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Carlos Alexandre, juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, foi alvo, no
passado mês de Agosto, de um assalto à sua casa, em Linda-a-Velha, com contornos
estranhos. O magistrado que acompanha as investigações dos processos mais
complexos de Portugal (Operação Furacão, submarinos, Portucale e outros
relacionados com tráfico de droga internacional, sendo responsável por inúmeros
processos de agentes infiltrados) já comentou com alguns colegas que o acto foi
"aviso".
O alarme chegou ao Conselho Superior da Magistratura (CSM) que requereu
segurança pessoal para o juiz. "Por óbvias razões de segurança não posso fazer
mais comentários", disse ao Expresso o juiz conselheiro Ferreira Girão,
vice-presidente do CSM.Segundo informações recolhidas pelo Expresso junto de
fontes policiais e judiciais, o (s) assaltante(s) não levaram objectos de valor
da casa do magistrado, em Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras. "Até o ouro da
mulher se encontrava espalhado em cima de uma mesa, não o levaram", descreveu ao
Expresso um magistrado.
Quem entrou na casa de Carlos Alexandre - que devido
aos processos que acompanha como juiz de instrução é conhecido pelo ‘Baltasar
Garzón português’- remexeu muitos papéis e gavetas, deixando uma arma antiga (já
desactivada) do magistrado em cima de uma fotografia do filho. No quarto deste,
também foram espalhadas muitas fotografias pessoais em cima da
cama.
Questionada pelo Expresso, sobre o caso e se o juiz iria ou não ter
segurança pessoal, a PSP, através do gabinete de imprensa, recusou prestar
qualquer esclarecimento. Refira-se que compete ao Serviço de Informações e
Segurança proceder a uma avaliação do risco para as pessoas que requeiram à PSP
segurança pessoal. Só após esta análise é que os agentes da PSP do Corpo de
Segurança Pessoal passam a acompanhar diariamente as pessoas alvo de ameaça. Um
sistema que pode passar por acompanhamento de 24 horas ou apenas durante certos
períodos. A protecção pessoal pode também ser estendida a familiares mais
próximos.
Antes do episódio do assalto, Carlos Alexandre, segundo apurou o
Expresso junto de fonte do CSM, tinha requerido uma viatura à Direcção Geral da
Administração da Justiça (DGAJ) para se deslocar nas diligências. Na garagem do
TCIC, está um Fiat Uno comercial de 1993, que é o carro de serviço destinado ao
juiz de instrução. O pedido foi, posteriormente, reforçado através do próprio
CSM que aguarda uma resposta da DGAJ. O Expresso tentou ao longo da última
semana falar com Carlos Alexandre, mas o magistrado esteve sempre "indisponível"
para prestar qualquer esclarecimento quer sobre o assalto ou acerca do pedido
para uma viatura de serviço.
Em declarações ao Expresso, António Martins,
presidente da Associação Sindical dos Juízes, afirmou não conhecer o caso do
juiz Carlos Alexandre. Ainda assim, declarou, "a associação já apresentou um
documento que classifica como medíocre a segurança nos tribunais". Mas,
globalmente, António Martins considera que "não existe um sentimento de
insegurança entre os juízes". "O problema está quando acontecem situações
inesperadas e o CSM não tem mecanismos para agir rapidamente", disse ainda o
juiz-desembargador, recordando o caso da juíza Anabela Ferreira, assaltada num
parque de estacionamento em Lisboa. "A colega andou durante quatro dias
periclitante, até porque o assaltante disse que a reconheceu como a juíza que o
condenou a uma pena de prisão efectiva". Segundo o presidente da ASJP, só após a
detenção do indivíduo é que a juíza voltou a serenar.
EXPRESSO | 22.09.2007
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