
O ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu, ontem, ter havido
consenso entre PS e PSD para o aumento do número de representantes da
Assembleia da República (AR) no Conselho Superior da Magistratura (CSM). No
entender do ministro, o aumento do número de elementos designados pela
Assembleia da República para o Conselho Permanente permitirá "um papel
mais activo" por parte dos representantes do Parlamento naquele órgão.O
Conselho Permanente é actualmente composto pelo presidente e
vice-presidente do CSM, por um juiz-desembargador, dois juízes de
Direito, um dos vogais eleitos pelo presidente da República e dois
vogais de entre os eleitos pelo Parlamento. Entre as suas
competências, destaca-se a de nomear, colocar, transferir, promover,
exonerar, apreciar o mérito profissional, exercer a acção disciplinar
aos magistrados judiciais colocados nos tribunais da 1ª instância e
elaborar o plano anual das inspecções.
A Associação Sindical dos
Juízes Portugueses admitiu, entretanto, uma maior participação dos
vogais nomeados politicamente para o Conselho Permanente do CSM, desde
que isso não implique a retirada de vogais juízes. [in JORNAL NOTÍCIAS | 14.02.2008]
Cfr. Desmentido do Presidente da Direcção Nacional da ASJP .
ASJP admite aumento de vogais nomeados pelo Parlamento para o CSM, desde que não retirem juízes
Lisboa, 13 Fev (Lusa) - A Associação Sindical dos Juízes Portugueses
(ASJP) admitiu hoje uma maior participação dos vogais nomeados politicamente
para o Conselho Permanente do Conselho Superior da Magistratura desde que não
implique a retirada de vogais juízes.
"Somos favoráveis a que haja uma maior
participação dos vogais políticos no Conselho Superior da Magistratura (CSM),
mas sem que isso implique a retirada dos vogais juízes da organização do
Conselho", disse à Agência Lusa o presidente da ASJP, António Martins.
A ASJP, que vai ser ouvida no próximo dia
20 na 1/a Comissão Parlamentar (Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades
e Garantias) sobre esta proposta governamental, no âmbito da alteração do
Estatuto dos Magistrados Judiciais, considera, contudo, que o aumento do número
de vogais nomeados pela Assembleia da República (AR) "pode representar uma
politização do Conselho Permanente do CSM", o que considera que "não
é positivo".
"É positivo que haja uma maior
participação dos vogais eleitos pela AR na gestão do CSM, porque nós estamos
convictos que quanto mais estes vogais designados pelo poder político
conhecerem as deficiências dos tribunais e os problemas que têm, mais condições
o poder político tem para resolver esses mesmos problemas", argumentou.
A ASJP elaborou um parecer em que considera
que a proposta governamental "é altamente negativa", posição que
António Martins revelou que será apresentada na 1.ª Comissão Parlamentar. "Tem como resultado acabar por criar
condições para os juízes, que neste momento são vogais de tempo permanente,
serem reduzidos de sete para quatro e vai criar condições para os vogais
nomeados pela AR poderem passar a estar em maioria no Conselho Permanente do
Conselho Superior da Magistratura", argumentou o juiz desembargador.
O Conselho Permanente é actualmente
composto pelo presidente e vice-presidente do CSM, por um juiz desembargador,
dois juízes de Direito, um dos vogais eleitos pelo Presidente da República e
dois vogais de entre os eleitos pela Assembleia da República. Entre as suas competências,
destaca-se a de nomear, colocar, transferir, promover, exonerar, apreciar o
mérito profissional, exercer a acção disciplinar aos magistrados judiciais
colocados nos tribunais da 1ª instância e elaborar o plano anual das inspecções.
LUSA | 13.02.2008
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