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A reforma do Mapa Judiciário vai obrigar a um movimento extraordinário de juízes para as
comarcas-piloto, já depois de os magistrados serem colocados em
Setembro deste ano. Segundo uma fonte do Conselho Superior da
Magistratura, tal deverá ocorrer em Dezembro, uma vez que a experiência
nas comarcas-piloto (Alentejo Litoral, Baixo Vouga e Grande Lisboa
Noroeste) arranca em Janeiro de 2009.
“Lá se foram os 80% de apoio”. O comentário foi da deputada Helena
Pinto, do Bloco de Esquerda, minutos após o ministro da Justiça,
Alberto Costa, ter afirmado que a reforma do mapa do judiciário contou
com 80% de apoio dos partidos e de, na resposta, o PSD ter declarado
que iria votar contra. A proposta do Governo, votada ontem no
Parlamento, foi aprovada, mas só com os votos do PS.
As críticas dos partidos da oposição tiveram um denominador comum: o
Governo apresentou um projecto em abstracto sem dizer concretamente o
que vai mudar nos tribunais. Alberto Costa, ministro da Justiça,
respondeu que o mapa do Governo vai trazer mais “equidade territorial”,
aproximando mais os serviços de justiça dos cidadãos. Apesar de ter
repetido a expressão “este Governo não vai fechar tribunais”, a
oposição não acreditou. O PCP afirmou que não existe um artigo na lei
que garanta o não encerramento, Rui Gomes da Silva, do PSD, afirmou não
estar convencido apenas com “o compromisso político” do ministro.
Seja como for, certo é que a reforma vai obrigar a um movimento
extraordinário de juízes para as comarcas-piloto, já depois de os
magistrados serem colocados em Setembro deste ano. Segundo uma fonte do
Conselho Superior da Magistratura, tal deverá ocorrer em Dezembro, uma
vez que a experiência nas comarcas-piloto (Alentejo Litoral, Baixo
Vouga e Grande Lisboa Noroeste) arranca em Janeiro de 2010.
“Este método não é positivo para a estabilidade dos tribunais. O ideal
era o mapa arrancar em Setembro de 2010, num novo ano, mas o Governo
não quer assim”, declarou ao Expresso António Martins, presidente da
Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP). Para António
Martins, o arranque da experiência nas comarcas-piloto deverá ser
apetrechado com “meios humanos e materiais”. “É preciso que não haja
falhas, porque se as coisas correrem mal, a reforma pode nem sequer
avançar”.
O novo mapa judiciário prevê a repartição dos actuais serviços de um
tribunal por vários tribunais, agregados numa só comarca. Para Rui
Gomes da Silva, o Governo só ainda não concretizou o que vai, de facto,
mudar por ter “medo dos autarcas”. Em 2009 há eleições autárquicas e
legislativas.
EXPRESSO | 03.05.2008
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