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Juízes vão estagiar na Banca criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
05-Jul-2007

Image O acesso ao Centro de Estudos Judiciários deixa de exigir dois anos de espera para o início da formação, aumento para 18 meses do período de estágio em tribunais com os juízes formadores, em vez dos 12 meses actuais,alargamento do estágio de dois anos para três anos e meio e exigência do mestrado em direito, e não só licenciatura, como habilitação académica de base são as novidades previstas para a revisão da Lei Orgânica do CEJ.

Os juízes vão passar a estagiar nas empresas e bancos durante o período de formação do Centro de Estudos judiciários (CEJ). Segundo a proposta de reforma da formação dos magistrados, que deverá ser hoje aprovada em Conselho de Ministros, ` o estágio pode passar a ser feito em entidades não judiciárias que podem ser entidades bancárias", avançou ao Diário Económico a directora do CEJ, Anabela Rodrigues. Esta reforma no ensino, daqueles que terão nas suas mãos alguns dos processos mais complexos como os respeitantes à criminalidade económica e financeira, surge num contexto em que o combate à corrupção já assumiu um papel de destaque aos olhos dos vários actores judiciários. O Executivo coloca assim juízes e magistrados do Ministério Público mais perto da realidade empresarial e da banca. Os candidatos também vão deixar de esperar dois anos, após a licenciatura em direito, para se candidatarem ao CEJ. “Aos candidatos que concorram com base nas habilitações académicas não será exigido qualquer mínimo temporal após a licenciatura e mestrado”, diz Anabela Rodrigues. Mas, por outro lado, o estágio terá a duração de três anos e meio e não os actuais dois anos. Feitas as contas, um candidato a juiz terá de esperar 8 anos e meio até ditar uma sentença: quatro anos de licenciatura, um de mestrado e três anos e meio de estágio. De acordo com Alberto Costa, o acesso à magistratura passará a ter duas vias: "Uma centrada nos graus académicos, e outra num período de experiência profissional". O ministro, que discursou na última quarta-feira na Procuradoria-geral da República, salientou ainda que vão "aprofundar uma reforma que vai dar uma maior atenção a novas disciplinas e a matérias mais abrangentes".

Costa defende especialização
O Ministro da Justiça, na tomada de posse dos novos procuradores-adjuntos que decorreu na Procuradoria-geral da República, na passada quarta-feira, sublinhou que, a curto prazo, prevê-se uma revisão das competências dos magistrados, pela via da especialização. "Vão ser mudanças marcantes para os próximos anos", explicou então Alberto Costa.

Mais descentralização e especialização
O Centro de Estudos Judiciários, escola que forma os futuros juízes e magistrados do Ministério Público, assiste finalmente à muito esperada e reivindicada revisão dos seus currículos e métodos de ensino prático, que pouco mudou desde o pós 25 de Abril. Esta reforma na formação dos magistrados desde logo ganhou prioridade ao constar -juntamente com o estatuto dos magistrados, reforma do processo penal, penal e mapa judiciário - no Pacto de Justiça, assinado em Setembro de 2006, entre PS e PSD. Actualmente são mais de cem os juízes e magistrados do Ministério Público (MP) que todos os anos terminam o estágio para começarem a exercer funções nos Tribunais e departamentos do Ministério Público. E, segundo dados avançados pelo Ministério da Justiça, são mais de 1300 os processos que cada magistrado judicial têm em mãos à espera de uma decisão, e 800 os processos por cada magistrado do MP. Este ano, mudanças de fundo são esperadas: uma reforma do mapa dos tribunais, da estrutura do Ministério Público e ainda da Judiciária, que espera agora a aprovação da nova lei orgânica. Especialização e descentralização são as palavras de ordem do Executivo.

Presente
O ingresso no Centro de Estudos Judiciários exige dois anos de espera após licenciatura em Direito.
O período de estágio em tribunais com os juízes formadores dura um ano.
A parte prática do estágio é apenas exercida nos Tribunais ou Ministério Público.
12 meses do período de estágio em tribunais com os juízes formadores.
Tronco comum na formação teórica para magistrados judiciais e magistrados do Ministério Público.

Futuro
Fim da exigência de um período de dois anos após a licenciatura para a frequência do curso de formação - o candidato pode Inscrever-se no CEJ logo após a licenciatura e mestrado em direito.
Aumento para 18 meses do período de estágio em tribunais com os juízes formadores, em vez dos 12 meses actuais.
Alargamento do estágio de dois anos para três anos e meio;
Exigência do mestrado em direito, e não só licenciatura, como habilitação académica de base.

Diário Económico

ADITAMENTO EM 06.07.2007:

Curso de Direito já não é condição para ser juiz: Graus académicos e experiência qualificada são novas condições, além do CEJ
A proposta que altera as regras de acesso e de formação de magistrados no Centro de Estudos Judiciários (CEJ) foi ontem aprovada pelo Governo em Conselho de Ministros. A partir de agora optar pela magistratura judicial ou pela do Ministério Público já não é a mesma coisa. Se, até agora, "era preciso esperar dois anos após a conclusão do curso de Direito para o ingresso no CEJ", daqui em diante este requisito será substituído por outros "mais substanciais", afirmou Alberto Costa, o titular da pasta da Justiça.
As novas condições serão "a obtenção de graus académicos", tais como mestrados ou doutoramentos, por parte do candidato ou a experiência profissional qualificada que seja "relevante para o exercício da profissão", entre outras. O ministro da Justiça justificou esta medida pelo "largo suporte político" que apresenta e acrescentou que "numa primeira parte do processo de formação [para o MP e magistratura judicial] as disciplinas serão conjuntas", separando-se depois os ramos.
Alberto Costa sustentou que, apesar da adopção de "soluções diversificadas" na Europa, se procurou seguir "uma perspectiva de equilíbrio" tendo em conta a realidade europeia.
Coma aprovação do diploma, passa a haver uma "formação especializada" que visa o "bom desempenho das funções" por parte dos juízes ou ainda uma maior oferta de estágios de curta duração em locais como empresas, bancos ou instituições sociais e não só nos tribunais como era norma. O CEJ vai ainda promover acções de formação contínua.
Diário de Notícias

 

Comentarios (12)add
... : A dúvida de sempre...
Licenciados pré-Bolonha não terão de fazer mestrado, certo?
06.Julho.2007
... : hfg
e vão ficar amigos dos bancos...
06.Julho.2007
... : juiz bancário
Pois o estágio nas bancas é fundamental para fazer um despacho saneador em condições ou para decidir a matéria de facto num qualquer julgamento...
Estes senhores, antes de decidir, deviam ir primeiro aos tribunais....
06.Julho.2007
... : mfr
Isto é só rir!!!! smilies/grin.gif smilies/grin.gif smilies/grin.gif smilies/grin.gif
07.Julho.2007
... : Mário Rama da Silva
Confesso não entender bem que tipo de estágio os futuros Juízes vão efectuar na banca, nos seguros ou, quiçá, nos hipermercados da Sonae.
Os serviços jurídicos da banca, tal como os conheci por longos anos, eram compostos por Advogados cuja actuação se pautava por critérios técnicos e deontológicos respeitados pelas administrações dos bancos. Os Advogados não sabiam mais nem menos do que os Juízes, ressalvada a especialização decorrente do seu contacto permanente com as operações bancárias.
Temo que a lógica feroz do negócio tenha alterado a situação... para pior.
Em qualquer caso, não vejo qual a utilidade de os futuros Juízes aprofundarem conhecimentos em matérias empresariais específicas para julgarem acidentes de viação, casos de negligência médica, questões de propriedade ou de partilhas, regulações de poder paternal, etc.
Será que a ideia é dispor de uma Judicatura especialmente apta naquilo que interessa às grandes empresas, menorizando a generalidade das questões que são submetidas aos Tribunais?
Ou existirá uma intenção mais profunda a que os futuros Juízes terão de resistir: criar uma nebulosa promiscuidade entre a Judicatura e o poder económico?
Por outro lado, durante o seu estágio num banco ou grande empresa (ninguém acredita que vão estagiar em pequenas sociedades de venda de electrodomésticos) irão verdadeiramente aprender alguma coisa em benefício próprio relevante ou irão trabalhar para essas empresas para quase exclusivo benefício destas? Sujeitos à disciplina de quem? Pagos por quem?
Não se tratará de uma forma insidiosa de criar um pântano à independência da Judicatura?
A experiência, a diversidade de conhecimentos e, especialmente, o conhecimento da vida são importantes para um Juiz, mas não seria então preferível recrutar os Juízes após a aquisição dessa experiência, apresentando já curriculo no MP, na Advocacia, nas Conservatórias ou Notários, nos serviços jurídicos de empresas ou administração pública ou, até, como assessores dos Juízes?
08.Julho.2007
... : Aqui, da Ericeira, com frio
Vocês não entendem nada da poda. Claro que tem vantagens colocar os juízes a aprender as vigarices durante o estágio num banco.
Quando confrontados com tais vigarices na prática judiciária, será tudo muito mais fácil para a decisão que terão de tomar no caso concreto.
O problema é se depois não lhes chamam juizes, mas engenheiros.

08.Julho.2007
... : Hannibal Lecter
Vejo um problema ainda mais grave: depois de verem as condições de trabalho e os meios que são dados na banca, quando os jovens candidatos a juízes se depararem com as condições que o ministério da justiça dá em geral aos tribunais (leia-se computadores desactualizados, ter de mendigar por uma simples agenda, não haver toner nem folhas para a impressora, etc), irão abanar rápidamente a mão direita, emitir um som prolongado construído a partir da 6º letra do alfabeto, e saem de cena mais rápido que o primeiro ministro tira um curso de engenharia...
11.Julho.2007
... : Armando
Boa- agora sim, vamos ter juizes..., no futuro treinados na Banca, coitados dos cidadãos, talvez se venha a rever a constituição nos direitos fundamentais, liberdades e garantias.
12.Julho.2007
... : António carlos : http://aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Se não é preciso curso de direito para Magistrado, para quê o curso de direito para se ser Advogado??? Respondam-me se souberem.
13.Julho.2007
... : ....A dúvida de sempre....
licenciados pré-bolonha: aplica-se-lhes ou não estas novas regras?
17.Julho.2007
... : António Ramos
Estou certo que um mestre (pós bolonha) em psicologia, sociologia, quimica, filosofia ou história, p.ex., reunem as condições técnicas necessárias para que possam realizar bons despachos saneadores ou boas sentenças. Principalmente, se conjugarmos estas suas capacidades técnicas com o Principio da Livre Apreciação da Prova que, cada vez mais, faz com que as Relações renunciem aos seus poderes de sindicabilidade da matéria de facto. Dito de outra forma: em vez de termos melhores juízes em virtude das exigências que esse principio dita relativamente às primeiras instâncias, temos historiadores, psicologos, engenheiros, etc, a julgar definitivamente matéria de facto, sendo esta quase irrecorrivel. Como é possivel que exista alguém que defenda que daqui virá uma melhor Justiça? E como é possivel que esse alguém seja Ministro? E como é possivel que esse alguém seja Ministro da Justiça?
Claro que estas medidas nada tem a haver com o excesso de "boys" partidários licenciados em tudo menos Direito e que não conseguem um emprego decente no sector privado... Longe disso... smilies/smiley.gif
18.Julho.2007
... : M.Santos
Que tal estagiar numa equipa de futebol, ou nas Casas Pia deste País. Já agora! Especializar é preciso. Bom, em boa verdade, saber não ocupa lugar! O que incomoda são os "laços de camaradagem" que, na circunstância, se podem estabelecer.
23.Julho.2007
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