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Ao afirmar ser “frontalmente contra” que o futuro cargo de presidente
do tribunal seja ocupado por um juiz desembargador, António Martins,
presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP),
posicionou-se contra a opinião manifestada pelo Conselho Superior de
Magistratura (CSM), órgão que foi acusaram de “conservador”.
Os dirigentes da Associação foram, ontem, ouvidos pela comissão
parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos Liberdades e
Garantias, no âmbito da discussão na especialidade da lei do novo mapa
judiciário.
Mais contundente nas críticas ao CSM, foi Mendes Azevedo, da direcção
da ASMJ, que acusou ter uma posição “defensiva e medrosa” ao não
defender uma nova cultura judiciária com a aposta nas novas gerações de
juízes. E, recentrando as críticas no articulado da nova lei, previu um
falhanço” da nova organização dos tribunais, caso se mantenha a defesa
de um desembargador para juiz presidente. “O princípio da igualdade
entre pares é subvertido, o que vai criar instabilidade e é mais que
certo o falhanço do modelo. Depois, seremos nós, os juízes, acusados de
incapacidade para a gestão e fica aberta a porta para uma gestão
exterior, como aconteceu na Saúde”.
Depois de garantirem que não serão “uma travão” à aplicação da nova
estrutura judicial, os juízes deixaram alertas para a possibilidade de
determinados pontos da futura lei serem inconstitucionais. É o caso da
afectação dos juízes para juízos, para os quais não tenham sido
nomeados. Segundo Ramos Soares, da direcção da ASJP, “a lei deixa
aberta a porta para que o presidente proponha ao CSM a mudança de um
juiz por razões administrativas”. “Não aceitaremos que seja ou pareça ser que o juiz é escolhido para um
determinado processo ou um processo para um juiz”. Uma afirmação
peremptória de Ramos Soares.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 22.05.2008
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