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Juízes lançam alerta criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Nov-2007

Os juízes consideram que as competências "excessivas" atribuídas ao futuro secretário-geral do Sistema Integrado de Segurança Interna (SISI), que será nomeado pelo Governo, constituem o "início de um caminho muito perigoso para um adequado funcionamento do Estado de Direito".Este alerta consta de um parecer da direcção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), a que o CM teve acesso, no qual se critica também a "confusão e subordinação total da investigação criminal à segurança interna".

Admitindo a "gravidade" da crítica, os magistrados explicam que "compreende-se mal" a forma de nomeação do secretário-geral do SISI - por proposta conjunta dos ministros da Administração Interna e da justiça -, lembrando ainda que "funcionando na dependência directa do primeiro-ministro, é óbvio que terá de ter a sua confiança política e pessoal e, assim, melhor seria assumir isso claramente".

A ASJP critica ainda o facto de o Parlamento ficar à margem desta nomeação.Com competências no âmbito da segurança interna, coordenação, controlo e comando operacional de forças e serviços de segurança e "até de direcção dos sistemas, meios tecnológicos e outros recursos", os juízes dizem que o secretário-geral do SISI não deve ter acesso a informação de natureza criminal, mas questionam como é que exercerá as suas competências de coordenação sem aceder a tais dados. E alertam: "A segurança interna é seguramente um valor essencial a ser assegurado pelo Estado. Mas não o pode ser a qualquer título e por qualquer meio. É matéria em que a velha máxima `Os fins não justificam os meios ‘tem plena aplicação’.

Para António Martins, presidente da ASJP, que pretende suscitar o debate, é necessário haver "clarificação entre segurança interna e investigação criminal". Aliás, no âmbito da Lei de Organização e Investigação Criminal, o juiz alerta mesmo para o perigo de violação do princípio da autonomia do Ministério Público e do princípio da separação de poderes, uma vez que o poder político poderá "ter acesso a matérias que são da competência dos tribunais".

CORREIO DA MANHÃ | 08.11.2007


 

Controlo do juiz é essencial para escutas feitas no SIS. Figura do juiz afecto ao SIS e fora do Ministério Público não colhe consenso. independência dos juízes em causa, diz a ASJP

Juízes afectos aos serviços de informações é uma ideia repudiada frontalmente pelo presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Francisco Martins. "Já não basta transformarem juízes independentes em funcionários, agora querem pôr juízes ao serviço das informações", defende o magistrado, contactado pelo DN.

O comentário surge na sequência da notícia publicada ontem pelo DN que admitia a realização de escutas telefónicas pelos serviços de informação, autorizadas por um juiz, mas sem que esses processos esteja sob a tutela do Ministério Público. Ideia contrariada por António Costa, actual presidente da Câmara de Lisboa, e número dois de José Sócrates. "Nunca pode haver nenhum sistema em que os magistrados judiciais estejam incorporados nos serviços de informação. É típico deste Governo lançar estes balões de ensaio para perceber a anestesia das sociedades em relação a problemas graves", concluiu António Martins, da ASJP.

Da parte dos advogados, Rogério Alves, que ocupa o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados até ao final do mês, considera que "é fundamental que, se houver escutas feitas outros serviços, haja um processo, um responsável, uma finalidade e um juiz". Rogério Alves considera essencial que, mais do que se alargar a possibilidade de fazer escutas por outros serviços, é importante garantir um controle jurisdicional dessa actividade.

Só da parte do Ministério Público é que a ideia do Governo acolhe consenso: Júlio Castro Caldas, ex-Ministro da Defesa de António Guterres e membro do Conselho Superior do MP, não considera a ideia chocante. "Portugal tem de aperfeiçoar o sistema para que haja um controle bem feito por uma autoridade. Autoridade essa que pode ou não estar dependente da fiscalização do Ministério Público". No entanto, contactado pelo DN, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Cluny, não se mostrou disponível para prestar declarações até à hora do fecho desta edição. O Governo pretende assim uma solução semelhante ao exemplo da nossa vizinha Espanha: fazer agregar aos serviços de informações alguns magistrados judiciais com a missão de autorizar ou recusar escutas telefónicas. Mas, para isso, será necessária uma revisão constitucional.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 08.11.2007 

Comentarios (2)add
... : Santayana-em-Pax-Iulia
Importa que os juízes fiquem com as escutas.
Se não, ficará um tipo qualquer...
Agora, se tem de estar nos serviços de informaç~ões ou não é irrelevante, caríssimos.
09.Novembro.2007
... : Bisbilhoteiro
Candidato-me para as escutas...
09.Novembro.2007
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