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O secretário
de Estado Adjunto e da Justiça considerou hoje que as agressões a
dois juízes no tribunal de Santa Maria da Feira "constitui um
incidente grave", mas não estão associadas "às condições
das instalações provisórias".
Declarações que são contestadas com factos pela Juiz-Presidente do Tribunal: "O número de efectivos
era o normal para este tipo de processos, mas a forma como a sala estava
organizada é que potencia este tipo de ataque". Os arguidos não tinham qualquer
barreira a separá-los dos magistrados e estavam a poucos centímetros
da assistência. A responsabilidade pelos equipamentos e condições dos Tribunais pertence em exclusivo ao Ministério da Justiça.
"Trata-se de um incidente
grave que o Governo lamenta, mas o facto de ter ocorrido naquela sala
da audiências (situada nos Bombeiros Voluntários) não tem a ver com
as condições do tribunal de Santa Maria da feira. É a uma reacção
a uma sentença. Não ter a ver com o local onde ocorreu", afirmou
Conde Rodrigues em declarações à Agência Lusa.
O secretário de Estado frisou
que foi "praticado um crime e que as pessoas têm de ser punidas",
considerando também que as forças de segurança "reagiram de
imediato". "Havia forças de segurança
no local e o número a forma como os agentes actuam nas salas de audiência
são determinadas pelos magistrados", disse.
Admitindo que a sala de audiências
improvisada no quartel dos bombeiros voluntários "não tem as
condições ideais", Conde Rodrigues lembrou que dado o risco de
derrocada do tribunal foi necessário arranjar o mais rapidamente possível
"instalações provisórias".
"Foi necessário encerrar
o tribunal por não cumprir as mínimas condições de segurança e
encontrar a melhor solução possível", afirmou o governante,
acrescentando que a transferência do tribunal para as novas instalações
deverá ser feita "depois do Verão".
Dois juízes foram quarta-feira
agredidos em Santa Maria da Feira após a leitura de uma sentença relativa
a 18 arguidos condenados por tráfico de droga. A agressão ocorreu
numa pequena sala do quartel dos Bombeiros Voluntários locais onde
decorria a sessão.
Entretanto, para a Associação
Sindical dos Juízes Portugueses, as instalações onde está a funcionar
provisoriamente o tribunal "não reúnem as condições mínimas
de segurança e dignidade para realizar julgamentos".
Esta situação é "muito
grave" e revela "falta de sistemas de vigilância e policiamento
adequados" nos tribunais, o que provoca "sentimentos de intranquilidade
nas pessoas que trabalham e utilizam os tribunais, além de uma imagem
de perda de autoridade e de prestígio do Estado", refere a ASJP.
Juíza-presidente
do Tribunal da Feira garante que havia segurança policial suficiente
"O número de efectivos
era o normal para este tipo de processos, mas a forma como a sala estava
organizada é que potencia este tipo de ataque", disse Ana Maria
Ferreira, em declarações à Agência Lusa.
"Já não nos agradava
trabalhar nestas más condições e este caso vem justificar que os
serviços do tribunal não podem continuar assim por muito tempo",
referiu a magistrada.
Durante a leitura da sentença,
que decorria no salão dos bombeiros locais, O juiz-presidente, António
Coelho, foi atingido com um pontapé e uma outra magistrada ficou com
cortes na cara.
Os arguidos não tinham qualquer
barreira a separá-los dos magistrados e estavam a poucos centímetros
da assistência.
VISÃO | 26.06.2008
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