A iniciativa é do Forúm Permanente Justiça Independente e «pretende
mostrar aos cidadãos a importância do terceiro poder do Estado (o
judicial) para a manutenção do Estado de Direito Democrático», explicou o juiz Carlos Marinho, porta-voz da organização.
«O
evento pretende agregar todos os magistrados judiciais de Portugal e
Espanha (cerca de sete mil), com vista a patentear a importância do
terceiro poder do Estado para a subsistência do Estado de Direito
Democrático», frisou o magistrado.
Segundo Carlos Marinho, «actualmente
em Espanha há uma maior politização da Justiça do que em Portugal, algo
que preocupa cerca de 50 por cento dos juízes» espanhóis.
A análise da situação judicial espanhola funciona «a título preventivo» para Portugal, onde «não há politização da Justiça, mas houve recentemente uma tentativa de funcionalização dos magistrados», referiu.
Para o juiz, a independência do poder judicial é «intocável», sob pena de deixar de existir democracia.
No final do encontro sairá um documento de princípios comuns no sentido de ajudar os dois Estados a manterem «o carácter democrático e de Direito, de tal forma que o cidadão nunca se sinta intimidado pelos outros poderes».
O
encontro tem o envolvimento de todas as organizações de juízes da
Península Ibérica, nomeadamente a Associação Sindical dos Juízes
Portugueses, o Forúm Permanente Justiça Independente, Associação Juízes
pela Cidadania e Associação Juízes para a Democracia.
Em
Portugal existem actualmente cerca de dois mil juízes, sendo que 200
estão adstritos aos Tribunais Administrativos e Fiscais.
SOL | 04.12.2007