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O presidente da Associação Sindical dos Juízes
Portugueses sublinhou ontem que a independência dos magistrados "não tem prazo, nem
preço", reagindo à alteração ao Orçamento que exclui a progressão na
carreira dos magistrados das regras aplicadas à Função Pública.
"Era bom que não se
confundisse as coisas e não se reduzisse o problema ao Orçamento de Estado para
2008 (...), a independência dos juízes não tem prazo, não tem preço",
afirmou o presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Martins, em
declarações aos jornalistas à saída de um encontro com o líder do PSD.
O PS aprovou ontem uma alteração
ao Orçamento do Estado para 2008 que exclui a progressão na carreira dos magistrados
judiciais e do Ministério Público das regras aplicadas à Função Pública,
matéria que tem suscitado polémica entre operadores judiciários.
"A partir de 01 de Janeiro
de 2008, as progressões dos juízes de qualquer jurisdição e dos magistrados do
Ministério Público operam-se segundo as regras fixadas nos respectivos
estatutos", lê-se na proposta do PS.
A alteração ao artigo 15º do
Orçamento do Estado para 2008 foi aprovada apenas pelos socialistas, com a
abstenção de toda a oposição, durante o debate orçamental na especialidade.
Questionado sobre se entende que
esta alteração representa um "recuo" dos socialistas, António Martins
recusou fazer qualquer tipo de leitura, alertando, contudo, para que a
modificação "não resolve o problema".
"São coisas completamente
distintas", afirmou, referindo-se à alteração agora introduzida e ao
diploma aprovado no Parlamento apenas com os votos do PS e que equipara juízes
e magistrados do Ministério Público aos funcionários públicos em matéria de
vínculos, carreiras e remunerações.
Em plenário, os partidos da
oposição qualificaram a alteração ao Orçamento de Estado para 2008 apresentada
pelo PS de "um remendo que não resolve o problema de fundo" da nova
lei sobre vínculos, carreiras e remunerações na Administração Pública, que,
dizem, atribui aos magistrados o título de funcionários públicos.
Quer a Associação Sindical dos
Juízes Portugueses, quer o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e a
Associação de Juízes pela Cidadania também já consideraram que a lei dos
vínculos e carreiras da Administração Pública, ao abranger os magistrados,
coloca em causa "a independência do poder judicial" como órgão de
soberania e "a autonomia do Ministério Público".
Ainda ontem, em entrevista à revista Visão e a propósito desse diploma,
também o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, afirma que "começa
a haver alguns sinais de que pode estar em perigo a autonomia do Ministério
Público", advertindo que não aceitará "ser um procurador-geral
dependente do poder político".
In www.primeirapagina.pt [22.11.2007]
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