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Vitória dos juízes e dos cidadãos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
21-Dez-2007
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses, a Associação Juízes pela Cidadania e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público congratularam-se com o «chumbo» pelo Tribunal Constitucional da norma que incluia os magistrados judiciais na carreira da Função Pública. António Martins sublinhou que «Os cidadãos também devem estar satisfeitos por isto»,  acrescentando que a decisão do TC «assegura para os cidadãos a possibilidade de continuar a ser feita uma Justiça independente e imparcial».

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins, disse tratar-se de uma «teimosia» essa intenção do Governo.

Para António Martins, a vigorar, a legislação colocaria em causa a independência dos juízes, ao equipará-los a funcionários públicos, com a inerente inclusão numa hierarquia.

Tal intenção «é pouco compreensível» e «nunca em 32 anos de democracia nenhum Governo tentou introduzir uma norma destas» na legislação, disse o juíz à Lusa.

«Os juízes sempre tiveram um estatuto próprio desde 1977», salientou, acrescentando que «não são funcionários públicos no sentido estrito do termo».

A fiscalização do diploma sobre vínculos, carreiras e remunerações da Função Pública havia sido solicitada ao Tribunal Constitucional (TC) pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que manifestara dúvidas acerca da pretensão do Governo de incluir os juízes na Função Pública.

«A intenção não podia ser boa. Não tinha uma explicação clara e aceitável», considerou o presidente da ASJP, admitindo que tratou de uma «tentaiva de quebrar a independência dos juízes», numa «atitude pouco compreensível».

António Martins referiu, também, que «apenas o Governo e algumas pessoas do PS [partido governamental], não todas», é que apoiavam o diploma cuja norma referente aos magistrados judiciais foi considerada inconstitucional.

«Os cidadãos também devem estar satisfeitos por isto», sublinhou, acrescentando que a decisão do TC «assegura para os cidadãos a possibilidade de continuar a ser feita uma Justiça independente e imparcial».

«Vitória da independência da Justiça»

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Juízes pela Cidadania (AJpC), Rui Rangel, também se congratulou com o parecer do Tribunal Constitucional.

«Congratulamo-nos com a decisão do TC, porque entendemos que é uma vitória da independência da Justiça, da democracia, do Estado de direito e do princípio da separação de poderes», vincou Rui Rangel.

«É uma vitória de todos os juízes portugueses sobre a arrogância, autismo e prepotência de um Governo, designadamente do Ministério das Finanças, que tem uma visão completamente distorcida sobre a dignidade da Justiça», acrescentou.

«Embora registe com agrado a disponibilidade do PS em alterar o diploma, lamento que não seja um Governo democrático a defender a independência da Justiça como um valor constitucional intocável e tenha que ser o Tribunal Constitucional a fazer a defesa desse valor», disse também o dirigente da AJpC.

Segundo Rangel, «este Governo persiste em introduzir ruído, agitação e tomar medidas que em nada prestigiam uma instituição que precisa de paz e serenidade».

O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), António Cluny, também manifestou «satisfação» pelo parecer do TC e espera que «o Governo possa agora resolver de forma conveniente» a questão.

PORTUGAL DIÁRIO | 20.12.2007 

Comentarios (10)add
... : Burke-em-Terras-de-Cister
Uma nota:
--4 juízes indicados pelo PS votaram vencido.
-Se alguém tiver dúvidas sobre a natureza politica da entidade, ela resulta não como dúvida mas como certeza.
*
-É certo que há sempre uma intencionalidade política no legislar. Não é isso que está em causa. O que está em causa é a má fé.
*
A má fé é hoje um vício dos intelectuais ou, de outra forma, da racionalidade hodierna.
Ela resulta numa construção de um paradigma discursivo de um nós, afastando uns outros, quando mesmo a proposição fosse teoricamente defensável para o grupo.
*
Ninguém duvida que o PS participou na construção da democracia. E de uma maneira sã. As suas declarações de princípios, as suas práticas nas várias revisões constitucionais foram sempre de garantia da incolumidade da divisão de poderes.
*
Só que hoje, ainda com intencionalidades ocultas e atinentes a um grupelho dentro de tal partido, quer visivelmente pôr em causa a sua tradição. Só porque um nós vê um inimigo nuns outros...
21.Dezembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
O Estado de Direito tremeu.
Tremeu mas não caiu.
O Tribunal de Constitucional travou mais um passo no caminho para o Totalitarismo.
Mas cuidado, não se congratulem cedo de mais, pois há muitas vias na marcha para Roma.
21.Dezembro.2007
... : mfr
O Sr. Burke-em-Terras-de-Cister disse:
Uma nota:
"4 juízes indicados pelo PS votaram vencido.
Se alguém tiver dúvidas sobre a natureza politica da entidade, ela resulta não como dúvida mas como certeza".

Tem toda a razão.

Mas o que vale é que não passou e é com satifação e algum descanso, por ora, que iniciaremos este período de festas natalícias. smilies/smiley.gif
21.Dezembro.2007
... : Al tagus
O Sr. Burke-em-Terras-de-Cister, tem inteira razão. Mas discordo quando chama de juízes aos integrantes do quarteto maravilha...
Afinal não passam de membros da classe dos invertebrados....Se tivessem um pingo de vergonha e pudor ou ao menos idoneidade científica nunca se teriam votadso como votaram.
21.Dezembro.2007
... : justum ac tenacem
Do texto e da conformidade da informação colhida se extrai com toda a clareza e inequivocidade, a isenção, probidade, honestidade e integridade intelectual (?)como decidem os "Conselheiros" indicados.... pelo dito.
Feliz Natal a todos e um Ano Novo com muitas decisões como esta.....SEMPRE pelo primado da JUSTIÇA E DO DIREITO
Ah .... Mas não se esqueçam..... "A luta continua...." porque além do mais "I have a dream...."
Pela Independencia e liberdade da Magistratura


21.Dezembro.2007
... : Abc
POR JUIZES INDEPENDENTES, lutar lutar! DISCRETA mas CONSTANTEMENTE!!
21.Dezembro.2007
... : CPM
É caso para alegria
Mas a afronta não esquece
Por isso, as palmas que dou
É só para quem merece

P´ra quem votou a favor
Óbvio que vão para a montra
Não merecem nossas palmas
Quatro que votaram contra

Torna-se bem cristalino
E é de todo apodíctico
Que os que votaram contra
Seguiram sopro político

E é mau que um tal órgão
Nos transmita esse sinal
De que há razões políticas
Quando julga um Tribunal

Era mais conveniente
Pelo menos assim acho
Que não dessem a visão
De que só lá ´stão por tacho


Será também desse modo
Seguindo-se o mesmo curso
Se mudarem p´ró Supremo
As regras do seu concurso

Estejamos, pois, atentos
Não ficando na ilusão
Pois esta gente medíocre
Tem em mente essa intenção

21.Dezembro.2007
... : AJD
Concordo com o que escrreveu o Burke-em-Terras-de-Cister. De resto, só o grande prestígio daquelas pesoas que foram apelidadas de juízes lhes permitiu o acesso ao alto tribunal que é o TC. Já agora, quem são as pessoas em causa, já que lidos os nomes não consigo perceber em que se notabilizaram!!!!
Já agora, sempre quero ver quem serão os indicados pelo poder político que aceitarão ir em permanência para vogais do CSM. A não ser que paralelamente se esteja a preparar qualquer coisa de especial sobre o respectivo estatuto remuneratório ....


22.Dezembro.2007
... : Afonso II : http://Braga
Nem me apetece comentar o artigo mas nele reparei que onde se lê:
" António Martins sublinhou que «Os cidadãos também devem estar satisfeitos por isto», acrescentando que a decisão do TC «assegura para os cidadãos a possibilidade de continuar a ser feita uma Justiça independente e imparcial».
Devia ler-se:
" António Martins sublinhou que «Os cidadãos também devem estar satisfeitos por isto», acrescentando que a decisão do TC «assegura para os cidadãos a possibilidade de começar a ser feita uma Justiça independente e imparcial».o melhor opinião.
A frase ficaria assim correcta, salvo melhor opinião.
Boas Festas.

22.Dezembro.2007
... : cgf
Não nos acomodemos a esta vitória porque donde veio este ataque hão-de vir mais.
O que é preocupante é a insensibilidade da sociedade civil perante esta questão da independência dos Tribunais.
É urgente informar e formar a população sobre a razão de de ser do poder judicial e da sua independência.
31.Dezembro.2007
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