|
Futebol: Governo ignora apelo dos juízes |
|
|
|
|
12-Jan-2008 |
|
É com mágoa que Edgar Lopes, juiz de
Direito e vogal do Conselho Superior da Magistratura (CSM), fala sobre
a presença dos magistrados no futebol. Empenhou-se pessoalmente na
questão e em Dezembro de 2006 viu sair do órgão de disciplina dos
juízes uma proposta de lei. Foi aprovada por unanimidade e previa que
os magistrados judiciais não pudessem ser membros dos órgãos
estatutários de entidades envolvidas em competições desportivas
profissionais. Apenas os juízes jubilados ou os que tivessem afastados
da judicatura.
Treze meses depois, o Governo continua a
ignorar a questão, que na altura foi aplaudida por todos e que levou
até o secretário de Estado de Desporto a congratular-se. “Os juízes é
que decidem. Seguiremos as suas indicações”, disse então Laurentino
Dias.
“Até hoje nunca mais nos disseram nada. A proposta
continua na Assembleia da República e não houve qualquer informação ao
CSM”, contou.
Edgar Lopes lembra que a proposta era prioritária,
depois de múltiplos escândalos terem abalado a credibilidade da
justiça. “É uma bomba-relógio. Os juízes continuam no futebol e em
outras modalidades. Um dia destes há outro caso Mateus e vamos todos
lamentar a situação”, continuou.
Posição diferente tem Gilberto
Madaíl. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol há mais de uma
década, o dirigente não entende a posição do CSM. E critica a
concentração das atenções no mundo da bola. “O futebol não tem lepra.
As pessoas são tão sérias quando trabalham no futebol como quando estão
noutro quadrante”, afirma.
O responsável da FPF relembra que não
há qualquer magistrado no actual Conselho de Justiça (CJ). Mas gostava.
“A presença de magistrados num CJ confere maior credibilidade ao órgão.
E tem mais impacto junto da opinião pública um acórdão assinado por
alguém com créditos firmados na aplicação da lei”, assevera Madaíl.
O
presidente da Liga esteve indisponível para falar ao CM. Fonte próxima
de Hermínio Loureiro disse apenas também não entender a posição dos
juízes. “Não vemos inconveniente na participação de juízes nos órgãos
disciplinares da Liga. Não perderão credibilidade”.
CORREIO DA MANHÃ | 13.01.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|