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Em comunicado de hoje, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses apelou ao respeito e cumprimento do princípio constitucional da separação de Poderes e Independência na Justiça. Conselhos Superiores de Magistratura foram instados a recusar comissões de serviço político-administrativas.
«A Lei, aprovada no passado dia 16 de Outubro, sobre os "regimes de
vinculação, carreiras e remunerações dos trabalhadores da administração
pública", que a Assembleia da República, sob proposta do Governo,
tornou aplicável aos juízes de qualquer jurisdição, mereceu repúdio
público por parte desta associação, através do comunicado de 29 de
Outubro.
A reacção do Ministério da Justiça, em comunicado do próprio dia, além
de não vinculativa do Governo, não esclarece o essencial.
Contrariamente ao que o Ministério da Justiça quis fazer crer, o que
está em causa não é o problema de serem ou não directa e imediatamente
afectados direitos profissionais dos juízes, mas sim uma questão de
Estado, que é a equiparação dos juízes a trabalhadores da função
pública dependentes do poder executivo.
Os juízes neste momento estão a lutar pela independência do poder judicial e não por quaisquer interesses profissionais.
Por isso a ASJP reitera a sua absoluta rejeição por esta tentativa de
funcionalização e subordinação dos juízes ao poder político,
frontalmente contrária aos princípios constitucionais da separação de
poderes e da independência do poder judicial.
A aprovação desta lei, em violação dos compromissos assumidos pelo
Governo e sem audição de nenhuma entidade da justiça, desrespeitou
gravemente os juízes portugueses, quebrou regras básicas de
transparência política e de confiança institucional e coloca em crise o
regular funcionamento da Justiça.
A ASJP tem defendido uma separação nítida entre a actividade política e
a actividade judicial. No contexto actual, para afastar todos os
factores que possam lançar dúvida sobre o que deve ser o exercício da
função judicial com total independência do poder político, é vital que
os juízes não desempenhem funções directa ou indirectamente ligadas à
actividade político-administrativa.
Nessa medida a ASJP informa que solicitou ao Conselho Superior da
Magistratura e ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e
Fiscais que não autorizem nem renovem mais comissões de serviço não
judiciais e que determinem a cessação, logo que possível, das
existentes neste momento, para que esses juízes regressem aos tribunais
e ao exercício das suas funções jurisdicionais independentes.
A Direcção Nacional da ASJP»
05.11.2007 (in www.asjp.pt)
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