header image
Início seta Juízes seta Juízes contra comissões não judiciais
Juízes contra comissões não judiciais criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
06-Nov-2007

Em protesto contra a inclusão dos juízes no regime legal dos trabalhadores da Administração Pública, através da proposta de lei 152/X, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) solicitou ao Conselho Superior da Magistratura que determine a cessação das comissões de serviço não judiciais existentes e não autorize ou renove comissões de magistrados. A proposta é hoje debatida no plenário do órgão de gestão e disciplina dos juízes.

“No contexto actual, para afastar todos os factores que possam lançar dúvida sobre o que deve ser o exercício da função judicial com total independência do poder político, é vital que os juízes não desempenhem funções directa ou indirectamente ligadas à actividade político-administrativa”, explica a associação em comunicado.
“A função jurisdicional é uma função independente de qualquer outro poder e não pode estar integrada no regime dos trabalhadores da Administração Pública”, acrescentou ao CM António Martins, presidente da ASJP, defendendo ainda uma clarificação e distinção entre as funções jurisdicionais e as funções político-administrativas.
Considerando que a inclusão dos juízes na proposta de lei relativa aos regimes de vinculação, carreiras e remunerações dos trabalhadores da Administração Pública constitui uma tentativa de “funcionalização do poder judicial e de controlo dos tribunais pelo poder executivo”, a ASJP apela aos juízes em comissão que “regressem aos tribunais e ao exercício das suas funções jurisdicionais independentes”.
Actualmente, cerca de dez por cento dos juízes está em comissões de serviço, na sua maioria judiciais. Entre os magistrados destacados para funções não judiciais encontram-se, entre outros, o inspector-geral da Administração Interna, o desembargador Clemente Lima, o juiz Moreira da Silva, director do Departamento de Combate ao Crime Económico e Financeiro da Polícia Judiciária, e Antero Luís, director do SIS.

Apontamentos

COMISSÕES POLÉMICAS
O exercício em funções de juízes em cargos na dependência do poder político, comissões de serviços não judiciais que não resultem de imposições legais é uma matéria polémica na magistratura, uma vez que pressupõe que os magistrados recebam ordens e posteriormente, sem qualquer impedimento, regressem aos tribunais.

NORONHA CRITICA LEI
O presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha Nascimento, manifestou-se surpreendido com a inclusão dos juízes no regime legal dos trabalhadores da Administração Pública, lembrando que a mesma lei não é aplicada à GNR.

CRISE E DESRESPEITO
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses considera que a aprovação da Lei 152/X, sem a audição de qualquer entidade judiciária, “desrespeitou gravemente os juízes portugueses” e “coloca em crise o regular funcionamento da Justiça”.

CORREIO DA MANHÃ | 06.11.2007 

Comentarios (0)add
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem