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Terminou à pancada, com agressões aos
magistrados, a leitura da sentença de 18 arguidos ontem condenados pelo
Tribunal de Santa Maria da Feira apenas de prisão entre os nove e dois
anos e meio por tráfico de droga. O juiz presidente, António Coelho,
foi atingido com um pontapé no peito e uma outra juíza ficou com cortes
na cara e numa perna.
Esta situação veio pôr a nu a falta de condições de segurança em que decorrem as audiências desde que
o tribunal, em risco de derrocada,foi encerrado por ordem do Ministério
da Justiça. Numa pequena sala no Quartel dos Bombeiros da Feira, os
dezoito arguidos estavam apenas separados por escassos centímetros
da assistência.Não havia nenhuma barreira a separá-los dos
magistrados e advogados e só estavam na sala três agentes a fazer a
segurança, enquanto os restantes estavam junto à porta e no exterior,
por falta de espaço.
Mal se deu por encerrada a audiência, os dois principais arguidos, dois irmãos, saltaram das cadeiras e percorreram os cerca det rês
metros que os separavam dos juízes. Passaram a secretária já com o pé em
riste e atingiram o presidente do colectivo no peito. Os outros arguidos e familiares que assistiam à audiência juntaram-se à cena de
pugilato, entre gritos e ameaças de morte. As cadeiras plásticas, mesas
e equipamentos voaram, enquanto os homens da PSP e da GNR à paisana
tentavam pôr cobro à pancadaria. Os magistrados foram retirados da
sala pela policia, refugiando-se na camarata dos bombeiros.
No exterior
as agressões envolvendo os familiares dos arguidos continuaram. A irmã
dos dois principais arguidos acabou por ser detida. A mãe ameaçou o
comandante da GNR, afirmando que sabia em que escola andava afilha.
Irmãos vendiam 15 quilos de haxe por semana
Apenas quatro dos arguidos,entre os quais um dos dois principais
cabecilhas, confessaram o crime. Os dois principais abastecedores desta
rede, segundo o tribunal, são os irmãos de 27 e 44 anos que vendiam
pelo menos 15 quilos de haxixe por semana. Apenas o mais velho
confessou, mas de forma selectiva. O irmão, que segundo ele também
traficava, optou pelo silêncio, apesar de ter sido acusado, também por
dois outros arguidos que confessaram integralmente. Os dois irmãos são
os dois únicos presos preventivos no processo.
Treze dos dezoito arguidos com pena de prisão
O colectivo de juízes considerou provada a acusação e condenou 13 arguidos a penas de prisão efectivas e cinco
com penas suspensas. No entanto, disse-lhes para recorrerem para as
instâncias superiores, para tentarem reduzir as condenações ou
suspendê-las. O colectivo sublinhou que condenou com base "nas leis que
existem" realçando que, em alguns casos, as penas ficaram "claramente
abaixo" de outros crimes semelhantes. "O tribunal não tem prazer nenhum
em aplicar penas de prisão : enfatizou o magistrado, explicando que as
penas não são "distribuídas gratuitamente a torto e a direito".
Acrescentou ainda que "tráfico é tudo o que seja fazer chegar a droga ao
consumidor .Os 18 arguidos tinham sido detidos pela GNR, a 12
deJulhode2006.
Associação Sindical dos Juízes - "Julgamentos suspensos"
Correio da Manhã - Dois magistrados
foram ontem agredidos por arguidos que tinham acabado de condenar. Que
comentário faz a esta situação?
António Martins - Isto só está a ocorrer porque o Estado tem tratado muito mal a Justiça. Realizar
julgamentos nestas condições é inadmissivel.-
- Os juízes já pediram uma estrutura de segurança. Que respostas têm do Governo?
- A única resposta foi a criação-de uma comissão que elaborou um relatório e nada fez.
- Que medidas vão tomar?
A Associação irá apoiar as medidas que os colegas de Santa Maria da
Feira decidam, nomeadamente suspender a realização de julgamentos
enquanto não houver condições adequadas.
FRANCISCO MANUEL | CORREIO DA MANHÃ | 26.06.2008
Dois juízes agredidos por irmãos condenados por tráfico de droga
S. M. da Feira. Tumultos em leitura de acórdão em sala improvisada de tribunal.
Irmã de arguidos detida após atirar cadeiras e injuriar magistrados.
Dois juízes do Tribunal Judicial de Santa Maria da Feira sofreram ontem
à tarde ferimentos ligeiros causados por agressões de um arguido no
final da leitura da sentença de um processo por crimes de tráfico
agravado de droga.
Os magistrados judiciais foram assistidos no local por socorristas dos
Bombeiros de Santa Maria da Feira, nas instalações dos quais estava a
decorrer a audiência, como tem acontecido desde o encerramento do
Palácio de Justiça local.
A confusão instalou-se após a leitura do acórdão cerca das 17.00. Dois
arguidos, irmãos, que tinham sido condenados a oito anos e seis meses e
nove anos de prisão efectiva, as penas mais elevadas entre os 18
acusados, levantaram-se das cadeiras e galgaram a mesa que os dividia
dos juízes gritando ameaças de morte.
Antes de ser dominado pelas forças policiais, um dos indivíduos
conseguiu ainda consumar agressões ao juiz presidente e a uma juíza
causando-lhes, respectivamente, um hematoma na cabeça e feridas na cara
e pescoço.
Elementos que estavam na assistência, entre os quais familiares dos
arguidos, acabaram também por se envolver nos tumultos, fazendo voar
cadeiras pela sala enquanto injuriavam magistrados e agentes de
autoridade.
Guardas prisionais, militares da GNR à paisana e agentes da PSP,
totalizando quase duas dezenas de efectivos, restabeleceram a ordem em
dez minutos.
Uma irmã dos arguidos que esteve envolvido nas agressões aos
magistrados, de 32 anos, foi detida e outros intervenientes
identificados.
O processo por tráfico de droga culminou ontem com a aplicação de penas
de cadeia entre 2 a 9 anos, tendo sido suspensas relativamente aos
cinco arguidos condenados até três anos.
Os cabecilhas, que estavam já em prisão preventiva, são residentes em Santa Maria da Feira.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 26.06.2008
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