Campanha contra magistrados pode calar informadores
18-Fev-2009
O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público considerou que essas notícias, "verdadeiras ou falsas, criaram um clima de condicionamento e de intimidação". "Mais até para as pessoas que querem colaborar com os magistrados do que para os próprios magistrados, já preparados para esse género de campanhas", acrescentou, após uma reunião com o grupo parlamentar do PSD.

Paulo Rangel, líder da bancada laranja, mostrou-se preocupado com o que ouviu de Cluny e anunciou que vai pedir uma audiência ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro.

Sem pronunciar a palavra Freeport e lembrando até que a Justiça tem em mãos meia-dúzia de inquéritos de "grande importância para o país", Cluny deixou claro que falava de notícias, das últimas duas semanas, sobre os procuradores e o juiz de instrução responsáveis pelo inquérito Freeport.

Nessas notícias, "foram referidas escutas, processos-crime contra magistrados, assim como conversas sobre o comportamento de alguns magistrados", lembrou o presidente do SMMP. Referiu ainda os anúncios recentes, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), da abertura de investigações sobre fugas de informação e "anomalias" do inquérito Freeport. "Até hoje, nunca assisti a uma situação deste tipo", disse Cluny, admitindo que uma pessoa com informações úteis evite colaborar com magistrados que possam andar a ser vigiados por espiões, ou investigados pela PGR.

Apesar de vislumbrar nas referidas notícias fontes "variadas" a darem informações "coincidentes", Cluny deu de barato, ontem ao JN, que elas nem sejam verdadeiras. No último sábado, porém, o SMMP aprovara uma moção assertiva, sobre a mesma questão: "As pressões e intimidações que têm recaído sobre os magistrados, com o intuito de os atemorizar (…), têm várias origens e envolvem poderosos meios de contra-informação só disponíveis, por norma, aos serviços de 'intelligence'", concluíram os sindicalistas reunidos em Tomar.

As notícias recentes de procuradores sob vigilância dos serviços secretos, ou de investigações a investigações podem diminuir a colaboração de testemunhas com a Justiça na descoberta da verdade, alertou ontem António Cluny.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 18.02.2009

Comentarios
... : Insolente Poetastro
Então agora tambèm há uma "campanha negra" contra os magistrados do MP?
19.Fevereiro.2009
... : cabelos em pé!
Parece-me que quem está em campanha é o M. Público, ou pelo menos os porta-vozes "não autorizados" do M.P.
Chega a ser preocupante o á-vontade com que toda a gente dessa área, que devia trabalhar determinada, discreta e diligentemente sobre os processos em curso, os aproveita para aparecer e participar no regabofe geral, o que só ajuda na degradação da instituição e na péssima imagem que a população tem da Justiça (bem sei que há quem diga que o M.P. não faz parte da Justiça).
Há alguns anos atrás, uma pessoa que muito admirava pelos ensinamentos que me transmitiu dizia que "num regime democrático, só os incompetentes devem ter medo".



19.Fevereiro.2009
... : Insolente Poetastro
Ou será que a alegada "campanha contra o MP" mais não é do que mais uma fase da campnha negra contra o PS?
19.Fevereiro.2009
... : maria (0)
O clima de controlo e intimição são uma realidade dentro do nosso ordenamento juridico, não só ao MP, a todos os agentes da justiça. Basta não se ser " amigo de...", ter a coragem de assumir posição discordante e aí temos uma perseguição nada subtil até derruba o que se considera um obstaculo. Mas efectivamente só os incompetentes se "aninham".
27.Fevereiro.2009

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