header image
Início
Progressão na carreira judicial criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
16-Abr-2008
O Fórum Permanente Justiça Independente, em comunicado hoje publicado no seu sítio da Internet, toma posição sobre o teor do artigo publicado no Diário de Notícias de ontem, a propósito da comparação entre a progressão na carreira do Ministério Público e na carreira judicial, realçando determinados pormenores que tornam a conclusão exarada em tal artigo como "absolutamente redutora e contraditória com o regime estatutário da organização e estrutura da Judicatura".

 

PROGRESSÃO NA CARREIRA JUDICIAL

«1. No Diário de Notícias de 15 de Abril de 2008, foi publicado um artigo no qual consta que «os procuradores do Ministério Público demoram entre 16 e 19 anos para progredir na carreira, de um grau hierárquico para outro, segundo fonte do gabinete do procurador-geral da República. Um tempo excessivo, comparado com o que os juízes, em primeira instância, demoram até subirem no grau da hierarquia: "Cerca de 10 anos", segundo o que António Francisco Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, adiantou ao DN. Sendo que, tal como prevê a Lei Orgânica do Funcionamento dos Tribunais Judiciais, para aceder ao lugar de juiz de círculo são necessários 10 anos de carreira judicial». (itálico nosso)

2. O Fórum Permanente Justiça Independente desconhece em que termos e em que contexto foi produzida a frase acima assinalada, designadamente em que citação do Presidente da Direcção Nacional da ASJP foi permitido extrair a aludida conclusão, mas esta é absolutamente redutora e contraditória com o regime estatutário da organização e estrutura da Judicatura.

3. Com efeito, enquanto o Ministério Público está estruturado em hierarquia, sendo nos termos do art.º 8.º da Lei n.º 60/98 (Estatuto do Ministério Público), organizada em termos de progressão na carreira, em procuradores-adjuntos, procuradores da República e procuradores-gerais adjuntos e os quadros preenchidos em cada uma das categorias mediante promoção, já os juízes não têm qualquer hierarquia entre si (a hierarquia só existe entre os Tribunais - art.º 210.º da Constituição), formando um corpo único que se rege por um só Estatuto (art.º 215.º da Constituição da República). Legalmente, existem três categorias de juízes, a saber, juízes do Supremo Tribunal de Justiça, com o título de Conselheiros, juízes dos Tribunais das Relações, com o título de Desembargadores e juízes dos tribunais de 1.ª instância, denominados juízes de direito.

4. O preenchimento de lugar de juiz de círculo ou equiparado não corresponde a qualquer progressão na carreira judicial, na medida em que os titulares de tais tribunais, juízos ou funções continuam a ser Juízes de Direito - de Primeira Instância, inexistindo qualquer grau de hierarquia entre os juízes colocados em lugares de círculo ou equiparados e os restantes juízes de Primeira Instância. É por isso que, com a extinção de um determinado lugar de quadro ou tribunal a que corresponda o exercício de função por juiz de círculo ou equiparado, ao contrário do que sucede com os procuradores da república que mantêm a sua categoria profissional, com a correspondente remuneração, já o mesmo não sucede com o juiz de círculo ou equiparado que, em virtude do exercício da sua função não corresponder a qualquer progressão na carreira, mas sim ao preenchimento de lugar, pode ter um retrocesso na sua remuneração por via da extinção do lugar / tribunal que lhe garante nesse momento essa remuneração.

5. Se é certo que os magistrados do Ministério Público demoram entre 16 e 19 anos para progredir na carreira, de um grau hierárquico para outro, os juízes de Primeira Instância só são promovidos a Juízes Desembargadores (categoria profissional superior) decorridos, em regra, mais de 20 a 25 anos do exercício de funções de Juízes de Direito, de acordo com os critérios de classificação de mérito e de antiguidade.

6. Por outro lado, há muitos juízes de direito, com mais de 16 anos de exercício de funções, que salvo se optarem por residir em comarca muito distante de onde têm organizada a sua vida pessoal e familiar, não podem exercer funções como juiz de círculo ou equiparado, em virtude dos respectivos lugares do quadro estarem totalmente preenchidos. Acresce que para aceder ao lugar de juiz de círculo ou equiparado não é suficiente, como se enuncia no artigo, apenas a antiguidade de 10 anos de carreira judicial, mas também e como primeiro critério, classificação de mérito de, pelo menos, «Bom com Distinção» (art.º 45.º, n.º 1 do EMJ).

7. Por conseguinte, neste cenário, sem prejuízo do preenchimento de lugares de círculo ou equiparado, que contudo não corresponde a qualquer promoção definitiva na carreira, nem garantia de lugar para o futuro, a "progressão" dos Juízes de Primeira Instância (promoção de categoria profissional), é em termos temporais, semelhante ao que sucede com os magistrados do Ministério Público, apenas com a especificidade do distinto número de lugares nos quadros atribuídos a cada uma das magistraturas, a que correspondem funções igualmente distintas, quantitativa e processualmente».

FÓRUM PERMANENTE JUSTIÇA INDEPENDENTE | 16.04.2008 

Comentarios (38)add
... : e se...
e se é verdade que os juízes progridem mais depressa... e daí?
16.Abril.2008
... : ======
Os juízes não progridem mais depressa na carreira relativamente ao ministério público.

O que se passa é que os quadros do mp estão bloqueados há muitos anos, mas isso já era previsível acontecer depois que as magistraturas foram separadas.

Os juízes de círculo e os juízes que estão em tribunais de família menores / comércio / trabalho / varas têm uma remuneração equivalente a um procurador da república, mas estes também exercem as suas funções nas sedes dos circulos judiciais ou nas circunscrições que são criadas.

Mas como é dito e bem na tomada de posição da Justiça Independente, os magistrados do MP que são promovidos a essa categoria nunca podem baixar dessa categoria, enquanto que os juízes de circulo ou equiparados se o seu lugar for extinto --- como aconteceu ano passado nas varas do Porto e de Lisboa, no TFM de Gaia --- ficam sem esse lugar e se forem colocados em juízos que não sejam equiparados a círculo passam a ganhar menos do que ganhavam antes, porque ganhavam pelo lugar que ocupavam e não por qualquer categoria profissional, que é sempre a mesma de juiz de primeira instância.

Por isso, a tomada de posição clarifica muito bem que até quem fica melhor posicionado com garantia de carreira é o MP, que com 16 anos podem ter progressão na carreira, enquanto que cada vez mais os lugares das Relações estão totalmente preenchidos, com poucas aposentações / jubilações / promoções a Conselheiros, o que vai conduzir a que a promoção a Desembargador passe a ser ainda mais demorada no tempo do que sucede actualmente. É bem possível que um juiz de primeira instância só tenha vaga na Relaçãos após os 30 anos de serviço. Depois falem-me em desalento na progressão na carreira...

Finalmente, a tomada de posição não fala desse assunto, mas é incomparável a quantidade, extensão e responsabilidade do trabalho de um juiz de círculo / vara / Tribunal Família / COmércio / Trabalho em relação ao de um procurador da república que preste funções junto desses tribunais. A tramitação, os actos processuais, incluindo julgamento e sentença, são muito mais pesados e complexos que os actos dos procuradores. Para já não falar dos procuradores-coordenadores.

Em conclusão, acho bem que o SMMP comece a pesar bem as suas palavras, porque se a ideia é compararem as progressões nas carreiras, com a quantidade de trabalho e garantia de lugares, estão muito melhor que grande parte dos juízes, cujo número na primeira instância é avassaladoramente superior e não há vaga para todos em serem promovidos a desembargadores e muito menos a conselheiros.
16.Abril.2008
... : Shangri-La
A progressão no Ministério Público estagnou porque os quadros superiores foram preenchidos em massa na década de 1980 com pessoas muito novas que chegaram a procuradores, suponho, com pouco mais de 30 anos.
Claro que estas pessoas taparam os lugares e, hoje, os que chegaram depois só chegam ao mesmo lugar com 45 ou 50 anos.
Claro que os magistrados do ministério público sentem isto como um problema.
Porém, os juízes não estão em melhor situação, pois só irão para o tribunal da Relação, se lá chegarem, pelos 50 anos.


16.Abril.2008
... : Marques
Confirmo que as vagas para as relações estão esgotadas. As promoções são hoje apertadíssimas. E vai passar a ser pior. Muitos juízes, já, não têm qualquer perspectiva de promoção para a categoria superior, antes de estarem 22, 25 ou mais anos nas comarcas de primeira instância. E vai piorar. E se os magistrados do MP teimarem em querer ser juízes, querem passar à frente de todos os que sempre foram juízes, é isso ?
Assim é fácil...
16.Abril.2008
... : Juiz do MP?
É inaceitavel a passividade da ASJP face a esta nova estratégia do MP, que prejudica gravemente, DE NOVO, os juizes de carreira!

Uma vez mais, é o MP a mexer-se socioprofissionalmente e os juizes a ver...
Coitado deste país...
16.Abril.2008
... : j
São carreiras diferentes. Ponto final!
A equiparação (?) nada tem a ver com a progressão, como é elementar!

Temos de assumir duma vez por todas que a ASJP não pode permitir as ascensões dos mag. do MP À custa dos Juizes. São carreiras e funções (!!) diferentes!
16.Abril.2008
... : Ramsés
A nível de trabalho concreto o trabalho de procurador poucou tem a ver com o de um juiz. Não pode ser comparado porque é diverso.
Um juiz tem de elaborar decisões e justificá-las.
Um procurador não tem de fazer nada disso, basta-lhe estar atento a algo que lhe pareça estar errado e interpor um recurso ou responder a um recurso interposto por outrem.
Ora, uma decisão trata sempre de inúmeras questões e um recurso em regra incide só sobre alguns aspectos.
Por isso, o trabalho de um juiz é o de fazer algo e fazê-lo bem feito apesar do escasso tempo de que dispõe.
Tem de fazer «depressa e bem».
Ora, ver algo feito e verificar se há algo com que não se concorda até é um trabalho fácil.
Todos temos a noção disso. Se alguém andar a verificar falas no trabalhod e alguém não demora a encontrá-las.
Porém, os procuradores não têm culpa disso, pois não foram eles que fizeram as leis.
Porém, têm de seguia na fila e em caso algum podem ultrapassar, seja pela esquerda, seja pela direita.



16.Abril.2008
... : Eficiência-e-Cuidado
Juizes a sério é na 1ª instância. O convívio com o facto, com o direito em pleno jorro de sangue...o resto são vaidades, ou vontade de não se chatear com a perguntinha (q agora, é mato...)
16.Abril.2008
... : Mendes de Bragança
A ASJP anda a ver navios. Coitados. É vê-los tpdps cpntentes na Praça do Comércio de braço dado com o ministro da justiça. Aqueles cafés do ministério devem ser muito saborosos.
Os problemas principais dos juízes passam-lhes completamente ao lado.
16.Abril.2008
... : Mendes de Bragança
Parabéns ao FPJI que fez o que a ASJP não teve coragem ou não quis fazer.
A ASJP anda muito distraída com o ministro da justiça, seu aliado natural - só não vê quem não quer.
16.Abril.2008
... : Cidália
Um excelente texto a repor a verdade.
Parabéns ao Fórum Permanente Justiça Independente por estar atento àquilo que outros ou assobiam para o lado ou acham de menor importância. É nesses pequenos pontos que paulatinamente a magistratura judicial vai ficando cada vez mais fraca, menos independente, mais vulnerável.
Se há separação entre as magistraturas, não percebo porque é que os magistrados do MP estão sempre a colar-se aos juízes quando querem benefícios (agora é para passarem à frente de juízes de carreira na promoção aos tribunais superiores) e fogem com o rabo à seringa quando se trata de assumir responsabilidades e de dar a cara.
16.Abril.2008
... : Juiz Atento
Também eu questiono a inacreditável passividade da A(S)JP sobre este e muitos outros assuntos. Afinal, onde está a tão apregoada "pro-actividade"? Espero que nas próximas eleições apareça alguém que dê uma "vassourada" nisto tudo e acabe com esta verdadeira letargia. Foi uma pena o Des. Baptista Coelho ter perdido as eleições.
Boa tarde.

16.Abril.2008
... : Alex
É linda a estratégia do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.
Na semana passada lança-se um escândalo nos "media": cuidado, vinte e tal magistrados "de elite" do DIAP vão concorrer a juízes dos administrativos! A luta contra a corrupção vai ficar decapitada! Crimes vão prescrever! Quem os irá substituir, eles que têm uma experiência insubstituível?
É uma desgraça! O Estado Português não acarinha aqueles que trabalham para defender os seus interesses!
Uma verdadeira calamidade, soprada - sabe Deus por quem - para a Comunicação Social ávida da escandaleira, especialmente, neste momento, tudo o que tenha a palavra "corrupção".
Logo vem o sindicato, solícito, dar a explicação: coitadinhos, não passam da cepa torta, não progridem na carreira, estão pior que os juízes, têm de esperar uma eternidade para ascender à categoria superior.
Em suma: mais dinheiro, maior facilidade de subida na carreira, querer passar à frente dos outros, querer alterar as regras do jogo.
Ao que ouvi dizer - não sei se é verdade, mas faz algum sentido porque os juízes dos administrativos ganham menos do que um procurador-adjunto, no início de carreira - alguns desses que concorreram nem sequer estão dispostos a preencher a vaga, se forem seleccionados.
Pergunto-me: e porque é que concorreram? Que mistério é esse? É para agradar à família? É para realizar um sonho de infância? Vão, com quarenta anos e uma família para sustentar, experiência ganha no MP, dispor-se a perder dinheiro? Começar uma carreira da estaca zero, velhos e cansados e com filhos às costas,só pela vã glória de mandar ou de se chamarem juízes ou pela progressão da carreira?
Acho isto tudo muito esquisito, um verdadeiro mistério da natureza. Que talvez só encontre explicação numa campanha com vista à intercomunicação de carreiras e ao acesso de MP aos lugares de desembargadores, para poderem satisfazer as suas aspirações pessoais de ganhar mais e, já agora, ser juiz pelo menos durante algum tempo da sua vida.
Não pode ser outra coisa, não há interesse público algum - das pessoas em geral, que precisam de recorrer à justiça - em que magistrados do ministério público sejam juízes-desembargadores.
É o contrário da especialização das carreiras, é o desprezo pela experiência acumulada: é pôr uma pessoa a começar uma carreira, nomeando-o para a sua categoria mais elevada! É o equivalente a nomear para director de oftalmologia um obstetra.
Também é médico, dirão alguns! Outros dirão que tiveram formação comum no CEJ! E eu pergunto-me, o que é que surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? Parece que se luta pela formação conjunta das magistraturas no CEJ única e exclusivamente para justificar pretensões de carreirismo do MP.
Que eu saiba, os candidatos escolhem a magistratura a que acedem. Uns não poderão fazê-lo, devido à nota, mas o que interessa é que é uma opção possível, à partida, para todos. Logo, não tem uma magistratura de "sofrer" com os males ou estrangulamentos da carreira da outra, sendo certo que não vejo os MP preocupados com o estrangulamento da carreira judicial. Só vejo é procuradores-adjuntos com 14 anos de carreira roídos de inveja com o facto de haver juízes com 10 anos de carreira a ganhar mais do que eles.
Mas tudo bem, acho que até deviam defender que os lugares dos Tribunais da Relação deviam ser todos preenchidos por procuradores, já agora. Deve ser o próximo passo das lutas laborais do MP.
Veja-se que faz todo o sentido: pessoas que não fizeram carreira de juiz, não se treinaram nem adquiriram experiência na tomada de decisão própria do juiz de 1ª instância, vão passar a fazê-lo num Tribunal com uma responsabilidade acrescida, de sindicância das decisões de primeira instância. Assim, quem vai sindicar não é uma pessoa mais experiente em julgar do que a que proferiu a decisão em crise, mas uma pessoa que se está a iniciar nessa "carreira".
Numa altura em que tanto se fala de eficiência, produtividade, especialização, etc, etc, parece-me que os MP como desembargadores são a antítese de tudo isso, é uma ideia que não visa melhorar a qualidade da justiça, mas apenas satisfazer aspirações pessoais e retributivas de uma carreira.
Não há de isto andar mal quando, ao invés disto andar para a frente e se lutar por uma justiça efectiva e de qualidade, pela recuperação do prestígio das magistraturas, pela exigência de um tratamento digno pelos outros poderes, andam outros à descarada a ver se ganham na secretaria mais do que os outros, com truques de propaganda.

16.Abril.2008
... : Sólon
Mas de que é que se discute? Matemática...
Quanto à crítica contra actual associação de Juízes: pena que não tenham memória...só a do umbigo, do mesquinho e sinceramente do enfadonho.
Ainda há mundos assim...pequenos.
16.Abril.2008
... : Marques
Sólon, discute-se coerência, verdade, honra e dignidade.
Estranho a sua linguagem de umbigos, mesquinhez e enfadonhos porque deve estar a olhar para a actual direcção da asjp.
A propósito, Juiz Atento, quem lhe disse que o Des. Baptista Coelho perdeu as eleições ? Perdeu-as formalmente porque se os votos que chegaram por correio nos dois dias seguintes e que ficaram retidos nos correios por causa de greves e paralisações sectoriais que ocorreram nessa semana, o resultado teria sido outro. Só para que a mesquinhez e o enfado de certas pessoas não fiquem ocultos no desconhecimento.
16.Abril.2008
... : Marcos
Muito bem Alex
16.Abril.2008
... : juizdoMP
Mas será que a ASJP não diz o óbvio, que tantos têm medo de dizer (sabe-se lá porquê):
a função de juiz nada tem a ver com as funções do MP! e EXIGIR consequências estatutárias daí?

Isto começa a fartar: acabem com o prejuízo para a carreira de juiz a favor de outras carreiras, designadamente da de agente do MP!
É preciso pôr SEMPRE os pontos iis nesta matéria!
O MP pode ir à Lua u ao Céu mas desde que não seja com o "roubo" da carreira da Judicatura, apanágio dos últimos 30 anos!!
Isto tem de acabar!
16.Abril.2008
... : CANSADO DISTO
A ASJP e os JUIZES têm o dever de se DEFENDER destas mentiras e ambiguidades que andam para aí a sererm ditas ou subliminarmente passadas!

Temos de dizer que não há falta de mag. do MP! Há a mais! Daí alguns precisarem de mais tachos sem produtividade.
Concordo: isto não pode continuar! Tem de acabar o confisco à carreira de juiz! Com mentiras ou meias-verdades!
A ASJP deveria publicar, nem que fosse com publicidade paga, um esclarecimento àquela notícia idiota e espertalhona: bastava dizer algo como
"é uma estratégia enganadora e abusiva comparar-se a progressão na carreira de Juiz com a progressão na carreira do MP, porque são realidades e funções muito diferentes".
16.Abril.2008
... : xico
As funções do MP e dos Juízes sempre foram diferente e são-no cada vez mais.
Mas, até há bem pouco tempo, muitos dos magistrados que ocupavam cargos superiores do MP eram também Juízes (do tempo em que havia «concursos» para aceder à carreira que eram exames verdadeiramente selectivos).
A esses era ainda compreensível que se mantivesse aberto o acesso aos tribunais superiores.
Esse tempo já passou, porém, e hoje poucos ou nenhuns magistrados do MP têm aspirações a ser juízes, pelo que se justificaria uma alteração da legislação relativa ao acesso ao STJ.
Mas justificar-se-ia também que o Procurador-Geral da República fosse sempre um magistrado do MP (e não um Juíz como tem sido quase sempre, com excepção do Dr. Souto de Moura).
O que me custa a compreender são algumas considerações relativas à «progressão na carreira», já que me parece não terem em conta que poucos dos quase dois mil juízes poderão aspirar a preencher os lugares dos tribunais superiores, em número muito mais reduzido.
Creio que haverá cada vez mais Juízes e Procuradores a aposentarem-se na 1.ª instância ao fim de bastantes anos de carreira, para procurarem melhores possibilidades de progressão profissional por outras bandas.
16.Abril.2008
... : antonio
Faço minhas as palavras acima:
A ASJP deveria publicar, nem que fosse com publicidade paga, um esclarecimento àquela notícia idiota e espertalhona: bastava dizer algo como
"é uma estratégia enganadora e abusiva comparar-se a progressão na carreira de Juiz com a progressão na carreira do MP, porque são realidades e funções muito diferentes".
Sob pena de, por causa da habitual passividade da ASJP (confundida com discrição), pelas minhas contas e pelo que se vem preparando para os STJ e STA, a maior parte dos juizes de círculo actuais nem à Relação chegar antes de 2025!
17.Abril.2008
... : Um Juiz desiludido
Acerca do drama que é os MP´s terem concorrido a Juízes dos TAf´s, sendo aqueles a nata da respectiva magistratura, pergunto: Como é possível aceitarem para uma magistratura tributária e ficarem no fim de uma lista composta por juízes (!!!!???) provindos da adminsitração pública, a quem foi dado um cursinho de 6 meses do CEJ e do que é uma sentença não têm a menor idéia e de como funciona um Tribunal nada sabem? Sim, poderiam ser bons na gestão hospitalar, como técnicos de finanças, etc., e tal, mas como juízes, meus senhores, nem é bom falar! Só quem não conhece como aquilo é...
17.Abril.2008
... : Buffalo Springfield
Chegamos a um ponto em que é necessário reconhecer o seguinte: a autonomização da magistratura do MP ocorrida há mais de 20 anos foi um erro.
Como muita gente (das duas magistraturas) pensa, mas não tem coragem para o afirmar, entendo que se devia voltar ao sistema da magistratura única.
E então, das duas uma: ou se regressava ao antigamente, sendo a carreira do MP na 1º instância vestibular relativamente à judicatura, sendo os representantes do MP nos tribunais superiores juízes em comissão de serviço ou então adoptava-se o sistema italiano.
A meu ver, enquanto se mativerem as competências atribuídas ao MP no processo penal, faz mais sentido a opção pelo modelo italiano, em que os magistrados de carreira única podem optar a qualquer momento pelo exercício de funções jurisdicionais ou do MP.
Em qualquer caso, seria fundamental que a autonomia do MP relativamente ao poder político se mantivesse.
17.Abril.2008
... : leigo
Para quem não é juiz e esteja a ler estas patetices, compreenda: em menos de um ano, haverá eleições para a sindicata dos juízes.
Vai daí, é necessário começar a discutir os temas que apaixonam os juízes afectados de juizite, como o sexo... dos anjos.
Todos (ao som da internacional socialista):

Para ao poder aceder
As tropas é preciso mobilizar
Como há puco que fazer
Contra o MP, marchar, marchar!
17.Abril.2008
... : António Manuel Beirão
Sou Procurador-Adjunto há 15 anos (Curso de 1992).
Lidos alguns dos comentários supra, sinto-me insultado, e não posso deixar de o expressar e de o deixar registado.
Muitos dos meus colegas devem sentir o mesmo.

Não vim para o Ministério Público para "roubar", para me "colar aos juizes", ou para arranjar um "tacho".
Vim para o Ministério Público porque acreditava e queria Justiça (e continuo a acreditar e a querer).

As minhas aspirações em melhorar a situação profissional ou económica são legítimas, como reconheço legitimidade em tais aspirações a toda e qualquer outra profissão.

Fiquem as injúrias na boca de quem as profere. Da minha parte, repudio-as!
17.Abril.2008
... : SMMPnaordem
O PGR deveria ser o Ministro da Justiça! Mas a CRP não o permite.
CRP também não permite o truque de confundir MP com Tribunais ou Procuradores com Juizes!!!
O MP é, logicamente, administração pública, infelizmente em roda livre desde 1978 e sobretudo desde o Cavaquismo, com a ajuda do PS; Ps arrependido por errados motivos.

A ASJP não pode confundir DISCRIÇÃO com PASSIVIDADE, como já se disse.
17.Abril.2008
... : Paulo
leigo, isto não tem nada a ver com sindicalismos nem com eleições.
A questão da progressão nas carreiras foi trazida pelo SMMP e esta tomada de posição do FPJI vem na sequência de um artigo jornalístico que reproduz conclusões que não são verdadeiras.
São questões demasiado importantes para nelas se colocar qualquer rótulo e muito menos reduzir a questões de eleições internas.
Quem o lê, percebe muito bem que é tudo menos leigo e que o seu comentário tem interesses muito mais profundos que os da internacional socialista.
17.Abril.2008
... : Buffalo Springfield
António Manuel Beirão:

Recupero para si um comentário que fiz noutro local desta revista:

E se mais oportunidades de transição do MP para a judicatura existissem, maior seria ainda a debandada.
Há várias razões para isso:

1. Grande parte das pessoas que vão para o MP fazem-no, não por vocação, mas porque, findo o CEJ, não há vagas suficientes para a judicial. Resultado, ficam contrariados, frustrados e complexados para o resto da vida.

2. A carreira do MP está cada vez mais desinteressante, pelo facto de os quadros estarem completamente afunilados e as hipóteses de progressão serem muito longínquas, ao contrário do que acontece na judicial em que se pode chegar a juiz de círculo ao fim de poucos anos.

3. Quer se queira quer não, o trabalho dos juízes é bem mais interessante e variado do que o do MP, com o contra de que os juízes, por regra, têm mais trabalho.

4. A existência de uma hierarquia é de facto uma maçada, ficando os lá de baixo com a sensação que os lá de cima só existem para chatear, controlar o trabalho dos outros e para criar cada vez mais "lixo" burocrático.

5. Para quem liga a essas coisas, é inegável que o prestígio social dos juízes é muito superior ao do MP, situação que mais se acentuou nos últimos anos, desde que o MP, para o bem e para o mal, adquiriu alguma visibilidade.

Há uns anos atrás, o Dr. Cunha Rodrigues defendia a necessidade de existir maiores facilidades nas transferências do MP para a judicial, para além do acesso ao STJ por parte dos PGA.
Ele lá saberia porquê...»
17.Abril.2008
... : Alex
Não ponho em causa as legítimas aspirações económicas ou profissionais de qualquer magistrado, seja de que magistratura for, ou de qualquer pessoa. Lutem por elas.
Mas acho que não vale tudo, como no amor e na guerra.
E acho que não vale, à falta de outras soluções, a mais fácil, apesar de destituída de qualquer fundamento: resolver os estrangulamentos profissionais através do ingresso na outra magistratura, seja em 1ª, seja em 2ª instância, que não teria outro objectivo ou vantagem, para além de resolver os estrangulamentos profissionais do MP. Não há interesse público algum, para o cidadão cujos impostos servem para sustentar esta máquina.
Bocas ao MP por causa de eleições da ASJP? Então deve ter sido alguma "lista-sombra" prestes a candidatar-se às eleições da ASJP quem soprou para a imprensa a notícia da catástrofe do DIAP!!! Não ouvi ninguém do DIAP a desmentir, e pelos vistos enganaram também o presidente do SMMP.
Foi um erro a autonomização do MP? Não sei porquê, vejo-os sempre a defender o prestígio, a autonomia, a necessidade da sua magistratura, não vejo ninguém a dizer que o sistema falhou...
Ou será que só admitem a falha no sistema como justificação para o regresso ao sistema da magistratura única? Para quê voltar à magistratura única? Que vantagens? Para quê abandonar um sistema com mais de vinte anos, com pessoas com experiência ganha na sua área de trabalho e de decisão?
Só vejo um único objectivo e vantagem: resolver os estrangulamentos da carreira do MP. Vantagens para o cidadão e interesse público: nulos.

17.Abril.2008
... : BD
Tudo isto, estas discussões, este marcar vincado de posições, é muito preocupante para a imagem da Justiça em geral e para as magistraturas em particular. Bem sei que a maioria dos comentadores não são juízes nem procuradores, e sim meros nicks, mas, como se fazem passar por tal e para o leitor comum é como se na verdade representassem na sociedade esse alto papel institucional, dão uma péssima imagem do Sistema Judicial ao exterior. Estes desabafos, estas discórdias, ficam em rede, é preciso não esquecer o facto. Estes nicks fazem lembrar (não serão todos, há excepções, e são bastantes), peço desculpa pela analogia, as reivindicações dos senhores professores, aquela (justa ou não, não é isso que está agora em causa e sim o método utilizado pela classe) inútil e dispendiosa gritaria na praça pública. Anda tudo ao mesmo? A carreira, a Bolsa, é importante, mas, assim, o que é que nos distingue dum vulgar (ainda que meritório) operário ou funcionário? Nada. Nadinha. Somo todos iguaizinhos. Moderação, contenção, equilibrio, sensatez, precisa-se depressa. Ou é necessário vir a terreiro de novo o Sr. Presidente do Supremo? Agora não será a cultura urbana dos juízes mais novos, será o Caso dos Juízes Ambiciosos. Sim... esta palavra está, pelos vistos, a entrar com força na Judicatura - a carreira profissional como o que há de mais importante no nobre universo da Justiça. Começo a perceber o silêncio sepulcral que têm em relação a outras matérias...
17.Abril.2008
... : velho truque
para os srs. agentes do mp ofendidos-

não é correcto pessoalizar. esse é o velho esquema, que impede alguns de dizerem a verdade.
é evidente que as criticas referidas e acertadissimas não são dirigidas a todos os agentes do mp, como é elementar.

os juizes estão fartos de ser prejudicados na sua carreira pelo sindicalismo do m.p., desde 1978. os factos demonstram-no á saciedade.
isso tem de acabar.

são funções muito diferentes. ponto final. e isso teria de ter consequencias, mas com um estado dentro do estado como o m.p., pouco podem o m.j. e a.r. fazer.
só a a.r. e os juizes é que poderão agir, se acordarem.

e, como bem se diz acima, discrição não é passividade.
17.Abril.2008
... : trabalhador do lixo
Mas pergunta este mero trabalhador do lixo: a única preocupação dos srs juizes e MP é o dinheiro? e porque é que só digladiam os primeirso com os segundos e vice-versa e não uns e outros com outras profissões mais bem pagas?
17.Abril.2008
... : MPZite
Leigo, BD e Beirão:

O que distingue um juiz dum pedreiro, ou um agente do mp de um deputado ou de um advogado, é "APENAS" O CONTEÚDO DAS DIFERENTES ACTIVIDADES OU FUNÇÕES!!
E essas diferenças significam ou deveriam significar algo, se este fosse um país sem complexos de igualitarismos tontos ou invejas estatutárias escondidas.
O resto é conversa fiada.
Por mim, o SMMP nunca deverá ter a oportunidade de se aproveitar minimamente do poder judicial (=juizes). Esse aproveitamento é uma das causas da ineficiência da Justiça e do desprestígio dos Tribunais e até do MP.
17.Abril.2008
... : Pako
Depois de lido o post e os comentário que para aqui estão posso anunciar o maior problema da Justiça Portuguesa (e de Portugal): A MENTALIDADE.
Enquanto continuarmos com estas queziliazinhas de que os Juizes são melhores/piores (consoante as versões) que os do MP, que vai para MP quem não consegue ser juiz (ficando assim frustrado), que os avogados são isto e aquilo NUNCA TEREMOS UMA VERDADEIRA JUSTIÇA.
Na verdade estamos mais próximos da FOGUEIRA DAS VAIDADES.
17.Abril.2008
... : BD
Caro MPZite,
Eu escrevi "assim" - sem o recato desejado. O Princípio da Igualdade significa tratar igualmente as situações iguais e desigualmente as desiguais. Não tenho nada a ver com os 'igualitarismos tontos' de que fala. Basta ler o meu texto com mais atenção.
17.Abril.2008
... : A montanha mágica
Está dado o primeiro passo para a permeabilização ( unidireccional ) das carreiras. Amanhã, os senhores procuradores estão no Tribunal da Relação como Juízes. E já agora, por falar em omissões da ASJP : que é feito do seguro de responsabilidade civil dos juízes ?
17.Abril.2008
... : Luís Jardim
Caro BD, não falo, como nunca falarei, a coberto de anonimato.
Juízes(?), Mag. do MP(?), Advogados(?) e demais cidadãos que se dão ao respeito, porque respeitam os outros, apenas dizem em público aquilo que as exigências de cidadania permitem.
Posto isto, quero cumprimentá-lo pela lucidez da sua apreciação e dizer que é também meu entendimento que o respeito se conquista pelo trabalho em prol do aperfeiçoamento da democracia. Quando o Povo sentir o trabalho dos Juízes, Magistrados do M.P., Advogados e Funcionários Judiciais, como um efectivo veículo de realização dos seus direitos, no fundo, como o normal exercício do poder soberano de afirmar a regra que a todos obriga e limita, o estatuto jurídico, social e económico será naturalmente reconhecido como uma trave mestra do regime.
Confrange-me o discurso público (porque este é um espaço público) que os pseudo-profissionais do foro em geral exibem, neste como em outros fóruns, a coberto do manto diáfano de pseudónimos de trazer por casa.
Melhor fora que tivessem ido ouvir o Dr. Paulo Rangel a Guimarães (Encontro anual do CSM).
Na sua visão, num futuro próximo, haverá total "interpenetração das carreiras profissionais" (sic) do foro.
Não nos foram aventados os fundamentos teóricos da "visão" daquele senhor deputado (com mandato suspenso), ex-negociador do pacto para a justiça.
Porém, porque será que já nem esta hipotética visão me surpreende?
Como ficará o edifício constitucional do poder judicial após a próxima revisão?
É esta para mim a pergunta essencial cuja resposta nos cumpre influenciar, por imperativos éticos e co-naturais ao exercício de um poder soberano.
Quero lá saber se o meu querido amigo e colega de bancos de escola, António Beirão (que se outros méritos não tivesse, não se esconde) vai poder exercer como Juiz num Tribunal Superior!
Discuta-se, com elevação, o modelo do poder judicial, em função do que melhor serve os cidadãos.
Não é o modelo que deve servir os interesses profissionais dos protagonistas da função judicial, rectius, do poder judicial.
São estes que devem servir o modelo!!! smilies/wink.gif
18.Abril.2008
... : lo
A progressão na carreira judicial (juizes) nada tem a ver com a da carreira de mag. do MP e vice-versa!
É óbvio!
E esse facto tem consequências morais, sindicais e estatutárias!!
19.Abril.2008
... : Nostradamus
Oh Dr. Beirão!
Ao fim de 15 anos ainda acredita na justiça?
01.Maio.2008
Escreva o seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley

busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem
Concorda que o Minist. Finanças subscreva seguro de responsabilidade para os funcionários do Fisco?