|
António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes
Portugueses, considera lamentável o silêncio de Cavaco Silva e dos
deputados sobre as recentes agressões a magistrados. As agressões a juízes são efectivamente um sinal claro de uma perda da autoridade do Estado.
Os órgãos de soberania tiveram uma atitude de silêncio que os juízes registaram. Há
o intuito de sabotar uma efectiva gestão dos tribunais.
Correio da Manhã – As recentes
agressões a juízes são já consequência da crise social do País?
António Martins – Estas
situações de violência que ocorreram nos tribunais, os mais recentes,
envolvendo directamente, como vítimas, juízes, vêm na sequência
de outras que tinham acontecido anteriormente no interior dos próprios
tribunais, envolvendo pessoas que estavam nos tribunais a colaborar
com a justiça. Inclusive testemunhas.
- Mas estes casos significam
o quê?
- São efectivamente um sinal
claro de uma perda da autoridade do Estado num domínio que é sagrado,
sagrado no bom sentido. No sentido de último reduto do Estado de Direito
e de um Estado democrático que tenha valores essenciais como o valor
da justiça.
- Estes casos têm vindo a
aumentar ou não?
- Os sintomas que temos e os
levantamentos que foram realizados são indicativos de que têm vindo
a aumentar, quer em quantidade, quer em qualidade, no sentido da gravidade,
chegando a estes extremos. Primeiro serem vítimas de um sequestro no
interior de um tribunal, em Vila Nova de Gaia, em Maio, e no mês seguinte,
em Junho, um juiz no interior da própria sala de audiência, o último
reduto e definitivo da autoridade do Estado para exercer a soberania
através da administração da justiça, ter sido agredido.
- Mas confirma que esses casos
têm vindo a aumentar?
- Os casos têm vindo a aumentar
em quantidade e qualidade.
- Estes casos, como em Santa
Maria da Feira, não são provocados também pelas deficiências das
instalações, dos tribunais?
- Há aspectos particulares
em certos casos. Mas há o fenómeno mais global e mais profundo da
perda de autoridade do Estado.
- E as instalações, os tribunais,
não facilitam essas situações?
- Repare. A generalidade dos
Governos da democracia nunca colocaram a justiça num patamar de dignidade
e igualdade com os outros órgãos de soberania do Estado. Os tribunais
da democracia, a justiça da democracia foi votada sistematicamente
a pouca consideração e a um patamar de dignidade inferior aos outros
órgãos constitucionais do Estado.
- É o caso das instalações?
- Também as casas da justiça
foram votadas a esse abandono. Mas a verdade é que, apesar disso, a
autoridade do juiz numa sala de audiências e num julgamento era mesmo
assim preservada e respeitada como hoje não é.
- Apesar das péssimas condições
de trabalho?
- Exacto. Recordo que comecei
em Setúbal em 1986, 1987, cheguei a fazer julgamentos no gabinete,
só existia uma sala de audiências para oito ou nove juízes, gabinete
minúsculos, cheguei a ter arguidos a um metro de distância e nunca
tive qualquer problema. Mas há três anos, quando deixei a 1ª instância,
em salas de audiência normais, já se começava a notar algumas tentativas
de se colocar em causa a autoridade do juiz na condução do julgamento
por força daquilo que tem vindo a acontecer, sistematicamente, isto
é, de se pôr em causa a autoridade do Estado em várias áreas.
- Não só na justiça?
- Não só. Na educação,
na segurança até se chegar à justiça.
- Mas em Santa Maria da Feira
as agressões não aconteceram por falta de condições?
- Claro que nesse caso particular
é óbvio que as condições concretas do espaço potenciaram as agressões.
O espaço era diminuto, não permitia as condições de segurança adequadas,
apesar de estarem presentes alguns polícias.
- Eram poucos?
- Não podiam ser em número
suficiente pela dimensão reduzida do espaço. Nem teriam efeito dissuasor
suficiente porque o arguido estava tão perto do juiz que podia fazer
o que quisesse antes de qualquer intervenção policial ter o mínimo
de eficácia. As instalações potenciaram.
- O facto dos juízes de Santa
Maria da Feira terem anunciado a suspensão de julgamentos provocou
muitas críticas, porque os órgãos de soberania não podem suspender
funções. Esta crítica é ou não pertinente?
- Ainda bem que fala nisso
porque a questão é muito mais funda e muito mais vasta. Gostaria de
destacar três aspectos. Algumas das críticas que estão subjacentes
a essa ideia partem de uma ignorância total de duas coisas.
- Quais?
- Em primeiro lugar quais são
os deveres dos juízes e em segundo lugar o que é que estava em causa.
Ignorância que se chegou a reflectir numa senhora jornalista que chegou
a dizer que os juízes, em vez de se queixarem à tutela, suspenderam
os julgamentos não cumprindo os seus deveres.
- Tutela?
- Sim. A ignorância é tal
que não se percebe que os juízes não têm tutela.
- Claro, são um órgão de
soberania.
- Claro, mas escreveu-se isto.
Está escrito num artigo. A senhora jornalista que escreveu isto num
artigo de opinião ignora que os juízes não têm tutela.
- Estaria a falar do ministro
da Justiça?
- Não sei se ela se estava
a referir ao ministro da Justiça ou a quem. A verdade é que os ministros
não têm tutela. Não têm que se queixar a tutela nenhuma. E depois
o que os juízes têm de cumprir é precisamente deveres. E um dos deveres
do juiz é garantir condições de segurança num julgamento. Porque
essas condições não são dele. São de todos os intervenientes num
julgamento.
- Nomeadamente das testemunhas.
- Exacto. É que também aqui
houve falta de percepção do problema. A atitude do juiz não é só
na perspectiva da sua segurança. É na perspectiva de que um julgamento
só se pode efectuar se houver condições de segurança e liberdade
para todos os intervenientes.
- A liberdade é importante.
- É importante, sob pena de
termos em audiência testemunhas que não estão a depor com verdade
porque têm medo do arguido que está a um metro de distância e que
as pode agredir. O que um juiz tem de preservar necessariamente, e em
primeira linha, é que o acto de julgamento decorra num clima de segurança
e liberdade para todos os intervenientes. Porque só assim é possível
realizar a justiça.
- Isso justifica a suspensão
de julgamentos em Santa Maria da Feira?
- Os juízes quiseram dizer
que as instalações em que estavam a trabalhar, um salão de bombeiros,
não têm condições de dignidade e segurança para todos os intervenientes.
E como não têm essas condições a solução é suspender os julgamentos.
A ignorância de quem teve esse tipo de críticos e escreveu o que escreveu
parte até de uma outra coisa.
- Qual?
- É não perceber sequer que
os juízes já tinham sido obrigados a sair do seu tribunal precisamente
porque o edifício estava ameaçado de derrocada. Quando não se percebe
isto das duas uma: ou a ignorância é total e absoluta ou até parece
que há aqui uma atitude de querer atacar os juízes porque isso dá
jeito para defender o poder político. E isso introduz o segundo aspecto
que lhe queria referir.
- Exacto. Qual é?
- Depois existiu a reacção
de algum poder político, nomeadamente do Governo, através do ministro
da Justiça e do secretário de Estado. Que é uma reacção absolutamente
errada, também sem compreender o que é que está em causa.
- Tentaram desvalorizar?
- Exacto. A atitude foi de
querer transformar isto num mero incidente, num problema menor.
- O secretário de Estado chegou
a culpar os juízes por não terem pedido a segurança adequada.
- Até aí transmitindo informação
errada e deturpando a realidade. Mas quiseram transformar isso num problema
menor e que até é menos grave do que em outros países por esse mundo
fora. E eventualmente até aconteceu por não se ter requisitado a força
policial suficiente. O que é errado.
- Foi requisitada?
- Foi requisitada em número
suficiente e adequado, o espaço é que não permitia ter lá mais pessoas.
A questão que se levanta nesta reacção errada do poder político
é a mensagem errada que se transmite.
- À opinião pública?
- À opinião pública e a
todos. Não se percebe sequer o que está em causa. O que está em causa
é a soberania do Estado. A reacção política podia resumir-se a duas
palavras simples: é a inadmissibilidade e a inaceitabilidade de uma
situação destas. Duas palavras: intolerável e solidariedade total
e absoluta com os juízes.
- Essa solidariedade anda muito
esquecida? Até o respeito?
- Não tem existido e deixe-me
que lhe diga duas coisas. Não tem existido activamente da parte do
Governo, como se viu nesta atitude, como também os outros órgãos
de soberania tiveram uma atitude de silêncio que os juízes registam
e lamentam.
- Fala da Assembleia da República?
- E não só. O silêncio da
Assembleia da República sobre esta matéria foi confrangedor. É de
tal maneira grave que o silêncio se transforma num ruído enorme. E
teve todas as oportunidades, em cinco minutos, de ter uma palavra sobre
o assunto. Ter suscitado a questão, ter proposto um voto de rejeição
absoluta a estes comportamentos e um voto de solidariedade e apoio total
aos juízes no exercício das suas funções.
- Esse ruído foi extensivo
a outros órgãos de soberania.
- Já lá vou. Repare que a
Assembleia da República já perdeu uma tarde inteira para discutir
se devia de haver o dia do cão ou não. Já chegou a perder uma tarde
inteira para discutir se devia de haver um voto de pesar pela morte
do cónego Melo. Mas não teve um minuto para discutir o problema da
perda da autoridade do Estado nos tribunais. E não precisavam de perder
mais do que cinco minutos.
- E seria consensual.
- Claro. Seria consensual dizer
que isto é inadmissível, inaceitável e manifestar solidariedade total
com outro órgão constitucional e de Estado.
- A Presidência da República
também se calou.
- Exacto. Os juízes registam
e lamentam que a própria Presidência da República tenha tido um silêncio
total. Nós compreendemos e aceitamos e que a intervenção do senhor
Presidente da República não é regular, diária e de intervenção
na área executiva. A reserva e distanciamento é perfeitamente compreensível
para os juízes. Mas em momentos chave, em que estão em causa as instituições
do Estado, a solidariedade e uma palavra forte de quem tem autoridade
nesta matéria, como é seguramente a Presidência da República, pode
transmitir mensagens muito adequadas e muito correctas.
- No momento certo.
- No momento certo, na altura
certa, com o tom certo, seguramente que uma mensagens destas levaria
que algumas atitudes e opiniões de canetas alugadas não tivessem tido
campo para actuar. E a verdade é que no dia seguinte a Santa Maria
da Feira tivemos outra situação em Vila Real, com insultos e eventualmente
tentativa de agressão de um arguido a uma juíza e ter tido tempo de
antena para dizer que não aceitava ser julgado por mulheres, num atitude
tipicamente portuguesa.
- Mas certos políticos também
têm vindo a questionar a qualidade dos juízes e das suas sentenças.
Estas opiniões, esse ruído de fundo, não potenciam esses casos de
agressões e insultos a magistrados?
- É mais do que um ruído
de fundo. São vozes que ultrapassam o ruído de fundo, que querem ter
palco e que querem ter atitude típica de deslegitimização do poder
judicial e com um objectivo muito simples.
- Simples? Qual?
- O poder judicial é aquele
poder que serve de contra poder ao poder executivo e legislativo. Quando
mais deslegitimado tiver o poder judicial mais os outros poderes se
podem permitir acções, comportamentos e atitudes que não são sindicáveis
nem controláveis pelo poder judicial porque este está sem autoridade,
sem prestígio, sem credibilidade. E quando o pretender fazer será
acusado disto e daquilo, fundada ou infundadamente.
- Está a dizer que esses poderes
não querem uma justiça a sério?
- Alguns políticos não conseguem
separar a sua dimensão como homens e os seus interesses como homens
dos seus deveres enquanto pessoas do Estado. E também não é um fenómeno
português. A Itália está a viver momentos piores do que estes.
- Falava dos políticos que
misturam tudo.
- Exacto. Alguns políticos,
por força de terem processos judiciais em tribunal, cujas decisões
muitas vezes não lhes são favoráveis, ou a simples existência dos
mesmos os incomoda, leva-os a reagir procurando deslegitimar o poder
judicial e procurando transmitir a ideia de falta de credibilidade,
de falta de qualidade e de falta de eficácia do poder judicial.
- E são eles que fazem as
leis.
- Exactamente. Tudo isto são
factores que dependem, e muito, dos poderes legislativo e executivo.
Eficiência, eficácia, credibilidade e a qualidade dos juízes depende
da existência de condições adequadas que o Estado proporcione para
ter juízes. Se acham que o campo de recrutamento não deve ser este,
cabe ao poder político escolher outro. Se acham que a formação dos
juízes não deve ser esta escolham outra. Se acham que há decisões
contraditórias cabe encontrar a solução legislativa para acabar com
elas. Agora, a verdade é que isto é algo que sistematicamente vai
ocorrendo.
- Não é uma prática nova?
- Há quinze anos atrás o
argumento era outro. Era a pouca idade dos juízes. Cheguei a ter um
processo complexo e com alguma repercussão, estava na altura com 30
e poucos anos e o problema era os cabelos brancos ou não brancos. E
não há empresas neste País geridas por pessoas na casa dos trinta?
- Uma coisa é a idade, outra
a maturidade.
- A maturidade não tem idade.
Mas estas atitudes que vêm ocorrendo têm um objectivo claro. Deslegitimar
o poder judicial para que não exista uma atitude saudável de interdependência
dos poderes. Isto não me parece que seja querido e aceite por alguma
classe política.
- Não só. A Ordem dos Advogados
tem neste momento uma posição muito negativa em relação aos juízes
e ao poder judicial. Estes ataques são mais umas achas para a fogueira?
- Uma coisa são os advogados,
como classe profissional, outra coisa é a Ordem como instituição
e outra coisa ainda é um advogado que exerce neste momento as funções
de bastonário. São coisas distintas. A classe profissional dos advogados
merece todo o respeito dos juízes e deve merecer total respeito dos
portugueses.
- Neste caso de Santa Maria
da Feira como é que reagiram os advogados?
- É a prova do que lhe digo.
A delegação local da Ordem teve uma posição de solidariedade com
os juízes, o Conselho de Distrital do Porto também e considerou aquele
incidente de inaceitável. É esta solidariedade que registamos e que
é relevante. Não confundimos um advogado com a classe e com a Ordem.
- Mas Marinho Pinto tem sido
muito crítico com os juízes.
- A atitude do doutor Marinho
Pinto tem sido sistematicamente de colocar em causa o sistema de justiça,
os juízes.
- Com algumas acusações graves.
- Em não lhe chamarei acusações.
Porque acusações pressupõe factos e ele nunca concretiza rigorosamente
nada. Ele não faz acusações. Nunca apresenta factos. Em todas as
classes há bons e maus e não se pode confundir a árvore com a floresta.
E os juízes são os primeiros a dizer que todo aquele que prevaricar
e não cumprir com os seus deveres deve ser devidamente sancionado pelo
órgão de gestão e disciplina, que é o Conselho Superior de Magistratura.
- É verdade, como diz o ministro
da Justiça, que o número de processos por resolver diminui de ano
para ano?
- Houve uma ligeira diminuição.
Mas não por se estar a atacar efectivamente as causas do problema e
a encontrar soluções para resolver o problema. Essa diminuição acontece
por meras razões conjunturais. Não há uma estratégia para descongestionar
os tribunais. Nomeadamente através de modelos de gestão modernos dos
tribunais.
- A proposta do Governo, no
âmbito do novo mapa judiciário, para a gestão dos tribunais não
resolve esse problema?
- Essa matéria que está a
referir é o exemplo evidente da incapacidade do Governo em perceber
o quanto poderia melhorar as coisas. Inicialmente a proposta, no essencial,
até era correcta. Uma filosofia de ter uma economia de escala e ter
uma liderança na gestão efectiva do tribunal. Nomeadamente com formação
específica para essa função, assumpção clara da liderança e recrutamento
na área certa.
- O que vai ser votado no Parlamento
não privilegia esses aspectos?
- Com a evolução legislativa
que tem vindo a ocorrer será votado um diploma que desvirtua todos
esses princípios. Da liderança é desvirtuado com a introdução de
uma comissão permanente no conselho consultivo da comarca que não
é certo que não venha a ter funções executivas.
- Isso quer dizer uma liderança
colectiva nos tribunais?
- O que eu digo é que lideranças
colectivas pensei que já tinham terminado com a queda do Muro de Berlim.
Pelos vistos não terminaram. Depois, a liderança, que pressupunha
uma formação específica fundamental para a gestão, vai pode ser
exercida sem que seja necessário esse requisito.
- Já não é necessária?
- O diploma que vai ser votado
elimina três ou quatro palavras do artigo em que se exigia essa formação
específica. Sem isso não vamos ter lideranças efectivas.
- E o recrutamento? Também
foi mudado?
- O recrutamento para a gestão
dos tribunais de 1ª instância deveria ser feito entre juízes de 1ª
instância. Agora admitem juízes desembargadores. Uma solução que
deu maus resultados nos tribunais administrativos e fiscais e que agora
se está a repetir. É não querer aprender com os erros.
- Essas mudanças são estranhas,
não são?
- O problema disto é que eu
começo a suspeitar que isto é propositado.
- Propositado como? Não haver
uma gestão eficaz?
- Sim , é propositado da parte
do poder político. Começo a ficar com a nítida sensação de que
o objectivo do poder político é sabotar, minar uma efectiva gestão
dos tribunais por juízes. E, portanto, vão, neste momento, criar a
ideia de que até estão a dar a gestão aos juízes. Minam isso porque
não dão condições de liderança e de gestão e daqui a três ou
quatro anos vão dizer que tudo falhou e avançam para gestores profissionais.
- É essa a sua suspeita?
- Penso seriamente que há
o intuito de sabotar uma efectiva gestão dos tribunais por parte dos
juízes.
- Como é que os juízes vão
reagir a essa armadilha?
- Pode vir a ser uma armadilha.
A Associação vai actuar por duas vias. Primeiro, fazer tudo o que
pudermos para que os juízes possam exercer as funções do modo mais
capaz possível, pondo à sua disposição toda a formação necessária.
Depois vamos procurar intervir junto do Conselho Superior de Magistratura
para o sensibilizar para a necessidade de o campo de recrutamento, independentemente
da lei, seja feito entre os mais aptos.
- Algumas vozes dizem que os
juízes estão preocupados em gerir os parques de estacionamento dos
tribunais.
- O que há efectivamente aqui
é interesses de várias instituições que não conseguem compreender
que o próprio interesse delas não deve ser visto pela dimensão do
seu umbigo
- Quais instituições?
- Concretamente indo ao parque
dos automóveis e à tentativa de ridicularizar a perspectiva do juiz
presidente como um mero arrumador de automóveis o que há aqui é a
incapacidade de perceber que a autonomia do Ministério Público só
será devidamente salvaguardada com juízes prestigiados no sistema
de justiça. A tentativa de querer que duas coisas sejam iguais quando
não são iguais, uma coisa é a independência outra a autonomia, levará
seguramente a que se depauperem todas as condições para uma justiça
prestigiada e, por essa via, a dimensão do umbigo ficará também mal
vista.
- Quem é que fica a ganhar
no curto prazo com as alterações à gestão dos tribunais?
- O que eu conheço das propostas
legislativas que estão em discussão e em cima da mesa levam-me a dizer
que o senhor procurador-geral da República terá conseguido que, à
última da hora, tenham sido introduzidas uma série de alterações
que vão nitidamente de encontro desses interesses e aos quais o poder
político até quis satisfazer.
CORREIO DA MANHÃ | 06.07.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|