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Poderes do Juiz-Presidente criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
25-Mar-2008
O Governo recuou nas competências a atribuir aos futuros juízes-presidentes das 39 comarcas e eliminou algumas normas que levaram os magistrados a questionar a constitucionalidade do novo mapa judiciário.


Em causa estava a possibilidade de o juiz-presidente poder proceder à redistribuição dos processos, a reafectação dos juízes no âmbito da comarca e a previsão de o desempenho destes ser acompanhado. "Houve algum bom senso em relação a algumas das alíneas problemáticas e, à partida, as alterações são positivas", disse ao CM o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins.
Em causa estava a possibilidade de o juiz-presidente poder proceder à redistribuição dos processos, a reafectação dos juízes no âmbito da comarca e a previsão de o desempenho destes ser acompanhado. "Houve algum bom senso em relação a algumas das alíneas problemáticas e, à partida, as alterações são positivas", disse ao CM o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins.

 "SÉRIAS RESERVAS"
Para António Martins, porém, ainda há uma alínea do n.º 4 do artigo 87 que suscita "sérias reservas" – a norma prevê que o juiz-presidente da comarca possa propor ao Conselho Superior da Magistratura (CSM) "a reafectação dos juízes no âmbito da comarca, tendo em vista uma distribuição racional e eficiente do serviço".
O desembargador explica que "esta terminologia é incorrecta porque os juízes são colocados em tribunais". "A reafectação não existe em relação aos juízes, sob pena de estar em causa o princípio da inamovibilidade", declarou o desembargador, acrescentando que o que pode existir é acumulação de funções.
A proposta de lei 124/2008 atribuiu aos presidentes das comarcas – que com o novo mapa judiciário passam de 231 para 39 – competências de direcção, gestão processual e administrativas. No actual diploma, o papel do CSM é reforçado, uma vez que o juiz não poderá automaticamente adoptar medidas, mas antes terá de as propor, designadamente a especialização de secções nos juízos, ao órgão de gestão e disciplina dos juízes. Ao Conselho serão também apresentados, de seis em seis meses, relatórios sobre o estado dos serviços e a qualidade de resposta das comarcas, cujas conclusões terão de ser transmitidas à Procuradoria-Geral da República e à Direcção-Geral da Administração da Justiça.
Recorde-se que o novo modelo de organização e funcionamento dos tribunais vai ser testado, nos próximos dois anos, em três comarcas-piloto – Alentejo Litoral, Baixo Vouga e Lisboa Noroeste – e alargado a todo o território em 2010. Só nessa altura se saberá que juízos serão instalados nas restantes 36 comarcas.
Os tribunais passam a ser geridos ao nível da presidência da comarca, dirigida por um juiz coadjuvado por um administrador judiciário. O novo modelo cria ainda o Conselho de Comarca que contará com representantes dos funcionários judiciais, solicitadores, advogados e municípios.

ASJP CONTRA PRESIDENTE DESEMBARGADOR
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) está "frontalmente contra" a possibilidade de os presidentes das comarcas poderem ser nomeados de entre juízes desembargadores – magistrados dos tribunais de segunda instância – e exige explicações sobre a paternidade desta norma, que não constava do primeiro projecto da lei de organização e funcionamento dos tribunais. "Queremos saber que razões estão subjacentes a esta proposta. É uma perspectiva muito incorrecta e transmite uma mensagem de hierarquia, de chefia, que os juízes não estão disponíveis para aceitar", disse António Martins ao CM, considerando que, por esta lógica, os tribunais da Relação também teriam de ser presididos por juízes-conselheiros. O presidente da ASJP, ele próprio juiz-desembargador, explica que esta possibilidade levanta ainda um outro problema relacionado com o conhecimento da realidade da comarca: "Poderá ser nomeado um juiz-presidente que nunca trabalhou nessa comarca, ou seja, nomeia-se um gestor para uma realidade que ele não conhece."
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) está "frontalmente contra" a possibilidade de os presidentes das comarcas poderem ser nomeados de entre juízes desembargadores – magistrados dos tribunais de segunda instância – e exige explicações sobre a paternidade desta norma, que não constava do primeiro projecto da lei de organização e funcionamento dos tribunais. "Queremos saber que razões estão subjacentes a esta proposta. É uma perspectiva muito incorrecta e transmite uma mensagem de hierarquia, de chefia, que os juízes não estão disponíveis para aceitar", disse António Martins ao CM, considerando que, por esta lógica, os tribunais da Relação também teriam de ser presididos por juízes-conselheiros. O presidente da ASJP, ele próprio juiz-desembargador, explica que esta possibilidade levanta ainda um outro problema relacionado com o conhecimento da realidade da comarca: "Poderá ser nomeado um juiz-presidente que nunca trabalhou nessa comarca, ou seja, nomeia-se um gestor para uma realidade que ele não conhece."

ANA LUÍSA NASCIMENTO | CORREIO DA MANHÃ | 25.03.2008 

Comentarios (5)add
... : Hannibal Lecter
No "Yes Minister" isto está tudo previsto e explicado. Os políticos seguem a lógica da falácia: todos os cães têm 4 patas. O meu gato tem 4 patas, logo ... o meu gato é um cão. Alguma coisa tem de ser feita. Esta proposta é alguma coisa, logo, vamos fazê-la. Se é bem feita ou asneira, é secundário. Até porque, se algum dia se vier a verificar públicamente que é asneira, apesar de todo o ruído mediático que torna quase impossível chegar a uma conclusão dessas, já outros estarão no poder, e a culpa será enterrada solteira...
26.Março.2008
... : Mendes de Bragança
No projecto inicial do Governo constava que o Juiz Presidente seria um desembargador.
Pressionado pela actual ASJP, o MJ modificou o projecto e fez constar que o juiz presidente seria um juiz de 1ª instância. É mais que evidente que a alteração não iria passar na AR.
Agora, o que não se compreende é a reserva da actual ASJP, pois que há muito nos habituou a andar de mãos dadas com o actual governo.

30.Março.2008
... : smail
olha ocontrol!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
08.Abril.2008
... : Pardalesco
que piada smilies/smiley.gif
15.Abril.2008
... : Pardalesco
sinceramente nao percebo. Agora, o que não se compreende é a reserva da actual ASJP, pois que há muito nos habituou a andar de mãos dadas com o actual governo. Exactamente isto. Este pais vai de mal a pior

15.Abril.2008
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