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, concorda com as afirmações do fiscalista Saldanha Sanches sobre a ligação entre autarcas e magistrados do Ministério Público, adiantando que em tribunal os magistrados se portam como funcionários autárquicos.

António Marinho Pinto disse que Saldanha Sanches «tem 100 por cento de razão», adiantando que «em alguns locais há captação (por parte das autarquias) do Ministério Público e até de juízes».

«Há uma promiscuidade muito grande entre presidentes de câmara e magistrados do Ministério Público», referiu, acusando «alguns magistrados do Ministério Público de se portarem em tribunal como funcionários da Câmara».
IN VISÃO

«O Conselho Superior do Ministério Público vai apreciar, na sua reunião de hoje, as declarações do professor universitário de Direito Fiscal Saldanha Sanches, publicadas, na_ semana passada, na revista Visão, acerca da "cumplicidade" entre o Ministério Público e as autarquias da "província" que põe em causa a independência judicial.
Estas afirmações foram consideradas "gravíssimas" pela direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), que já pediu a intervenção do presidente do Conselho Superior do Ministério Público, no sentido de "desencadear os procedimentos que julgue adequados com vista ao esclarecimento total do conteúdo de tais acusações".
Também o advogado José António Barreiros apresentou, ontem, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), uma queixa-crime contra incertos com vista à investigação de eventuais crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva e abuso de poder, subjacentes às declarações de Saldanha Sanches.
Questionado sobre as razões da falta de resposta da "máquina judiciária" ao fenómeno de corrupção nas autarquias pelo jornalista da Visão, Saldanha Sanches, mandatário financeiro da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa e marido da directora do DIAP de Lisboa, Maria José Morgado, afirmou: "Nas autarquias da província, há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público pela estrutura autárquica. Há ali uma relação de amizade e de cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial".
Estas declarações foram consideradas de uma "gravidade incomensurável" por José António Barreiros, considerando que, a serem verdadeiras, tal significa que "a liberdade de actuação do Ministério Público na província está cerceada" e que os magistrados do Ministério Público "praticam crimes, por via da sua ‘captura' pela ‘estrutura autárquica'.
Em declarações ao PÚBLICO, Saldanha Sanches sustentou o seu raciocínio, referindo como exemplos de "sintomas claros" de cumplicidade as fotografias de autarcas junto a procuradores publicadas em vários jornais.
São imputações que, na perspectiva do SMMP, "lançam um injusto e intolerável clima de suspeição sobre a generalidade da magistratura do Ministério Público que, imperativamente, terá de ser dissipado".»
IN PÚBLICO

Comentarios (20)add
... : Drieu la Lys
Mais uma amostra de país da laracha!
Sr. Dr. Saldanha Sanches, o senhor que até andou pelas estruturas emancipadas da consciência proletária adquirida por vós, concretize.
O Real é a mudança (lembra-se ?), o discurso burguês é o da metáfora da indeterminação (lembra-se ?).
07.Junho.2007
... : galego
A captação até de juízes pelas autarquais, no dizer de Marinho Pinto, não tem nada a ver com meter água, ou tem?
08.Junho.2007
... : Hannibal Lecter
Mais um vez o Dr. Barreiros foi brilhante. Num País onde se respira um ar fétido de lassidão moral e ética e derrocada lenta e silenciosa dos orgãos de soberania, onde tudo se pode dizer e tudo se pode sugerir sem consequências (a não ser que o alvo seja o sr. José Socrates, primeiro ministro, caso em que há consequências imediatas e severas), a iniciativa do Dr. José Barreiros aparece à primeira vista como inocente, quase cândida, mas olhando melhor percebe-se a inteligência do acto: o Dr. Barreiros comporta-se como um recém-chegado da galáxia de Andrómeda que fica abismado com o que vê e ouve, e reage em conformidade, como um "Andromedano" reagiria, recorrendo aos orgãos competentes para que se faça cumprir a lei do País. Mas o que é mais repelente nesta história toda é que apareceram como de costume inúmeros personagens habituais nestas coisas, alguns inenarráveis, que nem pensaram duas vezes e vai de criticar e vilipendiar a pureza e a inocência do gesto, e colocarem-se do lado da podridão.
Este País foi uma experiência interessante mas que correu mal, e já vai sendo tempo de lavar as provetas e as lamelas e fechar o laboratório
08.Junho.2007
... : PRodrigues
O Prof. Saldanha e as suas "Saldanhadas"...

Diz o "iluminado" que "temos que pressupor" que alguns magistrados não cumprem os seus deveres deontológicos.
Esse cuspo bate-lhe na cara!
Será, etão, que "temos que pressupor" que o Tribunal Constitucional está "capturado" pelo Governo, quando aceita "in extremis", pareceres sobre diplomas em apreciação - também subscritos por sua Eminência?
Será que temos "que pressupor" que o Ministério Público ficou "capturado" pelos movimentos de despenalização do aborto quando uma Digna Magistrada particuipa em acções de campanha?
Será que temos que pressupor que a nomeção de Sua Excelência o cônjuge como "mandatário financeiro" de uma lista concorrente à Câmara de Lisboa não indicia uma "captura" do Ministério Público pela referida lista?

Tudo é possível pressupor na lógica delirante do Senhor Professor.

De uma coisa eu já tinha a certeza: a lista dde que faz parte sua Eminência reúne tudo o que há boas alminhas; o resto é gente vil, corrupta e desperzível.

Agora só me resta a dúvida: viverei na provincia?
Estarei eu no rol dos presumíveis capturados?

Seria bom que o CSM e o CSMP, o quanto antes, informassem os Senhores Magistrados de quais as comarcas que são "de província" nesta novíssima reforma judiciária.

É que, agora, se calhar, quero mesmo concorrer!
08.Junho.2007
... : Tanso Pacóvio
OS ILUSTRES

O Ilustre Advogado limitou-se a fazer um favor ao Ilustre Fiscalista. Este pôs-se a fazer afirmações graves, que indiciam a prática de crimes, mas como não é especialista na matéria foi fazê-las no sítio errado, num jornal. Como os jornais ainda não têm competência para investigar a prática de crimes e levar os responsáveis a julgamento, o Ilustre Advogado conduziu simpática e suavemente o Ilustre Fiscalista à porta adequada para fazer aquelas denúncias.
No fundo, o Ilustre Advogado limitou-se a demonstrar amizade pelo Ilustre Fiscalista, orientando-o na boa direcção, numa altura em que este último parecia estar um pouco perdido.
Mas em vez de um agradecimento por parte do Ilustre Fiscalista ao Ilustre Advogado, aquele sacudiu com força e irritação o braço que este gentilmente segurava.
Acorreram vários Ilustres opinadeiros nacionais a opinar, uns a favor do Ilustre Advogado outros a favor do Ilustre Fiscalista.
Aguarda-se com enorme expectativa para ver o que o Ilustre Fiscalista irá dizer quando for chamado perante o Ilustre Procurador do Ministério Público.
Tudo isto faz-me lembrar um cartoon duma revista brasileira em que um individuo passou o dia a fazer compras nas mais diversas lojas e quando lhe diziam o preço ficava furioso e berrava "O quê ? Isso é um assalto !" Até que, quando já ia de regresso a casa, foi barrado num beco escuro e encostado à parede por um assaltante que lhe encostou uma arma à testa, e entregou a carteira com todo o seu dinheiro e não emitiu um som...
08.Junho.2007
... : Alberto Ruço
"Nas autarquias da província, há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público pela estrutura autárquica. Há ali uma relação de amizade e de cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial".
Se isto foi dito é grave.
É grave porque não identificando os casos, atribui-se a todos os magistrados do Ministério Públlico que exercem funções na dita provincia a qualidade moral de não exercerem a sua função com independência quando estão em casa ilícitos cometidos por autarcas.
Se o autor da afirmação conhecia casos concretos devia mencioná-los e ficar-se por aí.
Ninguém tem qualquer direito a prejudicar outro cidadão, seja ele quem for, salvo se tiver motivo justificado.
Por isso, quando nos dirigimos aos outros, através da comunicação social, temos de ser especialmente cuidadosos para não prejudicar os outros.
Falar mal de juízes e magistrados do Ministério Público de forma geral, sem apontar casos concretos, tem sido uma prática corrente nos últimos anos.
Tal prática é muito facilitada pelo facto destes não terem hipóteses de se defenderem.
Faz parte dos livros que quando uma vítima é agredida uma vez, as hipótese de voltar a ser agredida aumentam, salvo se a vítima tiver efectiva capacidade de se defender e ripostar.
Já vai sendo tempo de encontrar forma de responsabilizar as pessoas pelos danos morais que causam aos outros na comunicação social a coberto de imputações genéricas e moralmente negativa, dirigidas a grupos profissionais ou outros.
É que, se não se exigirem responsabiulidades a quem assim actua, a ideia que começa a gerar-se no espírito do cidadão é a de que tais comportamentos estão correctos e passam a emitá-los.

08.Junho.2007
... : quaselicenciado
Será que os srs. presidentes dos Supremos e do Tribunal Constitucional não devem ser fotografados ao lado dos Srs. PR, PM ou lideres parlamentares??
Será que os Juizes e os Procuradores têm de ficar fechados ou em casa ou no tribunal?
Será que os jurisconsultos poderão continuar a dar todo o tipo de pareceres?
09.Junho.2007
... : Zeca
Quaselicenciado:
pode questionar tudo...mas há regras de atendem rois sociais. Existem antes de você ter nascido...
09.Junho.2007
... : Catarina
Vimos todos os dias cidadãos deste país serem julgados,condenados,nas páginas dos jornais,nos telejornais,sejam magistrados,autarcas,ministros,antes muitas vezes de serem sequer serem constituídos arguidos.Com a ajuda destes justiceiros de serviço,sáo lançadas suspeições generalizadas sobre as pessoas.È tempo de fazer alguma coisa,responsabilizar quem pratica estes actos,quem acusa tem que provar.È preciso restituir as pessoas que forem atingidas injustamente,o direito de verem o seu bom nome proclamado pelos que praticaram estas falsas notícias.
09.Junho.2007
... : quase-engenheiro
zeca
porquê?
10.Junho.2007
... : Zeca
A regra da comunicação é a determinação discursiva. Numa democracia, em que há um plano de igualdade na palavra, impõe-se concretização e não a laracha, a pesca sem anzol, o insinuar indeterminado. Há centenas de magistrados..., e terão todos que suportar a laracha ?
Tem fé no contraditório ?
Como responder a um discurso indeterminado ? Agora, percebe que isto já existe há muito tempo...
Pois é.
A validade de uma análise também depende do tempo...
10.Junho.2007
... : Drieu La Lys
O tempo, o contraditório, e a palavra.
Houve tempos em que da cátedra vinham coisas para o país que impunham a reflexão.
Hoje, é o discurso vago, com resposta também vaga.
Da cátedra, vem a laracha. Falta de rigor.
Como diz zeca, uma democracia amadurecida não vai em termos vagos, pouco definidos. Para mim, nem sequer se trata de democracia, trata-se do facto de o homem ser um ser que fala. E se fala, comunica. E se comunica, põe em comum. E se põe em comum, transmite. E se transmite, colocará em compreensão. E se compreendido, pôs em comum. Comunicou.
Daí o concreto ou o abstracto significativamente compreendido.
Para uns dizer 4-3=1, demora 3 segundos à compreensão, outros demoram-se mais...
10.Junho.2007
... : Armando
Entreguem o país ao casal maravilha!
11.Junho.2007
... : quase-engenheiro
o problema é que o mp tem tripla personalidade.
11.Junho.2007
... : Ordem e Caos
E liberdade de expressão?

Se há suspeitas, será porque motivo?

Afinal, há alguém do MP que tenha ficado melindrado no seu direito ao bom nome, reputação, etc.?

Pelo que se tem vindo últimamente a suspeitar na sociedade Portuguesa, estão todas as classes em "cheque": política ( Governo, Deputados, Poder Autárquico, Governo Civil, etc), dirigentes de futebol, árbitros, polícias, universidades etc.

Quase toda a gente desconfia da seriedade de todos, e porque será?

Analisem os rankings de corrupção, e Portugal encontra-se em que posição?

A Dinamarca, Suécia, Suiça, Noruega que lugar ocupam? E porque?

Quem não deve, não teme.

13.Junho.2007
... : quase-licenciado
já pouco há a fazer para ajudar um país masoquista e sem amor á dignidade e ao progresso...
14.Junho.2007
... : Menino Carlinhos
Até hoje só houve um «justiceiro» que admirei: Zorro! Pelo simples facto de combater pela Justiça de forma anónima, usando uma mascarilha! Quanto aos demais, fico sempre na dúvida onde começa o seu combate sincero por tal causa e termina a vaidadezinha pessoal, para, em certos casos, até, me interrogar se não serão já um caso do foro clínico-psiquiátrico!
14.Junho.2007
... : Oliveiradafigueira
Também o homem de Santa Comba era provinciano. Ao que consta não foi capturado pelo poder económico-financeiro da época. Cultivou a modéstia, um certo desapego material no exercício do poder, uma certa probidão e lisura nos costumes.
Resultado: esta conduta é parodiada e caricaturada até à exaustão, em nome de um cosmopolistismos e de uma superioridade moral serôdias. É pena. O homem tentou incutir um paradigma na sociedade portuguesa. Não resultou e pouca coisa restou. Valeria a pena perceber porquê.

14.Junho.2007
... : João Carlos
Diz o Sr. Saldanha "provincia", depois quando se justifica na televisão, até falou de alguém de Cascais, então, e Lisboa ...também, pode ser provincia e também, pode haver capturas...
14.Junho.2007
... : J.Marto
O Dr. Saldanha está a precisar de ser Ministro para ver se passam aqueles tiques revolucionários e pequeno-burgueses.

15.Junho.2007
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