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Rui Rangel em entrevista criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
19-Jun-2007

ImageEm entrevista ao Jornal «O Diabo», o Juiz Desembargador Dr. Rui Rangel garante que as «férias judiciais traumatizaram o sistema», critica «o excesso de inexperiência gritante» que circula nos corredores do Ministério da Justiça e diz que «há um problema de oportunismo do poder político relativamente a determinadas iniciativas legislativas». Rui Rangel considera que a «corrupção está na moda, tem que ser um combate sem quartel» e fala do «engano histórico» que conferiu «o estatuto de magistrado ao MP».

O DIABO - É um dos fundadores de uma nova associação de juízes - a AJpC - que tem como objectivo reabilitar a imagem da Justiça em Portugal. Os juízes estão desacreditados com o sistema?

RUI RANGEL - Há muitos anos que digo que é preciso melhorar o sistema de Justiça em Portugal. O sistema de Justiça sofre hoje em dia de uma perda de credibilidade e de confiança junto dos cidadãos. É preciso resgatar a confiança e a credibilidade do sistema de Justiça.

Quais são as causas que minam o sistema?
Uma das causas tem a ver com a falta de resposta do sistema de Justiça relativamente às questões que o cidadão suscita nos tribunais. Isto é, a não resolução em tempo razoável da acção que o cidadão coloca no tribunal. A morosidade, de facto, é um mau espelho para a Justiça e que tem vindo a matar a credibilidade do sistema.

Mas a morosidade não é a única...
Infelizmente, não. Um outro problema tem que ver com uma preocupante e contínua degradação do estatuto social e institucional dos juízes. E até um outro que é quase um tabu na estrutura associativa sindical dos juízes - e que é o próprio estatuto remuneratório dos juízes. Há que erguer bandeiras. E uma delas, do meu ponto de vista, tem que ser a reabilitação do estatuto social, institucional e remuneratório dos juízes. E a segunda tem que ver com esta situação dramática de falta de perda de credibilidade do sistema de Justiça. Só assim se pode resolver de uma vez por todas o cancro que existe na Justiça e que é a morosidade. E que os juízes são o espelho visível da Justiça. E quem paga as favas são sempre os juízes, o que não quer dizer que estes não tenham culpa também.

A que se deve esta morosidade e porque é que chegámos a este estado?
Amorosidade tem várias causas. Em Portugal temos sempre a dificuldade de fazer uma coisa que se chama assunção de responsabilidades. Nem o exemplo vem de cima – do poder político -, e todos os dias se abrem comissões de inquérito para apurar responsabilidades. E a verdade é que o cidadão depois nunca sabe, no final desses inquéritos, que responsabilidades foram extraídas dessas comissões que, muitas vezes, são feitas só para inglês ver. É óbvio que temos este defeito: de que a culpa morre sempre solteira e, neste sector da morosidade da Justiça, a culpa não morre solteira.

Lei substantiva

De quem é a culpa então?
Há culpas que vêm do exterior do sistema e outras que são imputadas directamente ao interior do sistema. Temos hoje leis que estão desadequadas, nomeadamente, as processuais. Não sou adepto que se devam fazer reformas gota a gota - como tem sido a opção política e legislativa deste Governo - entendo que se devam fazer reformas globais que alterem o sistema. As reformas processuais são muito importantes, têm que ser discutidas, não podem ser feitas à pressa porque a enxadade um juiz são os códigos e a lei adjectiva. Mas também é preciso dizer que nunca houve coragem para mexer na lei substantiva. E temos uma lei substantiva excessivamente garantística.

Porquê?
Porque é uma lei que requer muito cuidado, estudo e saber. Recordo que antes do 25 de Abril, dava gosto ver as actas de revisão dos códigos e das leis - que deviam servir de exemplo -, havia estudos científicos, em que se testava exactamente o impacto das leis. Hoje em dia não é assim. Actualmente mexe-se nas leis, nos institutos legais por dá cá aquela palha. Isto é, não há ministro nem Governo nenhum que não queiram ter por baixo, quando terminam o seu consulado, o seu nome associado a este ou aquele código.
Mas apressar reformas para dar a imagem de que o sistema está a melhorar não resulta...
Claro que não. A culpa aqui não pode morrer solteira. Há um problema de iniciativa legislativa e de «timings» das iniciativas legislativas. Além disso há um problema de oportunismo do poder político relativamente a determinadas iniciativas legislativas e onde até se caiu nesta situação perversa que é mexer nas leis partindo de casos concretos.

Está a referir-se a algum caso em concreto?
Estou a lembrar-me do caso «Casa Pia» que está a levar a que haja introduções legislativas partindo de um caso concreto. As leis são gerais e abstractas. E devem partir do geral e abstracto e ficarem-se por aí. Hoje, há uma inversão daquilo que todos nós aprendemos nas universidades. Há depois um outro problema mau do meu ponto de vista e que é uma crispação latente e sistemática entre o legislador e quem tem que executar e administrar a Justiça. É preciso também eliminar níveis de crispação e de conflitualidade que levam a que quando se pede aos juízes que se pronunciem sobre os diplomas depois os prazos são sempre curtos.

Mas isso não é propositado...
Acredito que seja feito de propósito porque há leis que é impossível conseguirmo-nos pronunciar com cabeça, tronco e membros num período de tempo tão curto. Isto é um vício endémico que existe e não é de agora. Existe praticamente desde o 25 de Abril. Depois há um outro problema que os juízes nunca souberam erguer como bandeira e bater o pé até ao fim e que se chama contingentação processual.

Esse é outro problema...
E dos grandes. Não é possível o elevado rácio de processos por juiz na área cível. Exige um esforço suplementar.
É desumano que isto aconteça e nunca houve a contingentação processual. Instale-se a contigentação e depois doa a quem doer.

E porquê?
Porque isso implicava custos. E o poder político nunca quis pensar nesta questão da contingentação porque envolvia custos.

Mapa orgânico

Como olha para o novo mapa orgânico?
Há tribunais que devem ser fechados. Eu próprio os defendo. Mas é preciso perceber como é que depois se faz a rearrumação dos processos que aí estão relativamente a eles transitarem para outros tribunais. Depois é preciso saber os impactos que esse tribunal pode provocar numa determinada situação.

Na sua opinião essas situações estão acauteladas?
Não estão acauteladas porque hoje ninguém é capaz de dizer o que é que o Governo quer relativamente a esta nova lei orgânica. Ora avançam, ora recuam. Vê-se que há alguma precipitação do legislador, isto é, o legislador está desnorteado, não sabe o que está a fazer. Outro exemplo preocupante que existe neste Governo é o excesso de inexperiência gritante que circula nos corredores do Ministério da Justiça e são essas pessoas que têm o poder de legislar.

Onde fica a culpa dos juízes neste processo todo?
Era aí que eu queria também chegar. Obviamente que há culpas também dos juízes. Há juízes que não trabalham o suficiente. E se há juízes que trabalham pouco, obviamente que o Conselho Superior da Magistratura deve actuar. Doa a quem doer.

E o CSM tem actuado nestas situações?
Tem feito um esforço, mas é um esforço ainda muito incipiente e pouco significativo aos olhos do cidadão porque o CSM também tem pechas enormes no seu funcionamento.

Que pechas são essas?
O CSM precisa de ser mais democratizado, de funcionar ainda com mais regras de transparência e clareza relativamente aos seus métodos e à sua acção. Sustento que a regra das sessões plenárias do CSM deveriam ser públicas e não fechadas. Mas a regra é o secretismo e não a publicidade. Os juízes deviam ter a possibilidade, se fossem alvos de qualquer processo, de se defenderem junto dos vogais de viva voz e de apresentar a sua defesa. E depois, o CSM obviamente que precisa de uma lei que o reestruture completamente, que o dote de autonomia financeira e administrativa. Além disso, os vogais nomeados pelo poder político - os que estão indicados pelo PR e nomeados pela AR - deviam ficar a tempo inteiro no CSM.

Em termos de autonomia financeira e administrativa, o CSM não tem evoluído por estar dependente do poder político?
Nessa perspectiva, sim. Isso é uma forma de liquidar o funcionamento do CSM. Se o poder político não dota o CSM de autonomia financeira e administrativa é evidente que o CSM está sempre na mão do poder político e de quem governa de momento. Mas da perspectiva das deliberações, obviamente que o CSM é autónomo, independente do poder político e decide em consciência.

Voltando ao fecho dos tribunais, é incompreensível para o cidadão comum entender estes encerramentos?
Este tipo de medidas, feitas de uma forma precipitada, com alguma irresponsabilidade, obviamente que não ajudam a credibilizar a Justiça junto do cidadão. Uma comarca é algo que tem uma especificidade própria, uma natureza, um funcionamento e implicações internas e no tecido social. É preciso pensar as consequências do fecho de uma comarca, como é que se fecha, para onde transitam os processos, de que forma, com que meios e com que segurança. Porque é preciso dar um sinal de tranquilidade e de segurança. Os assuntos da Justiça deviam merecer reserva de Estado.

E isso quer dizer o quê?
Quero dizer que não podem ser tratados da forma como têm sido tratados na praça pública. É evidente que estamos a falar de um parceiro de soberania que são os Tribunais, tal como é o Governo, o PR e a AR. Os assuntos da Justiça são complexos, mexem com a vida das pessoas e com o desenvolvimento económico do País. Mereciam e deviam ser tratados com outro rigor, disciplina, responsabilidade e com algum recato de Estado.

Férias judiciais

O Governo já cumpriu metade da legislatura. As medidas que estão a ser tomadas são avulsas ou há vontade política de as concretizar?
Não quero ter apenas uma visão só negativista mas tenho sempre o trauma das férias judiciais e da forma como o diploma apareceu. Os juízes acabaram por ter razão.

Mas o Governo insiste na ideia de que houve produtividade...
Continua a dizer que houve aumento de produtividade de uma estatística que ninguém conhece. Este diploma traumatizou o sistema.

Traumatizou?
Sem dúvida. Se já existia algum estigma social relativamente à Justiça, isto veio alargar. O que o Governo quis dizer foi que os juízes são preguiçosos, não trabalham, têm férias a mais e há que pôr estes senhores na ordem e há que encurtar as férias porque isto vai ser um sinal de aumento de produtividade. Mas depois não diz que em parte desse período de férias ninguém está em férias. Aproveita-se para despachar os processos mais complexos. O Governo sabe disto e sabe que errou.

Esta é a grande mancha do Executivo no que respeita à Justiça?
Esta é uma das grandes manchas. Devia ter humildade democrática para vir dizer: «nós erramos, vamos repor a situação».

O que pensa da Lei de Política Criminal?
Aí está um exemplo que considero uma boa lei. Neste caso quase que prego no deserto. A Lei da Política Criminal é uma boa lei de gestão de processos.

É essencial dar-se prioridade aos crimes?
É essencial. Não mexe com o poder judicial nem com os juízes, mas sim com a PJ e com o MP. E não põe em causa, como já ouvi dizer, a autonomia do MP.

Porquê?
Porque a lei não visa o processo em concreto, é uma lei de gestão na qual o Governo tem toda a legitimidade democrática porque ele é o responsável perante o cidadão do bom ou do mau andamento da Justiça. É uma lei que define prioridades em função da natureza dos processos e não sobre um processo em concreto. Há aqui um falso argumento porque o MP esteve durante anos e anos em roda livre. E há aqui que disciplinar o MP.

Em que sentido?
Isto no fundo é a consagração do princípio da oportunidade. É preciso explicar às pessoas que nem todos os processos têm a mesma dignidade. Há processos e crimes que têm que merecer prioridade. E não se pode, em nome de alguns processos, não se andar com outros que merecem prioridade. Há que apurar estes critérios e definir com rigor um quadro de responsabilidades. Não quero morrer sem que a Justiça seja resgatada na sua credibilidade e na sua confiança e que não se resolva definitivamente este problema da morosidade da Justiça.

Que já vem de longa data...
É verdade. Quase que diria que o diagnóstico da Justiça está feito há mais de 500 anos. Estou a acabar a minha tese de doutoramento e se for ver os discursos que eram feitos nas Cortes há 300 anos sobre a abertura do ano judicial, do ponto de vista das orientações que lá estão, o discurso é praticamente igual.

Mas então estamos há 500 anos com a mesma predisposição de mudança mas continuamos na mesma...
Exactamente. Por isso é que eu sou contra este modelo que existe de abertura de ano judicial porque aquilo é um desfile de discursos para as pessoas se cumprimentarem. Não serve para mais nada. É evidente que as questões relacionadas com a morosidade estão perfeitamente diagnosticadas. E muitas vezes questiono-me porque é que não conseguimos dar a volta a isto.

E chegou a alguma conclusão?
Sim. Existe falta de uma mentalidade e de uma cultura reformista do legislador que prima pela eficácia. O legislador do pós 25 de Abril, é bacteriologicamente avesso à eficácia. A verdade é que depois também ninguém pede responsabilidades ao poder político das más reformas que são feitas. A reforma do Código Processo Penal parece-me que vai no bom sentido. Sou favorável também à alteração das regras por exemplo de acesso ao Supremo Tribunal de Justiça. Sempre combati o critério da antiguidade - isto não é uma estrutura militar mas às vezes parece -e sempre defendi o critério do mérito. Acho muito bem que o Supremo seja aberto aos juristas de mérito. Defendo prestação de provas. Se o juiz não o quiser fazer, termina a sua carreira na instância que tiver.
MP

Quais são os grandes problemas e necessidades de reestruturação por que actualmente passa o MP?
Temos que perceber de uma vez por todas que houve um engano histórico neste País que foi conferir o estatuto de magistrado ao MP.

Porquê?
O MP devia ser um alto funcionário de quadro da Administração Pública, dotado de completa autonomia funcional. O MP é uma estrutura hierarquizada e, não é, por exemplo, imparcial. Tem um dever de parcialidade no modelo de investigação, é quase como o advogado do Estado. E é uma parte interessada no desenvolvimento da investigação criminal. E isto tem até provocado algumas confusões, sendo que os juízes têm pago um pouco a factura também de muita coisa que, às vezes, não é feita correctamente.

Em que domínio?
No domínio das investigações, por exemplo. O cidadão é levado a dizer: são magistrados, logo são juízes. Aliás, ainda hoje a comunicação social continua a confundir o poder judicial com o MP. E continua a dizer que quem representa o poder judicial é o PGR. O PGR não faz parte do poder judicial. Quem representa externamente o poder judicial é o presidente do STJ. Mas esta situação não põe em causa a honestidade e honorabilidade das pessoas. Eu critico é o sistema e não as pessoas. Até porque a maior parte dos magistrados do MI› desenvolvem o seu trabalho arduamente, procurando, dentro do seu saber, fazer o melhor para melhorar os interesses da Justiça.

Quem é o responsável por este sistema?
Os responsáveis por este sistema não são o MP, nem os juízes nem os cidadãos, é quem tinha o poder legislativo e criou este modelo. A maior parte dos problemas que hoje se passam na Justiça também estão muito focalizados nas questões criminais. Por exemplo é impensável em qualquer parte do mundo que, na fase de inquérito, o MP possa arquivar os processos que entender. Não há controle jurisdicional. Quando eu entrei para esta casa havia controle jurisdicional…

Isso é outro bloqueio ao bom funcionamento da Justiça...
Sem dúvida. O sistema criou e musculou excessivamente poderes no MP. E hoje há uma manifesta desigualdade entre o estatuto da acusação, que é defendida pelo MP, e o estatuto de defesa do arguido. O caminho não era este, mas depois como o poder político foi também apanhado nas malhas da Justiça no célebre processo «Casa Pia», «ai de aqui d'el rei que isto parece estar mal». E então começamos a alterar as leis.

De repente Governo, partidos, PR e PGR fizeram da corrupção uma bandeira política. O fenómeno tornou-se um assunto da moda?
A corrupção tem que ser um combate sem quartel. Tudo o que for feito para combater os fenómenos de corrupção que minam os alicerces do Estado de Direito, deve ser feito com cuidado, acção e determinação. Mas a corrupção está um pouco na moda. Não tenho a visão de que isto é tudo um País de corruptos. Há fenómenos de corrupção, não me preocupa aquilo que se designa por corruptela, essa não mina os alicerces do Estado e da sociedade. Preocupa-me aquela que funciona no triângulo da morte: entre poder político, autarquias e poder económico versus construção civil.

Mas agora a ideia é que parece que o poder autárquico é o grande foco de corrupção do País...
Não tenho essa ideia. Depois para se falar disto é preciso conhecer. Não se pode generalizar e dizer que todos os autarcas são corruptos. Isso é um erro. As coisas têm que ser diagnosticadas e que quem for apanhado nestas malhas tem que ser severamente punido. Não tenho a visão terrorista de generalização do fenómeno da corrupção.

Mas há ou não vontade de combater a corrupção?
O poder político de vez em quando dá sinais. Há uma componente cívica no fenómeno da corrupção que é preciso que os cidadãos dêem o seu contributo. Não esperar só’que o poder político tome as medidas adequadas. Li há tempos que tinha existido um código de normas de conduta na AP em que o poder político quase que incentivava o delator. Isto é lamentável e perverso. Também gostaria então que para os políticos e Governos existisse um código de conduta e que as pessoas utilizassem o mesmo critério de denúncia. Há processos que correram e que estão a correr e ainda não se viu luz ao fundo do túnel. Mas é preciso que esses processos cheguem ao fim para que a Justiça e a sociedade possam lavar a cara.

A Justiça é muitas vezes acusada de ser fechada. Concorda com os que partilham desta ideia?
A Justiça tem como regra ser pública. E daí que a regra da Justiça e das audiências seja a publicidade. Não há em democracia nenhum poder que seja tão fortemente escrutinado como a Justiça. A regra na Justiça é a publicidade, a excepção é o secretismo. Mas ainda há trabalho a fazer no sentido de se enriquecer a Justiça, melhorar o sistema e a democracia. E isso passa por se discutir de forma civilizada e sensata as decisões judiciais. Tem de haver uma cultura neste sentido.

Às vezes parece que é um pouco tabu...
Sim, mas é também preciso perceber que em democracia não há poderes fechados nem absolutos, todos os poderes têm de ser abertos, transparentes e alvos de escrutínio. Mas ainda há muito trabalho a fazer no sentido de tomar a Justiça ainda mais explicada. Por isso é que defendo que a Justiça seja aberta e haja gabinetes de imprensa que facilitam muito a comunicação e o relacionamento que ainda continua crispado e desconfiado entre a Justiça e a comunicação social.

O DIABO, 19.06.2007 

Comentarios (15)add
... : PGA Coordenador
Mas, espera aí, se a Lei de Politica Criminal consagra o principio da oportunidade não é inconstitucional, face ao art. 219, nº 1, da CRP?. A acção penal não deve ser exercida com base no princípio da legalidade?
Mas, atenção, pode-se criticar muito o Mº Pº (e suas hierraquias) por não saberem priorizar aquilo a que deve ser dado tratamento prioritário. E disso há algumas hierarquias que se demitiram completamente. E é por essa e por outras que o Mº Pº vem cavando a sua própria sepultura.
Já agora, apesar de muito critico do entrevistado, também eu defendo provas públicas para a promoção nas carreiras.
19.Junho.2007
... : quase-licenciado
É o art. 219º-1 CRP que prevê muito claramente duas coisas:
- o MP não faz parte de órgão de soberania
- o MP deve executar a LPC.
Simples! É a CRP que o impõe!!
O povo, a justiça e o MP perdem e alguns PGA ganham com a dupla ou tripla personalidade do MP português!
19.Junho.2007
... : *
Porque é que há pessoas que têm tanta sede de protagonismo?
20.Junho.2007
o protagonismo, em si mesmo, nada significa senão uma excessiva propensão para suscitar a atenção dos outros.

Mas há pessoas que sentem também um irreprimível desejo de manifestar as ideias que têm, seja pela escrita, seja pela via da entrevista e da mostra na tv.

O problema´, neste caso, são mesmo as ideias.

E agora pergunto também:

Qual é o mal do protagonismo, para ser tão vituperado por alguns?

Acaso fará mal algum, divulgar as ideias que se têm? Não contribuirá isso para o alargamento do espaço do discurso e da discussão? Não é , no fim de contas, uma coisa boa?

Então para quê andar sempre a criticar quem se dispõe a dizer o que pensa?

Não seria muito melhor criticar o que se diz, em vez de se criticar quem o diz tentando processá-l intencionalmente por o dizer e querer ser "protagonista"?

O tempo do respeitinho e do calados quietos e direitos, não deveria já ir muito longe? A cidadania, não implica participação na discussão pública?


20.Junho.2007
... : Ex-vogal CSM
«Estou a acabar a minha tese de doutoramento». O sr. desembargador Rui Rangel não teve uma licença de 3 anos para elaborar a tese de doutoramento?
Ingénua pensei que já estaria no pós-doutoramento, mas afinal se calhar muitas diatribes recentes (em especial contra o CSM que uma vez mais se calhar peca por ser demasiado condescendente), serão pós do doutoramento por acabar. Ou terá sido lapso e o dr. Rangel não beneficiou da licença para acabar o doutoramento ou a entrevista é anterior ao fim dessa licença.

Quanto aos tabus na estrutura associativa sindical dos juízes de que fala o sr. desembargador, eu até julgava que ele e outros iluminados como desembargador Eurico Reis ainda pertenciam a essa estrutura e até já terão sido dirigentes e candidatos vencidos. Afinal não tem nada a ver com essa estrutura (e muito menos terá com os seus actuais dirigentes, ou terá?).

20.Junho.2007
... : Jacinto
Protagonismo, protagonismo, protagonismo. Mais nada.
Eu, eu,eu, eu eu, eu, eu e eu. Sempre a primeira pessoa do singular. É assim e vai continuar a ser assim o Sr. Dr. Rui Rangel.
O resto à volta dele? Pouco importa.
20.Junho.2007
... : OCM
O arquivamento de processos sem controlo jurisdicional é, de facto, preocupante. Mas também é preocupante o MP acusar sem critério. Eu sei que é mais fácil acusar do que arquivar ("os juízes que resolvam"), mas não se pode ir para os julgamentos recolher provas que não foram conseguidas no inquérito. Isto tem custos: em primeiro lugar, para o cidadão; em segundo lugar, para o erário público.
20.Junho.2007
Esta história dos "juízes que resolvam", tem uma falsa questão por trás...

Há muitos juízes "do crime" que entendem a função de um modo sui generis: os processos crime que lhes calham em distribuição, seriam uma espécie de dossiers para serem abertos na sala de audiência, na altura do julgamento. Assim, puros e sem mancha de contaminação com as provas, ouviriam, ouviriam, ( o ler se calhar já será pedir demais porque tudo tem de ser examinado na sala de audiência) e depois decidiriam, na pacatez do gabinete.
Certamente, estes juízes fartaram-se de ver episódios do Perry Mason em que o detective e o polícia mais o DA e o Prossecuter, dilucidavam os casos bicudos, com passes de mágica sherlockiana.
Não obstante, isso acontece nos livros de Grisham e Scott Turow, que depois dão origem a esse tipo de filmes que tanto impressionam alguns desses juízes de passividade segura.

Este modo de pensar ( e há pessoas que o dizem de modo sério), tributa tudo a sistemas que não são os nossos, em que o MP é parte e em que os advogados são outra parte e o juiz é o árbitro imparcial e que decide.
O princípio da verdade material e da oficiosidade, para esses juízes, são princípios caducos e ultrapassados porque a modernidade espraia-se nesses sistemas.

Mas por outro lado, são esses mesmos juízes quem depois vem sugerir e alvitrar a adopção de sistemas em que os mesmos sejam os síndicos dos despachos de arquivamento do MP...


20.Junho.2007
... : Menino Carlinhos
Uma coisa que cada vez me «diverte» mais, é ver - com o devido respeito por todos aqueles que, certamente, continuando a ser a larga maioria, assumem com dignidade o seu papel na sala de audiências - a «promiscuidade» crescente entre alguns MPs e Juizes, que na sala entram e dela saiem em alegre cavaqueira, se sentam ao lado um do outro, trocam «papelinhos» e «segredam» entre si,num «teatro» em que o pobre do arguido já não saberá, exactamente, quem no Tribunal é quem, quem acusa e quem julga! De resto, não se entende,também, porque é que os advogados não se hão-de poder sentar ao lado de quem defendem! Em suma, somos um país de «aristocratas», em que, por vezes, se fica com a sensação de que mais do que preocupados com a boa Justiça, nos preocupamos com o «lugar» e respectivo «estatuto social/de poder» que a sala de audiências nos poderá proporcionar!

20.Junho.2007
... : MP-Juiz
A culpa do que se passa no processo penal "dominado" pela parte MP é do PS e dos Advogados e sua OA.
Por isso não se queixem os srs. advogados.
20.Junho.2007
O processo penal português é uma obra de muita gente do PS, do PSD e do CDS e do PCP. É uma obra de todos os partidos representados na Assembleia que votaram os códigos elaborados por Comissões onde estiveram representados várias pessoas, de vários quadrantes políticos.

A estrutura fundamental do processo penal português, baseado na titularidade da acção penal exclusivamente pelo MP, com controlo pelo juiz de instrução, foi delineada nos anos oitenta, por uma Comissão presidida por Figueiredo Dias, que sempre foi do PSD, julgo.
Em 1998, a revisão do Código foi da incumbência de Germano Marques da SIlva, incumbido disso mesmo por Guterres. Germano Marques da SIlva não é, porém, um socialista marcado...e a revisão que liderou não mexeu na substância do Código, tal como Figueiredo Dias reconheceu.

Assim, dizer que a estrutura de processo penal que temos, com domínio pelo MP, é da responsabilidade do PS é capaz de ser um pouco incorrecto.

Se formos um pouco mais atrás e questionarmos o modelo que ficou na Constituição de 1976 e formos saber quem o delineou, talvez haja alguma razão nisso, porém.

Nessa altura, os reponsáveis pela alteração do modelo que vinha do tempo do Estado Novo, foram Almeida Santos e Cunha Rodrigues. Ah! E o Sindicato do MP, onde então estavam alguns que agora estão como Conselheiros nos vários tribunais superiores.~
Exemplo? Mário Torres.

Funny, isn´t it?
21.Junho.2007
... : anton
funny... mesmo...
mário torres foi nomeado por que partido para o tc?
22.Junho.2007
... : predador
Já repararam que o MP ultimamente não se mete com ninguém mas, repetidamente, alguém vem sempre levantar qualquer problema. Agora fala este Senhor em "erro histórico" outro dia eram as relações entre o MP e os autarcas.Há sempre algo, mas a solução é facil, venham ajudar a fazer melhor...
Por outro lado este Sr Desembargador, naturalmente, gostava de ser PGA pois ele, e outros, desde há cerca de 10 anos que não fazem outra coisa senão dizer mal do MP e da autonomia.
Um dia a este Senhor Juíz também lhe vão dizer quais são os projectos de Ac. que deve relatar primeiro, depois quero ver...Duas páginas no CM.
Ficamos contentes que estas pessoas digam mal de nós...
É sinal que se começa a "incomodar" alguma gente.
A propósito, cuidado... estamos a trabalhar.
22.Junho.2007
... : Maria Antonieta
O que é que o "MP- Juiz quer dizer com a culpa do que se passa no processo penal é dos Advogados?
24.Junho.2007
... : Defensor Oficioso
A Ex-vogal do CSM não precisa ser tão venenosa ou invejosa, até porque é muito feio.
A inveja cura-se e se tiver condições só tem de candidatar-se também à licença sabática.
Quanto ao veneno é preciso ter mais cuidado. Um dia pode morder-se na língua e depois ... se não tiver antídoto ... o resultado é o desejado aos outros.

24.Junho.2007
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