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A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP)criticou hoje que,
um ano após alertar para o problema de segurança nos tribunais, o
Governo "limitou-se a criar uma comissão para estudar o assunto e
produzir um relatório que ninguém conhece".
"Passado mais de um ano, verifica-se que o Governo não só não deu
qualquer resposta à ASJP como não procurou encontrar solução para esta
situação tão grave, tendo-se limitado a criar uma comissão para estudar
o assunto e produzir um relatório que ninguém conhece", refere em
comunicado a direcção da ASJP, a propósito do caso do homem armado que
se barricou quinta-feira no Tribunal de Vila Nova de Gaia.
A ASJP lembra que, em Março de 2007, divulgou os resultados de um
inquérito sobre as instalações dos tribunais de primeira instância que,
em matéria de segurança, concluiu que "a generalidade dos edifícios não
está equipada para detectar a entrada de armas, explosivos e outros
materiais perigosos, não tem sistemas de alarme ou videovigilância
eficazes nem qualquer sistema próprio de policiamento público".
"No mesmo relatório concluiu-se que o aspecto da segurança foi o que
mereceu avaliação mais negativa", recorda ainda a direcção da ASJP.
Segundo a ASJP, no relatório uma das recomendações feitas ao Governo
foi "precisamente que se procedesse à avaliação rigorosa do grau de
risco dos diversos tribunais e que se instituísse gradualmente um
sistema de policiamento público em permanência".
A ASJP sublinha que "a multiplicação de episódios de violência em
vários tribunais, que pode ter um efeito de alastramento, além dos
riscos efectivos que cria, provoca um inaceitável sentimento de
insegurança a todas as pessoas que trabalham e se dirigem aos
tribunais".
"Perante esta situação, que a ASJP considera totalmente inaceitável,
exige-se ao Governo a tomada imediata de medidas concretas para
solucionar o problema da falta de segurança nos tribunais, sugerindo
que se proceda a uma imediata avaliação daqueles em que existe um grau
de risco mais elevado e se coloquem aí sistemas de detecção de entrada
de armas e materiais perigosos e elementos policiais em permanência",
diz a ASJP, dirigida pelo juiz desembargador António Martins.
A finalizar, a ASJP afirma estar "à disposição para, juntamente com
os juízes presidentes dos tribunais, colaborar na procura de soluções
imediatas para este problema".
Confrontado quinta-feira com o caso ocorrido no Tribunal de Família
e Menores de Gaia, o secretário de Estado adjunto e da Justiça disse
tratar-se de "uma situação pontual", mas que o Governo está a estudar
soluções para melhorar a segurança dos tribunais.
Conde Rodrigues adiantou à Agência Lusa que o Governo recebeu
recentemente um relatório sobre segurança nos tribunais, elaborado por
um grupo de trabalho composto por magistrados, em que são identificadas
situações de risco, devendo agora o Ministério da Justiça, em
colaboração com o Ministério da Administração Interna, analisar o
documento para "tirar conclusões" e encontrar as melhores soluções para
o problema.
Em Outubro de 2007 foi constituído, por despacho dos secretários de
Estado adjuntos da Administração Interna e da Justiça, um grupo de
trabalho para analisar a segurança dos tribunais, cuja coordenação
ficou a cargo de um representante do Conselho Superior da Magistratura
(CSM), tendo o relatório sido entregue ao Governo a 29 de Abril último.
O grupo de trabalho foi composto por representantes do Conselho
Superior da Magistratura, Conselho Superior dos Tribunais
Administrativos e Fiscais, Procuradoria-Geral da República, Gabinete
Coordenador de Segurança, GNR, PSP e Direcção-Geral da Administração da
Justiça.
A iniciativa do Governo surgiu depois de reclamações dos juízes,
funcionários judiciais e do Ministério Público, a exigirem mais
segurança, nomeadamente mais policiamento e controlo de entradas nos
tribunais.
Quanto à situação verificada no Tribunal de Família e Menores de
Gaia, José Conde Rodrigues admitiu que "a realidade vai mudando" e que,
embora sejam os tribunais criminais a exigir maior ponderação em
matéria de segurança, também situações de risco começam a ocorrer
noutros tribunais.
LUSA | 09.05.2008
Texto do Comunicado da ASJP
Insegurança nos tribunais
Tendo em conta os graves acontecimentos verificados ontem no Tribunal
de Vila Nova de Gaia, a Direcção Nacional da ASJP deliberou o seguinte:
1. Em Março de 2007 a ASJP divulgou os resultados de
um inquérito sobre as instalações dos tribunais de primeira instância
que concluiu, quanto ao aspecto da segurança, que a generalidade dos
edifícios não está equipada para detectar a entrada de armas,
explosivos e outros materiais perigosos, não tem sistemas de alarme ou
videovigilância eficazes nem qualquer sistema próprio de policiamento
público;
2. No mesmo relatório concluiu-se que o aspecto da segurança foi o que mereceu avaliação mais negativa;
3. Nesse relatório uma das recomendações feitas ao
Governo foi precisamente que se procedesse à avaliação rigorosa do grau
de risco dos diversos tribunais e que se instituísse gradualmente um
sistema de policiamento público em permanência;
4. Passado mais de um ano, verifica-se que o Governo
não só não eu qualquer resposta à ASJP como não procurou encontrar
solução para esta situação tão grave, tendo-se limitado a criar uma
comissão para estudar o assunto e produzir um relatório que ninguém
conhece;
5. A multiplicação de episódios de violência em
vários tribunais, que pode ter um efeito de alastramento, para além dos
riscos efectivos que cria, provoca um inaceitável sentimento de
insegurança a todas as pessoas que trabalham e se dirigem aos
tribunais;
6. Perante esta situação, que a ASJP considera
totalmente inaceitável, exige-se ao Governo a tomada imediata de
medidas concretas para solucionar o problema da falta de segurança nos
tribunais, sugerindo que se proceda a uma imediata avaliação daqueles
em que existe um grau de risco mais elevado e se coloquem aí sistemas
de detecção de entrada de armas e materiais perigosos e elementos
policiais em permanência;
7. A ASJP coloca-se à disposição para, juntamente
com os juízes presidentes dos tribunais, colaborar na procura de
soluções imediatas para este problema.
Lisboa, 9 de Maio de 2008
A Direcção Nacional da ASJP
In www.asjp.pt
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