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Juízes dividem Justiça e Finanças criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
03-Nov-2007

O desentendimento entre os Ministérios das Finanças e da Justiça sobre a aplicação da lei das carreiras da função pública pós os magistrados em pé de guerra e pode ter de levar a uma alteração da lei aprovada pelo Parlamento na semana passada. O assunto até já foi levado ao Presidente da República pelo presidente do Conselho Superior de Magistratura, Noronha do Nascimento, e, na quarta-feira, o ministro da Justiça, Alberto Costa, tentou sossegar os magistrados garantindo que a lei não se irá aplicar aos juízes. Se necessário, reforçou o ministro, serão introduzidas alterações à lei para que a sua nulidade para os magistrados seja clara e efectiva.

A lei resulta de uma proposta do Governo e as cerca de 50 alterações feitas no Parlamento pelos deputados socialistas foram feitas em coordenação com a equipa das Finanças. Os deputados do PS da comissão de Trabalho reuniram várias vezes com o secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo. E terão sido as Finanças a impor que a lei não tivesse excepções para os juízes, nem para os militares, apesar de haver compromissos nesse sentido.O resultado final acabou por surpreender os juízes e a equipa da Justiça, nomeadamente o ministro, Alberto Costa, e o secretário de Estado Conde Rodrigues.

Quarta-feira, no Parlamento, aproveitando as audições na comissão de Assuntos por causa das escutas, o CDS levantou o problema.Noronha do Nascimento não se fez rogado: criticou violentamente a lei, acusando os socialistas de tentarem diminuir o estatuto dos juízes, equiparando-os aos funcionários públicos. É uma «atitude pré jacobina que faz lembrar países da América Central", atacou.

Antes, na mesma comissão, já Alberto Costa se tinha comprometido com a não aplicação aos juízes. Essa tinha sido, precisamente, a razão invocada na sua declaração de voto por Osvaldo Castro, presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, que defendia que ao abranger os juízes, a lei pode ser inconstitucional, já que estes têm um estatuto próprio.Alberto Costa acabou por dar-lhe razão. «Se a lei tivesse passado por esta comissão parlamentar, teria sido feita de outra forma», disse o ministro no Parlamento.A lei foi, contudo, tratada na comissão parlamentar de Trabalho e Administração Pública, presidida pelo socialista Vítor Ramalho, que, naturalmente, não gostou do reparo.«A autoria moral da proposta é do Governo. O PS fez cerca de 50 propostas de alteração e, como é óbvio e natural, fê-lo sempre em articulação com o Governo», disse Vítor Ramalho ao SOL, recordando que ele próprio também entregou uma declaração de voto sobre este diploma.

SOL | 03.11.2007
Comentarios (3)add
... : Manchev
Todos no dia 10-11-2007 a Bencanta, Coimbra!
05.Novembro.2007
... : armando
curioso - dificilmente os juizes defendem o cidadãos do fisco, aliás é uma posição dos juizes perante a administração fiscal, bastante incómoda enquanto juizes - homens de leis- de rectidão - com ética, soberanos nas suas decisões, juizes em quem o povo a polulaça os apoia como unico reduto da justiça. E agora, troca-lhes à porta mas tão sómente nas carreiras, já se mexem, já são tratados com a arrogância peculiar do fisco. - Ficamos a ver por agora.
09.Novembro.2007
... : António
«O pêndulo visível do estatuto dos juízes só pode ser um: o da titularidade de um dos órgãos de soberania do Estado» (Presidente do STJ, 16.11.2007).
Não é o caso do MP.
Para bem de todos os cidadãos.
18.Novembro.2007
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