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A rota de colisão entre juízes e Governo mantém-se. A Associação
Sindical dos Juízes (ASJP) mantém a sua posição, de repúdio, sobre a
inclusão dos magistrados no regime dos trabalhadores da Administração
Pública. E, nesse sentido, a direcção nacional da ASJP vai hoje
reunir-se e pedir ao Conselho Superior da Magistratura que tome uma
posição pública sobre esta matéria.
No epicentro da guerra já não estão juízes e Ministro da Justiça, mas
sim juízes e primeiro-ministro e juízes e grupo parlamentar do Partido
Socialista. "Isto porque agora já não nos interessa o que o ministro da
Justiça diga", conforme explicou o presidente da ASJP, António
Francisco Martins, ao DN. "A questão agora é com o primeiro-ministro
que ainda não tomou uma posição pública sobre esta matéria e que, a
nosso ver, deveria fazê-lo". E mais: António Martins exige que o grupo
parlamentar do PS, que votou a aprovação do diploma, também se
explique. "Porque tem a responsabilidade máxima nesse assunto, já que
os outros partidos votaram todos contra".
Em causa está o diploma
aprovado no dia 16 de Outubro sobre carreiras, vínculos e remunerações
da administração pública, que equipara juízes a funcionários públicos.
Diploma que viola a independência da magistratura, segundo a ASJP
expressou em comunicado. No entanto, e apesar das reivindicações dos
magistrados judiciais, o ministro da Justiça já veio a público
esclarecer que pretende alterar a lei para que fique claro que juízes e
magistrados não são abrangidos pelo diploma. A ASJP não entende o facto
dessa questão não ter sido esclarecida na altura que em que o diploma
foi aprovado em Conselho de Ministros.
"O documento apresentava
ambiguidades, mas já declaramos que não vão decorrer efeitos, deste
quadro geral, para os senhores magistrados, quer judiciais quer do
Ministério Público", salientou Alberto Costa, à saída da reunião da
primeira Comissão de Assuntos Constitucionais, direitos, liberdades e
garantias, na passada quarta-feira. Minutos antes da mesma Comissão
receber o presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha do
Nascimento. "Mas se houver necessidade de introduzir melhorias,
obviamente que elas serão introduzidas", concluiu o ministro.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 05.11.2007
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